Cromo do Dia: Parcerias Público Privadas

Ele é em Oeiras, ele é no Funchal, ele nas câmaras, ele é no governo, ele é na saúde, ele é nas estradas. Onde há uma parceria público-privada é certinho: há prejuízo público, há lucro privado e há buracos esquisitos. E ilegalidades aos montes, mas poucos responsáveis. Ou nenhuns.

Temos muitos cromos destes, alguém os quer para a troca?

Parcerias Público-Privadas

Morria a quantos de Novembro, Sr. PM?

Quando falam do corte de subsídios de Natal e de férias, os políticos, comentadores e comunicação social de forma generalizada – ainda ontem no ‘prós e contras’ da RTP1 – referem apenas a função pública, sem pormenorizar que a medida incide sobre os funcionários públicos no activo, os aposentados e ainda os pensionistas do sector privado.

Aposentados do Estado e pensionistas da Segurança Social, à excepção de Mira Amaral, outros reformados da CGD e políticos, descontaram, na maioria dos casos, décadas a fio sobre 14 recebimentos anuais. Daí a consistência da ideia de confisco, defendida pela Associação Sindical de Juízes. O retorno em pensões, nos OGE’s de 2012, 2013 e para sempre (!), não é proporcional aos montantes financiados e capitalizados.

O primeiro-ministro, cuja seriedade no discurso está desacreditada perante uma crescente onda de cidadãos, aproveitou a boleia. Na conferência do Diário Económico intitulada “Portugal 2012 os desafios do Orçamento do Estado”, e referindo estritamente “os funcionários públicos” (sic), garantiu:

…se o governo tivesse optado por aumentar a receita fiscal através de um imposto a todos os portugueses que retirasse os subsídios de férias e de Natal seria uma medida que dificilmente seria considerada credível no exterior do país. Não sendo visto de uma forma credível, o nosso programa podia morrer em Novembro e não podíamos permitir que isso acontecesse.  [Read more…]

A dívida pública explicada aos ingénuos

Metam este vídeo num sítio onde o Medina compreenda, o Carreira entenda, a Manuela se cale, a Ferreira se suspenda por mais de 6 meses, o João César se ajoelhe, o Neves reze e os seus fiéis seguidores ganhem tino.

Sou um homem com fé, acredito nestes milagres e na salvação do meu natal pelo menino Jesus.

Via Rui Curado Silva

Isto, sim, é social-democracia

“O Estado não tenciona envolver-se na gestão dos bancos”.

A frase é atribuída ao Primeiro-Ministro.

E faz todo o sentido: não interferir na gestão da banca é uma receita que só tem dado bons frutos.

Parece-me que a anunciada reprivatização da banca deveria ser acompanhada de um programa vinculativo e sujeito a auditoria permanente, onde a contrapartida pelo capital dado à banca seria a obrigação de cumprir um programa de apoio às empresas para que estas tenham liquidez.

Claro que isto obriga o Governo a saber quais os sectores prioritários e a ter, efectivamente, um programa económico para o país.

É uma chatice.

Claro que isto limita a banca sedenta de ir à busca nos benditos “mercados” de boas oportunidades de especulação.

Outra chatice.

Mas não seria – malgrado risco do que irei escrever a seguir estar fora de moda há uns anos na actividade política – mais justo?

André Villas-Boas fez bem em vir receber o Dragão de Ouro

Sabe-se lá se a partir de Julho não andará à procura de emprego

Ideias feitas

Marcelo Rebelo de Sousa, como tudólogo que é, resolveu perorar sobre educação, num colégio católico. Em pouco tempo, reuniu a habitual colecção de lugares-comuns da direita: o Ministério dominado pela FENPROF, a superior qualidade de ensino dos colégios privados, a liberdade de escolha e a importância de competição entre escolas.

Já se sabe que, na maioria dos assuntos, falamos sem pensar, porque não há tempo ou não dá jeito. Marcelo Rebelo de Sousa, que ganha a vida a falar, prescindirá, demasiadas vezes, de pensar.

Como muitos ignorantes no que respeita à Educação, Marcelo baseia-se apenas em resultados e, provavelmente, em rankings. Como de costume, esquece ou escolhe esquecer que os colégios são frequentados por alunos privilegiados em termos económicos e/ou culturais, o que não lhes retira mérito a eles ou aos respectivos professores, mas não deixa de constituir uma vantagem. Um professor igualmente competente numa escola em que os alunos provenham de meios desfavorecidos dificilmente obterá os mesmos resultados, o que também não lhe retira mérito.

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Ricardo Rodrigues e o fim da República

Em setembro de 2009 tropecei no espantoso currículo do deputado Ricardo Rodrigues:

As declarações nos autos do ex-gerente da CGD são esclarecedores: «Foi referido pelo arguido detido, Duarte Borges, na acareação (…), que tem consciência que enviou vários milhares de contos (da CGD, provenientes de empréstimos agrícolas) à Débora Raposo / colaboradores, tendo indicado, entre outros, o arguido Ricardo Rodrigues. Mais, referiu que a Débora e os colaboradores, onde se encontra o arguido Ricardo Rodrigues, negociavam Cartas de Crédito, com dinheiros dos empréstimos fraudulentos em vários países».

Pode ler o resto, e este bónus. Dois anos e um gravador depois é nomeado para o Conselho Geral do Centro de Estudos Judiciários.

Cheira a 1973, 1909,  vésperas do fim de um regime. Esta república estrebucha, está em agonia, ou já no velório; falta enterrá-la. Venha outra, que os necrófagos salvadores da pátria já espreitam.