“Vale a pena comprar acções do BCP”, dizem eles

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Fonte: www.BolsaPT.com

O ‘Field Marketing’ é uma disciplina, de inspiração anglo-saxónica, composta de várias áreas e técnicas para estudo, informação e promoção de produtos e serviços, com a finalidade de optimizar vendas e a satisfação de consumidores.

Uma das modalidades utilizadas designa-se ‘cliente-mistério’. Consiste em alguém, fazendo-se passar por cliente, realizar uma auditoria ao comportamento de um profissional de determinado estabelecimento, independentemente do ramo de actividade – restauração, vestuário, produtos tecnológicos, bancos, seguros e outros.

O ‘Diário Económico’ realizou uma operação de cliente-mistério para saber “o que os bancos recomendam aos clientes”. À pergunta se valeria ou não a pena investir na bolsa, um funcionário do BCP foi assertivo: “Vale a pena comprar acções do BCP.”

Quero crer que aquele colaborador do BCP, como outros pelo país inteiro, respondeu em consonância com os interesses da instituição que o emprega e, com grande probabilidade, em cumprimento de instruções.

O facto do BCP promover nos respectivos balcões o investimento nas suas acções até pode ser legítimo. No entanto, a recomendação aplicada por aquele banco, assim como por outros, torna-se naturalmente lesiva para crédulos detentores de poupanças. Não estamos a pensar em grandes investidores.

Para se ter noção de eventuais prejuízos gerados a quem tenha comprado acções entre o início de Janeiro e 11 de Novembro de 2011, focamos um exemplo extremo: quem tenha pago, em Janeiro, 0,63 cêntimos / acção  agora apenas detém o valor de 0,10 cêntimos / acção. Ou seja, uma perda de 84,13%.

Coitados de alguns que viram destruídas as suas poupanças, por cega confiança em gerentes e outros profissionais da banca. Coitados também daqueles que, para valer a esta e outras nódoas marcantes da generalidade dos nossos bancos, são forçados pela ‘troika’ e pelo OGE de 2012 a ficar desprovidos de rendimentos que nenhum governo ou autoridade deveria ter a coragem de lhes subtrair. Parte do empréstimo, dito “ajuda externa”, é para valer à banca. O presidente do BCP, ao contrário de outros banqueiros, já afirmou que a entrada do Estado no BCP não o incomodaria nada. Pudera!

(ADENDA: Carlos Santos Ferreira ainda há pouco tempo afirmava: “Não era vergonha nenhuma recorrer à linha dos 12 mil milhões de euros”. Agora, parece pensar e agir de forma inversa. Contradicções próprias do tipo de gente que nos governa e tem governado, que desempenha cargos de gestão de topo em bancos e outras empresas)

Comments


  1. Pelo menos agora já não emprestam aos clientes para estes comprarem acções do próprio banco. – Prática essa que apanhou muitos incautos. Os bancos não são, definitivamente, pessoas de bem.

  2. Carlos Fonseca says:

    Sim, esse o caso de quatro pessoas as minhas relações. Uma delas, senhora idosa a viver só, por influência do gestor de conta do BCP transformou há 4/5 anos um depósito a prazo de 80.000 euros em acções do citado banco ao, preço de 4.00 euros / cada. Há tempos vendeu-as por 0,42 cêntimos / acção. Transformaram-lhe os 80.000 euros em 8.400,00.