Finalmente, alguém que nos acuda

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imagem: DN

Hoje, na minha habitual e atenta leitura pelos diários, a qual inclui boa parte do título e um crítico olhar pelas fotos (especialmente se se tratar do Correio da Manhã), dei com esta boa nova. A Agelina Jolie (foi? vai ser?) enviada para situações dramáticas. Atendendo a que na mesma foto está António Gueterres, o qual,como se sabe, resolveu perdoar a dívida à Madeira quando foi primeiro-ministro, diz-me o meu olho de lince que a craque do Thumb Raider foi/vai ser destacada para desenterrar o tesouro feito dos milhões de euros que o Alberto João enterrou na Madeira. Finamente, alguém que nos acuda, que estamos mesmo aflitos.

Sacudindo a água do capote

Como não dá jeito nenhum constatar o óbvio, que Alberto João Jardim é de direita, continuador do regime de antes do 25 de Abril que nunca chegou à Madeira, a direita continua a despejar megabytes tentando associar o construtor de estradas que servem duas ou três casas ao pobre Keynes, que tem as costas largas.

Não dou lições de economia a ninguém, mas de História Económica (e Social, componente sem a qual a primeira não faz sentido) ainda sei umas coisas. O suficiente para perguntar se, seguindo a mesma lógica, Salazar e sobretudo Duarte Pacheco, Cavaco Silva e as suas auto-estradas, também são keynesianos. E já agora manifestar a minha curiosidade em saber qual o candidato a PR que apoiaram nas últimas eleições, e nas anteriores, e por aí a fora.

Estas orfandades auto-impostas dão um jeitaço. A direita só tem memória de si própria quando lhe convêm. E continua fiel à velha lei da propaganda agora modernizada: um mentira multiplicada até perfazer um gigabyte passa a verdade.

(clique na imagem para ver melhor a aristocracia madeirense. Fonte: DN, via Câmara Corporativa)

O Professor-Bombeiro


Desde que a arguida Maria de Lurdes Rodrigues inventou este sistema de concursos de professores, é possível ver os casos mais pitorescos nos critérios de selecção da Bolsa de Recrutamento – Contratação de Escola para horários temporários. O critério mais habitual é o da leccionação no Agrupamento no ano lectivo anterior, mandando às malvas a graduação profissional e garantindo que em determinado Agrupamento ficará quem o Agrupamento quiser que fique.
O caso que encontrei num destes dias na Bolsa de Recrutamento é bem mais curioso. A Escola Secundária dos Carvalhos pretende um professor para leccionar a unidade de formação de Geografia do Território e Introdução aos SIG. Principal critério? Pertencer aos Bombeiros Voluntários dos Carvalhos, «entidade protocolada».
Felizmente, já estou colocado, caso contrário ia já fazer-me sócio dos Bombeiros dos Carvalhos.
Um Professor-Bombeiro? Confesso que acho estranho, mas suponho que haja uma boa explicação.

RTP e Pordata, podia ser uma boa ideia

Ontem a RTP transmitiu a primeira de várias histórias baseadas em informação da Pordata e a ideia com que fico é que se esqueceram da parte jornalística da coisa.

Digo isto porque pelo que vi limitaram-se a debitar a informação que nós já conseguimos ver no site, que por sua vez já poderia ser consultada noutras fontes de informação como o INE, Banco de Portugal, etc.

Claro que é um trabalho meritório e como a televisão ainda vai tendo mais impacto que a internet serviu para mais pessoas ficarem a conhecer o trabalho excelente da fundação Fundação Francisco Manuel dos Santos. Mas o que eu estava à espera de um trabalho jornalístico era algo que relacionasse informação.

Certo, gastamos 3,5x mais (a preços correntes) em impostos do que há 30 anos atrás… mas, e quanto é que o estado gasta em serviço de saúde, educação, pensões? Acompanha essa percentagem? É proporcional ou não? Onde é que aumentou mais?
E que avaliação é que nós fazemos dos serviços que o estado presta, tem melhorado, diminuído?

Isso sim seria um trabalho que estaria à espera que a RTP fizesse. Para ver números descontextualizados já vou actualmente ao site da Pordata.

Francisco José Viegas, a “liberdade artística” e a ingerência dos tecnocratas…

…que defendem menos estado (até nas águas, por exemplo) e o impõem onde, verdadeiramente, não devem.

Já aqui notei a inconsistência das declarações “literárias” do secretário de Estado da Cultura sobre liberdade artística e as práticas de programação que preconiza para a Cinemateca Portuguesa, Companhia Nacional de Bailado e Teatros Nacionais, numa perspectiva que, por absurdo (?) e em última análise, os poderia tornar veículos de uma “cultura” oficial emanada do aparelho de estado.

Eis o que, sobre o assunto, diz Augusto M. Seabra num artigo apropriadamente intitulado SOS Cultura:

Francisco José Viegas pretende que os teatros nacionais, companhia de bailado e cinemateca discutam com o seu gabinete a programação e que sejam tidos em conta os resultados de bilheteira – em 35 anos de Democracia nunca assistimos a nada assim na Cultura! Depois acrescenta que “não porá em causa nem um milímetro a autonomia artística”, o que é uma evidente contradição. [Read more…]

Castro Marim e o mar

Ontem passei por uma tv que dava o contra os prós, estava um ministro do PSD e o autarca das rotundas de Viseu um frente ao outro. A senhora que assim ganha a vida insinuava que Castro Marim, Vila Real de Santo António e Alcoutim andariam a discutir uma junção. Um senhor de Alcoutim desmentiu prontamente.

Gosto muito de Castro Marim, terra a quem devo umas coisas sentimentais e sobretudo profissionais, e onde se faz o melhor sal do mundo.  Agora, no belo dia em que me explicaram que aquele concelho do Baixo Guadiana tem 1, 2, 3 praias, mas para lá chegar é preciso atravessar o concelho vizinho, além de muito me ter rido, percebi que a margem esquerda do Baixo Mondego afinal não tem o mapa mais idiota de Portugal. Obrigado Castro Marim, obrigado.

Sobre a não reforma administrativa de Portugal depois falamos.

Um político com tomates:

Nem vale a pena continuar a “bater no ceguinho”, todos sabem as responsabilidades do anterior governo no estado calamitoso das contas públicas.

Nem vale a pena querer explicar, por A +B, o conteúdo do livro verde sobre o poder local. Ninguém quer perder uma migalha de poder.

O que vale a pena é falar claro e enunciar tudo sobre a nossa realidade local. Na esmagadora maioria dos municípios temos freguesias a mais. E quanto menos rural é o concelho, mais notória é essa realidade.

Um exemplo que conheço bem: a Maia. Existe uma vila chamada Castelo da Maia que é composta por cinco, repito, cinco freguesias (Gemunde, Barca, Gondim, S. Pedro e Sta. Maria do Avioso). Cada uma delas, isolada, pouco consegue. As cinco, reunidas numa só e a que se poderia chamar, perfeitamente, freguesia do Castelo da Maia, teriam massa crítica suficiente para impor um conjunto de vantagens, junto do Município, que hoje, todas elas separadas, não conseguem. Aqui está um exemplo. Outro exemplo encontro no interior, em pleno Douro, no concelho de S. João da Pesqueira. Duas freguesias vizinhas (Riodades e Paredes da Beira) cuja racionalidade obrigaria, sem ser necessário qualquer reforma imposta de cima, a uma fusão. As duas, em separado, pouco contam. E tantos outros exemplos poderiam ser enunciados. [Read more…]