O amor não tem idades, nem limites

Nesta novela de quem ganha mais, público ou privado, e perante o remorso do Tomás Belchior por me ter empurrado para os braços de Manuela Ferreira Leite, confesso que não reparei e sinceramente a senhora não faz o meu género por razões que me abstenho de divagar mas em nada se prendem com a idade. Digamos que foi apenas um beijinho.

Mas como troquei com o Tomás umas ideias sobre um célebre estudo da Capgemini, do qual só se conheceria uma nota do Correio da Manhã, lamento pela minha parte se o vejo muito enleado com o ex-ministro Teixeira dos Santos. É que nos idos de 2006 houve uma troca de palavras entre o ele e o então deputado Eugénio Rosa, que o Diário de Notícias narrou assim:

Estudo sem “garantias de grande solidez”

Confrontado no Parlamento no início desta semana com a existência deste estudo e a sua não divulgação, o ministro das Finanças colocou “críticas metodológicas”, alegando que este não considera todas as componentes remuneratórias. Respondendo a uma interpelação do deputado comunista, Eugénio Rosa, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2007, Teixeira dos Santos afirmou então que o estudo “não dá garantias de grande solidez ou de grande rigor”.

O jornalista ainda pediu ao Ministério das Finanças “que indicasse as principais falhas metodológicas que minam a credibilidade deste estudo e que impedem a sua divulgação, questionando igualmente se a metodologia não era do conhecimento do Governo no momento da entrega deste trabalho à consultora”, e levou  como resposta um clássico: “o estudo está a ser objecto de análise no gabinete do secretário de Estado da Administração Pública, no âmbito dos trabalhos que estão a ser realizados para revisão do sistema de vinculação, carreiras e remunerações”.

Ora o estudo da Capgemini, segundo o mesmo jornal, demonstrava que “os funcionários públicos auferem, em média, salários mais baixos do que receberiam se estivessem a trabalhar em empresas do sector privado (…) variações salariais a favor dos trabalhadores do sector privado na casa dos 50%, 70% e mesmo superiores a 100%.” Considerando a perda salarial efectiva desde esses tempos (congelamentos apenas em pequena parte mitigados pelo aumentozito pré-eleitoral da praxe), é muita fruta para os dias de hoje.

Eu continuo à espera que as 300 páginas apareçam, sentado, é claro, mas entretanto vou observando como o Tomás Belchior dança no compasso de Teixeira dos Santos, ou como os gregos, em unidade nacional. Espero que não seja saudade e já agora também não se trate de paixão.

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