O presente, essa grande mentira social. III- A mais-valia

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Capítulo Terceiro

AMais-Valia

Para se manter dentro da História, todo ser humano precisa de consumir bens, sejam estes de agasalho, de abrigo, ou de alimentação. Para poder consumir, é necessário produzir esses bens de diversa qualidade e em diversas quantidades. Todo o ser humano sabe, especialmente os economistas ou os cientistas sociais.

Este consumo é de bens produzidos pela própria pessoa, ou por outros, por causa do tempo necessário para investir na sua produção, apuramento, colheita e distribuição. A consequência é simples: todo ser humano precisa de viver em interacção e ter meios para adquirir os bens que consome e não produz, bem como de uma entrada, em moeda, para adquirir os que outros fazem e ele precisa. Normalmente, nas sociedades industriais, é o operariado que se habilita a esta produção, usando meios que não são da sua propriedade ou não inventados por si. Porque a produção não é apenas de bens materiais, é também de ideias que orientem essa produção ou processo educativo, quer entre iguais, quer em instituições. Esta aprendizagem, prévia à produção, é organizada pelos Estados que decidem o que é preciso saber para se ter uma população dentro da distribuição social do trabalho. A produção começa com a alimentação da criança, continua pela sua formação, e passa pela sua habilitação para determinados trabalhos. Estes trabalhos são remunerados conforme as horas aplicadas à transformação da natureza em ideias e em bens económicos. Normalmente, os bens têm um tempo de trabalho necessário para a sua produção, mas o produtor trabalha mais horas do que as necessárias para criar bens em quantidade necessária para satisfazer as necessidades de consumo de uma população, e devolver o capital adiantado pelo proprietário dos instrumentos de trabalhos, ou das patentes das invenções de ideias para produzir melhor, de forma mais competente e em concorrência com outros produtores. Da mesma linha, ou de linhas diferentes de fabrico de bens para o consumo, mas que usam o mesmo mercado para colocar os seus produtos. Essas horas a mais são a mais-valia de que se fala. Os que não trabalham nesta linha vivem da mais-valia produzida pelos produtores, ou mão-de-obra, de uma Nação, País, União de Países, ou grupo social que partilha o mesmo espaço geográfico e a mesma cultura, o que é dizer, a mesma necessidade de consumo. É desta mais-valia que vive toda a população e que dá lucros ao possuidor, por Lei, das técnicas de fabrico de recursos para se estar dentro da História.

É destas ideias que tratam os autores centrais para este capítulo: Karl Marx, que define o conceito de mais-valia, enquanto critica os economistas da sua época, especialmente Adam Smith e François Quesnay; o problema é que o conceito não se define apenas num texto. Ele é o resultado de um longo argumento sobre o valor do trabalho, que define como o tempo gasto no fabrico de um bem por um indivíduo, ou a qualificação para ensinar, ou, ainda, o tempo investido e a energia gasta ou valor denominado abstracto.[1] A ideia de associar a teoria do valor e a mais-valia retirada, começa cedo no pensamento do autor. Especialmente associada à alienação do produto do trabalho por lhe ser retirada a confecção do bem, recebendo, em troca, um salário inferior à quantidade de bens que prepara[2]. De facto, as definições dos escritos económicos e filosóficos são mais tarde usados nos textos indicados em nota de rodapé: Contribuição à Crítica da Economia Política ou Grundisse, e no Vol 1 do Capital.

Os conceitos de valor e de alienação são centrais para entender o contributo de Marcel Mauss que, baseado nas teorias de Karl Marx, analisa como esta produção acontece em sítios onde não há Direito escrito, e em sítios onde o Direito é parte da sabedoria de vários. Especialmente a análise feita nos ensaios de Rubin, que distingue entre valor concreto e valor abstracto ou uma forma de retirar mais valia quer da fisiologia, quer da ingenuidade do productor: “when Marx ascertained that changes in the magnitude of value of commodities depended on changes in the quantity of labor expended on their production, he did not have in mind the individual labour which was factually expended by a given producer on the production of the given commodity, but on the average quantity of labour necessary for the production of the given product, at a given level of development of productive forces. The labour-time socially necessary is that required to produce an article under the normal conditions of production, and with the average degree of skill and intensity prevalent at the time. The introduction of power-looms into England probably reduced by one-half the labor required to weave a given quantity of yarn into cloth. The hand-loom weavers, as a matter of fact, continued to require the same time as before; but for all that, the product of one hour of their labor represented after the change only half an hour’s social labor, and consequently fell to one-half its former value” (C, I, p. 39).

Com esta citação, Marx experimenta pôr fim às especulações sobre como se vivia dentro da sociedade do Capital, ou como esta estava definida pela relação central do capital, conceito que define uma hierarquia entre os seres humanos, entre proprietários e não proprietários de meios de produção, ou receptores de salários e receptores de lucro. Essa relação é desmontada pelo autor com todo o cuidado, especialmente no seu manuscrito de 1861 e 1863, denominado Teorias da Mais-Valia or Theories of Surplus-Value, editado por Karl Kautsky em 1905, e retirado dos apontamentos redigidos enquanto escrevia o Capital (também denominado como IV Volume do Capital ou Contribuição à Crítica da Economia Política[3]). Com a sua linguagem irónica de sábio que está certo do que diz, analisa a pente fino todas as teorias definidas sobre a Mais-Valia, análise para que remeto o leitor por lá se encontrar já a História do conceito organizada e muito bem-feita. O que interessa é saber o que é o valor e as suas diversas confusões com lucro, salário, capital variável, renda e outros conceitos que apenas um economista pode distinguir. A primeira ideia que é publicamente analisada por Marx é a de mercadoria, que define no seu texto de 1859[4] – mas já referida no seu texto de 1844[5]: “Wages are determined through the antagonistic struggle between capitalist and worker. Victory goes necessarily to the capitalist. The capitalist can live longer without the worker than can the worker without the capitalist. Combination among the capitalists is customary and effective; workers’ combination is prohibited and painful in its consequences for them. Besides, the landowner and the capitalist can make use of industrial advantages to augment their revenues; the worker has neither rent nor interest on capital to supplement his industrial income. Hence the intensity of the competition among the workers. Thus only for the workers is the separation of capital, landed property, and labour an inevitable, essential and detrimental separation. Capital and landed property need not remain fixed in this abstraction, as must the labour of the workers.[6]

Falta dizer que esta primeira preocupação e observação de Marx, que escrevia no seu jornal Rheinische Zeitung, em Bruxelas, deixaram em fúria o Imperador da Prússia e levou-o ao exílio em Paris. Aqui conhece Friedrich Engels e os Bauvessianos, com os quais redige o Manifesto da Liga dos Comunistas, denominado depois Manifesto Comunista[7], texto no qual já refere qual o valor dos que não têm capital: essa mercadoria denominada força de trabalho, quer do Pater Famílias, quer da sua prole ou proletariado. Esta ideia percorre todo o Manifesto e define na Parte 1, o sistema de classes sociais divididas pela propriedade de bens, ou da sua força de trabalho, que Marx, em inglês, denomina labour-power. Ideias desenvolvidas no texto Private Property and Communism, dos seus escritos de 1844[8]. No conjunto destes textos, Marx denomina a força de trabalho mercadoria necessariamente transacionável no mercado. Esta mercadoria é definida a partir de conceitos económicos que Marx dominava, o que o levou a definir a noção de valor, explicando, no texto referido, como um trabalhador não consegue viver sem um proprietário de dinheiro ou recursos que representem moeda como a renda da terra, ou os juros que rende o capital possuído pelos burgueses, reinvestidos em fábricas e indústrias oferecem benefícios económicos. Capital fixo ou investimento em bens industriais, manufacturas e posse de bens que o proprietário pode ou não usar, ou capital variável ou operariado que pode ser dispensado do trabalho ou ver aumentado o seu salário, ou, simplesmente, ficar sem salário, porque o investidor decide fechar esse ramo do seu negócio, ou toda a operação. Problemática económica do produtor, que ele não consegue controlar se não for detentor do poder político que até lhe permite provocar entre os trabalhadores uma luta competitiva e eventualmente fraticida, porque quem pede menos é quem é contratado, e quem solicita mais salário corre o risco de não ter trabalho. No entanto, nos seus manuscritos de 1861-63, como no primeiro Volume do Capital, Marx refere que, na determinação do valor do fabrico de bens, a capacidade específica de um tipo de trabalho acaba por ser um prémio para quem a possui, sendo contratado ou alugado como mercadoria especializada[9]. Quanto à medida do valor, ela está na circulação de mercadorias que tenham valor de uso, é dizer, que sejam procuradas pelo mercado para o seu consumo: “1. Measure of value – The first phase of circulation is, as it were, a theoretical phase preparatory to real circulation. Commodities, which exist as use-values, must first of all assume a form in which they appear to one another nominally as exchange-values, as definite quantities of materialised universal labour-time. The first necessary move in this process is, as we have seen, that the commodities set apart a specific commodity, say, gold, which becomes the direct reification of universal labour-time or the universal equivalent”[10].

E refere uma unidade de comparação para entendermos o trabalho como mercadoria: o ouro, é dizer, uma mercadoria com valor de uso, como é o trabalho, que tem em si um valor de troca ou intercâmbio, que reifica a consideração do valor da força de trabalho. É por meio do valor de troca, que a força de trabalho é definida e acordado um salário. Eis porque, nos manuscritos, Marx acrescenta: “The demand for men necessarily governs the production of men, as of every other commodity. Should supply greatly exceed demand, a section of the workers sinks into beggary or starvation? The worker’s existence is thus brought under the same condition as the existence of every other commodity. The worker has become a commodity, and it is a bit of luck for him if he can find a buyer. And the demand, on which the life of the worker depends, depends on the whim of the rich and the capitalists. Should supply exceed demand, then one of the constituent parts of the price — profit, rent or wages — is paid below its rate, [a part of these] factors is therefore withdrawn from this application, and thus the market price gravitates [towards the] natural price as the centre-point.” [11]

Não é um exagero o que Karl Marx diz no texto. De facto, a História comprova que, na medida de que a indústria cresce, a procura de seres humanos diminui e a própria população toma medidas para controlar o seu crescimento. Na conjuntura histórica de Marx, quanto mais prole havia, mais fácil o desenvolvimento do trabalho. O dinheiro ganho era trazido para casa e poupado para os gastos de todos. Esta é também a razão dos raros e tardios casamentos. As pessoas deviam antes aprender um ofício ou ter uma habilitação, para poder tratar de si e da prole que nasceria. A mão-de-obra é a resposta à procura que faz o proprietário dos meios de produção, para satisfazer as necessidades que o seu capital requer, é dizer, a capacidade de criar um bem que tenha valor de uso – que seja passível de ser consumido – como valor de câmbio ou de troca, ou, como tenho referido, de intercâmbio. A diferença entre estes três conceitos está estabelecida no meu texto de 2002[12]. No entanto, é preciso insistir nos conceitos usados por Marx. O primeiro, é o de valor de uso, é dizer, um bem que tem valor pela sua capacidade de satisfazer uma necessidade. Valor de uso, que, pela sua vez, tem várias acepções, por serem as necessidades humanas de diversas magnitudes e de diferente tipo de procura.

No seu Volume I do Capital, diz Marx: “The wealth of those societies in which the capitalist mode of production prevails [domina, prevalece, minha tradução] presents itself an inmense accumulation of commodities, its unit being a single commodity”[13].

 Começa logo pela definição de mercadoria como um objecto externo a nós, uma coisa que, pelas suas qualidades, satisfaz as necessidades humanas de qualquer espécie[14]. Ao falar de mercadorias, o autor está particularmente preocupado com as propriedades físicas do objecto, que associa logo ao conceito de valor de uso. Mas, acrescenta a seguir que quem cria bens com o seu próprio trabalho para satisfazer as suas necesidades, cria um valor de uso, mas não necessariamente uma mercadoria. Para que o bem criado seja mercadoria, é necessário que tenha valor de troca, de câmbio ou de intercâmbio, é dizer, um valor de uso que seja social, que seja útil também para outros ou valor de uso social. As mercadorias têm, pois um duplo significado: bem natural e bem de valor[15] Ora bem, poder-se-ia perguntar o leitor, porquê tanta preocupação em definir mercadoria e o seu uso? É simples: a definição do ser humano nas sociedades de capital passa pela sua habilidade de criar bens e de interagir com eles no mercado. Não se é pessoa se não se produz e se a produção do bem não é socialmente útil.

Pessoalmente, vivo no delírio e constante interrogação de ser a minha profissão de Antropólogo de utilidade social e sobre qual é essa utilidade. Explicar um outro aos eus, desenhar o contexto dentro do qual vivem? Para quê, se não consigo fazer desses seres humanos pessoas mais felizes e mais inseridos no seu grupo social, que acontece estarem a viver uma conjuntura histórica pouco airosa para a maior parte, aqueles que vivem de ordenados ou wages, como referia Marx, especialmente nos seus escritos filosóficos de 1844, 1848 e 1861 a 63. Quer Marx, quer eu, quer outros, sabemos não sermos deuses, nem omnipotentes para podermos mudar as formas de vida das pessoas. Tentamos, pelo menos, entender esse contexto para explicar e abrir as cabeças a um real que aparece contrário à maioria. É isto que é valor, a criação de comportamentos ou o uso dos mesmos, para a solidariedade social, sem espera de recompensa. Mas, Marx era muito realista e sabia que havia, desde a Revolução francessa, como refere no Manifesto Comunista, pessoas que se tinham apoderado dos bens dos outros e do poder da classe derrotada na Revolução, a classe estéril como ele denomina. É destes factos – Marx não trabalhava sem argumentos, sem dados – que retira a sua ideia de mais-valia ou, como se diz em inglês e as vezes usamos em português, surplus, conceito diferente de lucro. Como definido no Capital e na Crítica à Economia Política, lucro é o “wage of capital” ou o salário do capital, enquanto que mais-valia é o salário do capital adiantado para o investimento ou financiamento de um empreendimento para produzir[16], para continuar com as operações de produção e oferecer trabalho aos não proprietários: “The capitalist system is so complex and has so many aspects to it that to try to develop an explanation…is near impossible. So, to simplyfie, everyday each worker goês to work and produces 200 widgets. Every day the workers get a daily pay packet containihg enough money to purchase one widget. The workers much spend their pay because they have no excess to save, so they buy their widget and their family consumes this single widget, living day-to-day in simple poverty. Every day there is a surplus of widgest left over, 100 to be exact, that accrusse to the boss as his “profit”, his surplus – value”[17].

 O exemplo é do tempo de Dickens, mas simplifica a explicação que em Marx é complexa. Muito embora defina Valor de várias formas, a primeira, retirada do “Prefácio” ao seu texto de 1859, A Contribuição à Crítica da Economia Política, diz: “….na Economia Política os salários aparecem como a parte proporcional do produto resultado do trabalho. Os salários e lucros do capital aparecem como uma amigável, mutuamente favorável, a mais razoável e humana aparência da relação social resultante de fazer um bem em conjunto….mais tarde aparece como uma relação hostil, por causa da proporção inversa da participação nas vendas do produto para cada parte…o valor é determinado ao começo pelo custo de produção e a utilidade social do produto…para passar a ser o valor o resultado das pressões do mercado às quais o capitalista obedece e o trabalhador deve aceitar.”[18] O Valor tem a ver com a alienação das mercadorias ou a retirada das mesmas das mãos do operário e com o não pagamento proporcional das horas investidas na produção de tanto bem social que o mercado procura e que o investidor sabe calcular. Esta é a luta de Marx e Engels, Kautsky e Babeuf, Bachounin e Lenin, um valor que seja resultado do tempo retirado ao trabalhador e não remunerado, para fabricar mais bens do que os necessários para ele, mas procurados pelo investidor para acumular moeda – Acumulação Capitalista -, outra definição de valor que Marx analisa no Capital, parte II do Volume I, Capítulo 17.

É o que leva Isaak Rubin a dizer:’’The magnitude of socially necessary labor-time is determined by the level of development of productive forces, which is understood in a broad sense as the totality of material and human factors of production. Socially-necessary labour-time changes in relation not only to changes in the “conditions of production,” i.e., of material-technical and organizational factors, but also in relation to changes in the labour force, in the “ability and intensity of labour.”[19]

Esta análise de Rubin parece o melhor esclarecimento do elo da análise de Marx e dos seus discípulos. A sua preocupação estava centrada na explicação das formas de trabalho do Século XVIII em frente, ao operariado e à burguesia. Estas, tinham mudado de tal maneira, que já não existiam pessoas para trabalhar a terra, o campesinato tinha acabado, o desenvolvimento da indústria tinha retirado pessoas da produção rural. De facto, a burguesia alugava mão-de-obra para trabalhar primeiro nos seus teares, e depois nas máquinas, de tal forma que não havia outro trabalho que não fosse o das fábricas, o que acabava por reduzir as pessoas a formas de vida pobre, como explica no seu texto de 1965[20] (que teria lido na primeira reunião internacional socialista, mas um desgosto e desacordo com o Anarquista Russo Bakounin, levou à sua ausência e ao envio do texto, lido então pela sua filha Eleanor Marx Aveling).

O centro da teoria do valor para Marx, está não apenas no salário mal pago aos trabalhadores, bem como no lucro crescente da concentração do capital em mãos de poucas pessoas. É por isso que no seu Livro I do Volume I do Capital, diz: “o valor é de uso e de troca ou intercâmbio O valor de troca aparece, num primeiro momento, como uma relação quantitativa justa ao se intercâmbiar um bem outro semelhante na sua confecção, mas é também [como a História demonstra} uma relação social que muda permanentemente, conforme o sítio e o lugar em que a troca ou intercâmbio acontece. Porém, o valor de intercâmbio é um simples acidente e altamente relativo na sua igualdade de manufactura, por ser ele próprio uma mercadoria”[21]Para acrescentar que o valor do trabalho e o valor de um bem, são semelhantes porque estão subsumidos a um conceito semelhante: o salário, que para o trabalhador é o dinheiro pago pela obra e para o proprietário, é o lucro[22].

A Mais-Valia é um processo complexo. As definições de Marx, no seu texto para o Congresso que preparava a Primeira Internacional, mostram claramente a relação mais importante dentro da nossa sociedade, a relação salários, trabalho e valor: “Reduced to their simplest theoretical expression, all our friend’s arguments resolve themselves into this one dogma: “The prices of commodities are determined or regulated by wages.” Para logo dizer: “In point of fact, he has never formulated it. He said, on the contrary, that profit and rent also form constituent parts of the prices of commodities, because it is out of the prices of commodities that not only the working man’s wages, but also the capitalist’s profits and the landlord’s rents must be paid. But how in his idea are prices formed? First by wages. Then an additional percentage is joined to the price on behalf of the capitalist, and another additional percentage on behalf of the landlord. Suppose the wages of the labour employed in the production of a commodity to be ten. If the rate of profit was 100 per cent, to the wages advanced the capitalist would add ten, and if the rate of rent was also 100 per cent upon the wages, there would be added ten more, and the aggregate price of the commodity would amount to thirty. But such a determination of prices would be simply their determination by wages. If wages in the above case rose to twenty, the price of the commodity would rise to sixty, and so forth. Consequently all the superannuated writers on political economy, who propounded the dogma that wages regulate prices, have tried to prove it by treating profit and rent as mere additional percentages upon wages.”[23]

Tenta dizer que não é apenas o trabalho, ou a procura e a oferta, ou a mais-valia, ou ainda o lucro, que fazem os salários subir ou descer, é preciso lembrar a renda do proprietário rural, bem como o lucro do industrial, e o salário é apenas a primeira parte do capital que fixa os preços, para concluir que: “In buying the labouring power of the workman, and paying its value, the capitalist, like every other purchaser, has acquired the right to consume or use the commodity bought. You consume or use the labouring power of a man by making him work, as you consume or use a machine by making it run. By buying the daily or weekly value of the labouring power of the workman, the capitalist has, therefore, acquired the right to use or make that labouring power during the whole day or week. The working day or the working week has, of course, certain limits…[24]

É a forma encontrada para expressar as suas descobertas, de que um ser humano é mercadoria e que, ao comprar-se o seu tempo de trabalho, está a comprar-se a liberdade da pessoa. De facto, todo ser humano vive dependente da sua economia, de manter o seu posto de trabalho, de poupar se for possível, ou de cooperar de forma recíproca, como debate no Capítulo 13, da Parte IV do primeiro volume do Capital, já referido, e que diz: “Reciprocity is the grasping of the thing at the point where cause and effect, action and reaction, possibility and necessity have completely merged with one another.Reciprocity is sometimes called “interaction”, the conception of a complex system as a network of interacting causes and effects, but yet lacking a “notion” or concept of the underlying unifying system to “make sense” of these interactions”[25]. É o que tenho visto pessoas fazerem quando carecem de bens para se reproduzirem e que Marcel Mauss soube evidenciar, dentro das suas ideias socialistas, para escrever o seu texto de Sociologia Económica denominado L’Essai sur le don. Mauss continua a fórmula que Marx definira no seu “Prefácio”.

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[1] Marx, Karl, 1867: Capital, Website http://csf.edu/psn/marx/Arcive/1867-C1/Part0/p1.htm bem como no texto prévio de 1859: A Contribution to the Critique to the Criqiue f Political Economy em http://www.marxists.org/archive/marx/works/1859/critique-pol-economy/index.htm , e na correspodência com Engels: http://www.marxists.org/archive/marx/works/1858/letters/58_04_02.htm. A melhor análise é Rubin, Isaak Illich, 1972: Essays on Marx’s Theory of Value, em http://www.marvist.org/subject/economy/rubin/

[2] Marx, Karl, 1844: Economic and philosophical manuscripts, analizados por Mészáros, István, 1970:Marx’s Theory of Alienation em http://www.marxists.org/archive/meszaros/works/alien/

[3] Marx, Karl, (1861-1863) (1905) 2002:Theories of Surplus-Value, no Website

http://www.marxists.org/archive/marx/works/1863/theories-surplus-value/index.htm

[4] Marx, Karl, 1859: A Contribution to the Critique of Political Economy, Website

http://www.marxists.org/archive/marx/works/1859/critique-pol-economy/index.htm

[5] Marx, Karl, 1844: Economic and Philosophical Manuscripts of 1844, publicado em 1932, Website

http://www.marxists.org/archive/marx/works/1844/manuscripts/preface.htm

[6] Marx, Karl, 1844, obra citada, página 1 do Manuscrito Web.

[7] Marx, Karl, Engels, Friedrich, 1848, Communist Manifesto, Website

 http://www.hartford-hwp.com/archives/26/176.htm1

[8] Marx, Karl, obra e website citados na nota 272, especificamente parágrafo Private Property and Communism.

[9] Marx, Karl, 1859, obre e site referidos, Capítulo 2, Nº1: “Measure of value”

[10] Marx, Karl, obra e site referidos, na nota 271.

[11] Marx, Karl, 1848, texto citado. Insisto na ideia, porque é precisso lembrar a relação capital, a força trabalho é a mercadoria que é vendida. Donde, o ser humano que trabalha, é ele prórpio um ser alienado de humanidade.

[12] Iturra, Raúl, 2002: A economia deriva da religião. Ensaio de Antropologia do Económico, Afrontamento, Porto. Lamento que não esteja on-line, mas a lei do Direito de Autor, também pentecente à Editora, que não o permite.

[13] Marx, Karl, 1867, Capital, Vol I, Parte I, Capítulo I, Website

 http://csf.colorado.edu/psn/marx/Archive/1867-C1/Part0/p1.htm

[14] A minha tradução. No texto original diz: “an external object, a thing which through its qualities satisfies human needs of whatever kind”. Página 125 da edição Web que uso.

[15] A verssão do capital que uso, retirada da Web, diz: “In order to produce the latter [commodities] he must not only produce use-values, but use-values for others, social use-values”, página 138 da versão que uso do Capital.

[16] Marx, Karl, 1844, Economic and Philosophical Manuscripts, já referido, Capitulo 2 da obra on-line. Website nota 49.

[17] Retirado de Steve Salomon, http://www.soilandhelth.org/05steve’sfolder/0501steveswritings/050107surplus value 

[18] Marx, Karl: 1859, obra citada, Prefácio. A minha tradução e síntese. Website nota 49. Site do texto: www.marxists.org/portugues/ marx/1859/contcriteconpoli/prefacio.htm

[19] Rubin, Isaak, 1970, obra citada, páginas 20 em frente. Website com texto: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&q=Isaak+Rubin+A+teoria+marxista+do+valor&btnG=Pesquisar&meta=lr%3Dlang_pt

[20] Marx, Karl, 1965: Value, Price and Profit em http://csf.colorado.edu/psn/marx/Archive/1864-IWMA/1865-VPP/

[21] Marx, Capital, já citado, página 2 da versão que uso. A tradução é minha. Website nota 49.

[22] Marx, Capital, Vol I, Capítulo XIX do website referido na citação 271

[23] Marx, Karl, 1963: Value, price and profit, referido na nota 287, página 11 da versão que uso da Web

[24] Marx, obra referida notas 287 e 290, página 19 da Web.

[25] Marx, Karl, retirado de Hegel, C. XII do Capital: http://csf.colorado.edu/psn/Marx/Archive/1867-C1/Índex-1.htm