Educação: Portugal não sabe pensar

Seja por desleixo, incompetência ou desonestidade, em Portugal não se perde tempo a pensar. No campo da Educação, apesar de muitos avisos e conselhos, os alegados responsáveis políticos pela coisa educativa dedicam-se, há anos, a decretar ao sabor de muita coisa e ao arrepio da Educação. Pensar? Nem pensar. Planear? Obriga a pensar.

Actualmente, os neoliberais estatais – uma contradição nos termos, eu sei – vivem deslumbrados com a liberdade de escolha na Educação, sempre com o simplismo que caracteriza os simples. Dizem eles que isto será como no mundo empresarial: a concorrência resulta sempre em benefício do consumidor. Ou seja, as escolas concorrem umas com as outras e os alunos sairão beneficiados. E por aqui se ficam, sem pensar, por uma questão de coerência.

Para pensar um pouco sobre a questão da liberdade de escolha, é importante ler esta notícia do Correio da Manhã, sobre um dos encontros subordinados ao tema ‘Reformas Educativas de Sucesso’. Leiam com atenção as opiniões de Mats Björnsson , “ex-membro da Agência Nacional de Educação sueca que trabalhava no Ministério da Educação quando o país alterou o paradigma de um sistema de ensino de monopólio estatal para um sistema de ensino com liberdade de escolha da escola.”

Outro dos participantes no encontro foi o Paulo Guinote, que escreveu três textos sobre o evento: este, este e este.

Se, depois de lerem isto tudo, ficarem a pensar que a liberdade de escolha, a gestão e o tamanho das escolas não devem ser matéria para, no mínimo, pensar, peço desculpa por ter tomado o vosso tempo.

Comments

  1. MAGRIÇO says:

    Não sei porquê, mas gosto muito deste país! Por isso, não posso deixar de sentir algum desgosto e frustração quando alguns representantes das elites governativas evidenciam um total despudor (ou será mesmo estupidez?) ao justificarem medidas gravosas, como o aumento de impostos, com o que é praticado nos outros países, “esquecendo” muito convenientemente os salários aí praticados. O mesmo se passa com outras comparações em que se imita normalmente o que de pior existe lá fora e nunca sabem o que lá há de bom. Como alguns bons exemplos vindos da Suécia.

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Pensar faz dor de cabeça