Um país doente e ignorante

Depois de, durante mais de trinta anos, os recursos do país terem sido ora mal geridos ora subaproveitados, o governo assumiu-se como mera comissão liquidatária do Estado, chegando ao ponto de usar o argumento de que devolver hospitais às misericórdias constitui um acto de justiça para com as instituições que foram prejudicadas pelas nacionalizações resultantes do 25 de Abril. É claro que Passos Coelho só quer acabar com o Estado e entregar aos privados negócios chorudos, como é o caso da Saúde, contribuindo para criar um país em que só os ricos poderão ter direito a bens que qualquer homem civilizado considera essenciais. É claro que Passos Coelho está a contribuir para que regressemos ao dia 24 de Abril.

No entanto, para manter aqui alguma abertura, proponho o seguinte: se se chegar à conclusão de que faz algum sentido devolver algo aos privados que tenham sido prejudicados pelas nacionalizações, que tal recuar mais um bocadinho e indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?

No Público de ontem, é possível ler um trabalho magnífico da Graça Barbosa Ribeiro (disponível em papel) em que ficamos a conhecer quatro casos de professores entre os 30 e os 41 anos, vivendo entre o desemprego e a incerteza, quatro casos de recursos desperdiçados, quatro vidas obrigadas a passar por dificuldades graças à incompetência de quem governa. Rita Vilas trabalha a 300 km do filho de seis anos, Cláudio Vieira está em casa, desempregado, com a mulher e um filho recém-nascido, Sandra Teixeira diz que está a adiar a grande desilusão da sua vida e Ana Teresa Morão declara que se sente traída pelo Estado.

Os defensores de que é necessário vender anéis e dedos limitar-se-ão a comentar situações como estas usando argumentos previsíveis: que há muita gente na mesma situação ou pior ou que há necessidade de menos professores ou que é preciso fazer cortes “porque vivemos acima das nossas possibilidades”.

É evidente que ninguém defenderá que o Ministério da Educação deva garantir empregos a quem quer que queira ser professor. O problema é que os contabilistóides que ocupam o governo não sabem nem querem saber que continuamos a ser um país subdesenvolvido no que diz respeito à Educação, que continuamos a tomar decisões prejudiciais para os alunos, nomeadamente no que se refere à criação acéfala de agrupamentos e mega-agrupamentos, ao número de alunos por turma, ao elevado número de alunos que necessita de apoio, à manutenção de erros curriculares, entre muitas outras razões.

Por isso, estes quatro professores simbolizam o desperdício de recursos humanos necessários ao desenvolvimento do país, são a imagem nítida de uma nação que está a ser imolada no altar dos mercados, esses deuses nervosos e imprevisíveis que ninguém sabe ou quer controlar. Daqui por trinta anos, quem nos irá devolver a saúde ou a educação de que estamos a ser privados?

Comments

  1. Guillaume Tell says:

    “indemnizar as famílias de todos aqueles que o salazarismo privou de educação, de saúde, de dignidade, de pão, entre outras privações?”
    E o SNS foi capaz de responder eficazemente às pessoas que precisaram de Saúde? Mais de 1 milhão de pessoas que não tem médico de família, quase 200’000 pessoas em listas de esperas nos hospitais, falta tremenda de médicos no interior. Tudo isso ao magnífico custo de 16 mil milhões de euros (10% do PIB) quando se estima que se podia fazer igual ou melhor com 25% a menos (Tribunal de Contas via Eugénio Rosa).
    E a Educação democrática, soube dar as condições aos jovens para singrarem na vida? 25% dos jovens no desemprego, aumento da emigração, cursos que não levam a lado nenhum. Para um custo de quase 10 mil milhões de euros (7% do PIB).

    Eu não precebo as pessoas em Portugal. Passam o tempo a se queixarem do Estado, dos políticos, e quando há uma oportunidade para mudar a gestão, a dar mais oportunidades ao privado a ver se faz melhor, é logo NÃO. Lá que desconfiais que o modelo seguinte não será realemente eficaz, eficiente, transparente, que dará liberdade de escolha e que o Estado fará efectivamente um bom trabalho de regularizador é uma coisa, álias é uma pregunta essencial e legitíma que se tem de fazer. Mas por amor de Deus parai de serem tão conservadores e tacanhos! O país é mal gerido! Gasta mais que ganha e o que gasta não traz “lucro” nenhum a ninguém ou quase!

    • DRAPETOMANIACO says:

      Vejá só, os argumentos são os mesmos aí na europa! Até aquela balela de eficiência e enxugar os gastos do estado.

      Não querem construir uma base americana na ilha da madeira ? =D acabem com esses cursos de ciências humanas hem…não da dinheiro. kkkkk

    • DRAPETOMANIACO says:

      olha só! são os mesmos argumentos dos newliveralistas que andavam por essas bandas. “Privaizem tudo que o modelo privado é mais eficiênte!”
      Aposto meu salário de psicólogo brasileiro de 1500 euros que Daqui a algum tempo vão querer construir uma base na ilha da madeira! KKKKKK

    • António Fernando Nabais says:

      Caro Guillaume

      Tenha cuidado, não vá a ortografia pedir-lhe uma indemnização.
      A gestão não é má por ser privada ou por ser pública, é má porque é má. Por isso, não discordo de si, quando afirma que os cidadãos teriam direito a ser indemnizados pelas deficiências da educação e da saúde. Faça-se uma auditoria à dívida pública e à gestão do país, para se descobrir de quem foi a culpa.
      A solução não está em nacionalizar tudo ou privatizar tudo, está em encontrar um equilíbrio. De qualquer modo, limitarmo-nos a entregar a gestão aos privados leva a que tudo fique submetido apenas ao lucro.

      • DRAPETOMANIACO says:

        Caro António Fernando Nabais,

        O senhor acredita que a política do governo portugues esta inserida em uma tentativa de dar equilibrar a gestão e oferecer educação e saúde eficiênte ? Creio que esta mais para o mesmo contexto de um projeto europeu de implantação do modelo de estado minimo nos países periféricos, derivado do projeto de globalização em curso no qual pretende-se impor aos estados nacionais a subserviência aos interesses corporativos. Primeiro a ultra precarização de gestão e assistencia pública, depois o leilão.
        Esse projeto político aconteceu de formas diferentes em diversos países da america latina, por exemplo a Argentina e colombia. Nesse útimo já chegam ao ponto de privatizar toda as universidades em nome da eficiência e diminuição de gastos.

        • António Fernando Nabais says:

          Caro comentador

          Como é evidente, o governo português está a tentar implantar em Portugal tudo aquilo que refere. Por isso, embora acredite que possa existir um equilíbrio entre público e privado, não creio que seja esse o objectivo do governo. Vou, ainda mais longe: acredito que, em áreas como a Saúde e a Educação, deve existir uma presença muito forte do Estado, exactamente porque, sem isso, ficaremos como os Estadis Unidos, em que só tem direitos quem tiver dinheiro. Por outro lado, isso não é o mesmo que dizer que a gestão pública dessas áreas em Portugal tenha funcionado bem, o que não pode ser argumento para privatizar.

      • Guillaume Tell says:

        Car António Fernando Nabais,
        A ortográfia é o quê quando se escreve à pressa. Para mais quando uma pessoa viveu toda a sua vida no estrangeiro, mas adiante isso também não é desculpa válida para mim.

        Você tem toda a razão quando pede uma auditoria à dívida pública e à gestão do país. Mas você acha que depois da tal auditória tudo vai ficar na mesma, ou que isso vai trazer alguma coisa de concreto a não ser a detenção dos responsáveis? O “modelo social” actual, fortemente estatizado está de toda a maneira fálido. Quer façamos uma renegociação da dívida, quer reequilibramos as nossas contas públicas o resultado será o mesmo: o modelo social será profundamente reformado, deverá ser mais eficiente (reduzido) e eficaz, e sera muito mais gerido e apoiado directamente pelo sector privado.

        É inevitável! Porque você acha que amanhã depois de uma renegociação da dívida, num mundo onde será impossível obter crédito fácil (porque isso vai deixar de existir) podermos manter os sistemas sociais estatizados que temos hoje ou que até tinhamos antes? O “modelo social” actual funciona a base de créfito e do endividamento do Estado, se deixa de haver crédito fácil acaba tudo.

        Portanto você tem quatro soluções:

        1) Fácil e optimista: renegociação da dívida bem sucedida. Acordos aceitáveis que mantenha as coisas mais ou menos. Mas há uma contracção do crédito e portanto tem de se encontrar compromissos aceitáveis com (para) o sector privado para manter um Estado social forte.

        2) Fácil e realista: renegociação da dívida mal sucedida. Acordos que acabam com o crédito por largos anos, fim do Estado social sem nenhuma hipótese de o reconstruir com o privado, porque este (banca) não emprestará dinheiro, e não se poderá tocar mais no sector privado “real” porque o Estado fálido deverá canalizar todos os impostos para compensar os credores.

        3) Difícil e pessimista: planos de austeridade mal sucedidos. Redução da despesa insuficiente, baixa da confiança dos mercados que leva a um aumento dos impostos que estrangula mais ainda a economia privada, e por isso o país. O Estado social caí aos poucos porque o Estado só pode preocupar-se com os juros e já não há hipotese de se apoiar sobre o privado por este já está estrangulado.

        4) Díficil e optimista: planos de austeridade bem sucedidos. Redução de despesa eficaz. Reformulação das tarefas do Estado que liberta a economia privada e que lhe permite de participar na construção do Estado solidário eficaz. Mais liberdade económica, mais eficiência social, melhores condições de vida para TODOS

        (Há na verdade um cenário 5) Difícil e mediócre: planos de austeridade bem sucedidos mas nenhuma reformulação das tarefas do Estado, que se limita a garantir o minímo de condições sociais a uma pequenissima minoria da população, sem que seja possível pedir à ajuda do privado, ou contar com o seu dinamismo, porque continuam a pesar diversas formas de estrangulamento estatal)

        Portanto escolha, que eu já escolhi o meu cenário e espero que o meu voto do 5 de Junho sirva para isso!

        • Guillaume Tell says:

          Perdão: havia também o 6) fácil e mediócre, mas pronto deve advinhar a que conclusão se chega.

        • António Fernando Nabais says:

          Ninguém acredita que haja caminhos fáceis, a não ser o governo ou qualquer um que tenha uma fé cega nos privados ou no Estado.
          O caminho escolhido pelo governo é fácil: sobrecarregar a classe média e, sobretudo, os funcionários públicos e baixar a cerviz face aos municípios ou às imposições franco-alemães.
          Há muita coisa a corrigir, procurando, evidentemente, que o Estado deixe de ser usado como quinta dos partidos e respectiva clientela (foi graças a essa corrupção legalizada que se gastou muito dos dinheiros públicos). Não defendo, por outro lado, que os privados devam ser asfixiados.
          As políticas levadas a cabo por este governo servem, apenas, para baixar salários, facilitar despedimentos, ao mesmo tempo que destrói a Escola e a Saúde públicas entre outros disparates.
          Quanto ao seu voto, como deve calcular, penso que deve limpar as mãos à parede.

          • Guillaume Tell says:

            É verdade que a estratégia inicial do Governo é questionável (para não dizer pessima), mas verdade seja dita que estamos ainda no início e que havia imperativos (está bem, a resposta não foi a melhor e podia bem ser outra). Ainda é cedo para julgar o Governo. Agora em Junho sim, poderemos tecer as primeiras verdadeiras considerações, quando o OE da última sorte estiver a meio, e que forma começar então a tomar o Estado. Oxála tudo se passe bem, a bem dos portugueses e de Portugal (e direi mesmo a bem da direita portuguesa!)

            Você tem toda a razão quando diz que os partidos políticos usaram a seu proveito o endividamento estatal, uma das razões por a qual só a favor de menos Estado para evitar isso (acha mesmo que em Estados obesos, sem órgãos de controlo eficázes evitamos isso? E mesmo com bons orgãos de controlo…).

            Quanto às minhas mãos ainda é cedo para as cheirar, e não tenho a intenção das lavar mesmo que empestam ainda mais no futuro. Assumirei os mesmos erros, ou os mesmos sucessos, na mesma.

  2. DRAPETOMANIACO says:

    NÃO SABE COMO FICO FELIZ DE LER ESSA NOTÍCIA. Lembro da virulência dos jornais portugueses quando dissemos não para a ALCA e do ” “Por que não te calas?” e das piadinhas de “Brasil, recolha-se a sua insignificância” dos jornais portugueses durante a rodada de doha.
    Eu que catei lixo e comi sopa de osso com com abobora no governo Sarney, vi meus amigos de infância morrerem da guerra das drogas e meninas de familias de bem irem escravas para europa virar puta no governo FHC, cursei universidade no governo Lula.

    Tem dias que da gosto ser um troll.

  3. Luisa Diogo says:

    Concordo com a maioria dos comentários aqui feitos e em especial com o artigo. Só quero acrescentar que algo foi esquecido. Que tal indemenizarem tb os espoliados e deslocados que trabalharam toda uma vida e viram tudo desaparecer de uma hora para a outra? Não estou a referir-me aos que exploraram, mas àqueles que viveram sempre e só do seu trabalho honesto mas que a poder de mt sacrifício conseguiram alguma coisinha de seu (casa própria, por exemplo) e a quem tem sido negado ao longo de quase 40 anos o direito a uma retribuição pela grande mentira que lhes foi imposta no tempo da “outra senhora” e que paulatinamente os “libertadores” simplesmente usurparam.

  4. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Se l’État c’est MOI já provou, embora há uns tempinhos, uma das guerras mais sanguinárias entre os cidadãos de frança, aqui tão perto e tão cruel na actulidade, em que as meninas universitárias se prostutuem para ter dinheiro para estudar, será que privatizar o que este governo pretende, não conduz a ter a PATENTE até dos genes dos portugueses, como já fez recentemente algumas multinacionais americanas (2010), quando algúem, uma senhora que não sabendo que tinha cancro, lhe foram feitos exames tal que descobriram um GENE específico até aí não descodificado ?? e, ao querer fazer novo exame de confirmação, noutra multinacional da saúde, isto lhe foi proibido ??? – assim sendo nos USA, o que falta privatizar parta que retire ao cidadão, não apenas liberdade de escolha no que quer que seja, mas também a do seu próprio corpo ??? Houve na TV de Portugal uma reportagem com a senhora e familiares – O que restará se de repente tudo é privatizável e sem limites ??? Quer-se privatizar a àgua de Beber e nem sequer se faz inquèrito à população como se faz para tanta coisa sobretudo à acção de quelquer partido ou ao grau de simpatia de ada partido e governante ??? Quer-se privatizar a comunicação também agora ?? Quer-se privatizar a “opinião” para se ser ainda mais mentecapo e não ter mais contradotório para que não se fique mais condicionada no aprender a pensar mesmo o oposto se privatizando tudo FORMATANDO a curto prazo o PENSAR como se houvesse de novo o pensamento único e pessoas robot ?? Faz pensar, embora a comparação não seja imediata, na criação de espaços físicos do país PROTEGIDOS (tanto a RAN-reserva agrícola nacional e REM – Reserva Ecológica Nacional,cada uma com a sua função específica mas que, logo classificadas e determinadas as condicionantes de intervenção no solo, para para logo de seguida serem construías não importa o quê, estradas e equipamentos de lazer (privados como o gol e o mais recente exemplo da Várzea Fresca – ribatejo – para poder-se abater numa noite 400 sobreiros – a árvore nacional até aí mais protegida e que já nem dá a cortiça da qualidade que tinha, pois que sem ORDEM nos territóricos secou e a cortiça esfarela ??(notícia da TV que vi este ano)
    Privatizar sem respeitar o bem nacional que são os montados, nem as magníficas rolhas já existem para o vinho do Porto , e tantos vinhos classificados entre os 10 melhores do mundo, e uma das maiores riquezas nacionais e tal que as rolhas são cada vez mais de “plástico” ??? Vamos privatizar o pensamento nacional ficando de “plástico” plastificado, Há um comentário a propor que se imdemize os agricultores que eram o dono da terra e fizeram a miséria do Alentejo (mas a muitos proprietários as terras lhe-foram devolvidas e a miéria continua e até suicídio) – agora falta privatizar o quê ?? O ar de respirar na RUA ?? os Correios e comunicações – as estradas – o ensino – a saúde – a indústria que sutenta os núcleos mais fortes de geração de riqueza para exportação ??
    Ontem apareceu na Sic um eis ministro resposável pelo abate de sobreiros da Várzea Fresca, não o viram (vi pela 1ª vez na minha já longa vida) de BIGODE à HITLER ??) nem sei o nome do eis ministro do turismo – e depois, as empreas privatizadas terão apenas trabalho ESCRAVO e escravizado ?? vão vender todo o país e a sua riqueza milenar a quem para fazer o quê ?? Competitividade o que é isso ??? vão privatizar a minha casa e quem nela vive ?? Vão privatizar o ensino para formatar e censurar o que se ensina ??? vão privatizar (e censurar) o que penso e faço ??? e os passeios da rua ?? e ser controlada pela “polícia de costumes” ??? vão privatizar o meu esqueleto, como privatizam o esqueleto do tecido económico e produtivo e ser mandado por quem ?? vão privatizar a moeda e distribuí-la pelos acionistas ?? vão privatizar a minha forma de vestir e obrigar-nos ao trajar único estilo MAO-MAO?? Vão privatizar a liberdade pela qual tanto se luta e morre mundo fora, sendo livre “livre” cada um destinar o seu destino – vão-se privatizar quartéis e cadeias ??? mas que escalada de privatizações como se “cá fora” se andasse só no privado ?? vão privatizar a LINGUA que se fala e já está tal que se fala mal e escreve pior com os Acordos Ortográficos vendo eu que se fala e escreve cada vez pior mesmo ao nível ministeriam – ministros a dizer HADEM ?? vão privatizar os pássaros que havia na minha Rua e já nem há desde que área protegida urbana (REN) – mata milenar, foi arrancada para conctruir condomínios frente à minha porta que mesmo 10 anos depois é “clandestino” e a CML vai LEGALIZAR, e já nem há pássaros e natureza viva dentro da cidade – só há cães porque os gatos são apanhados na carroça ?? poderei ou não ir para a rua gritar e ser também “apanhada na carroça” Quem privatiza os que privatizam “agora” ?? ou vão ficar de pedra e cal ? vão privatizar os livros que leio e vão para o INDEX ??
    quem foi o rei que subiu ao trono e disse “meu pai deixou-me rei das estradas de Portugal” ?? mas já nem isso há !!! vão privatizar os telefones e pôr em escuta todos os cidadãos ?? se calhar criar-se-ía muitos empregos (e polícia) – vamos voltar ao “antigamente” ??? Qual é o povo mais oprimido que não quer liberdade – quem rejeita a liberdade – como é que o “privado” rejeita liberdade para si mesmo – será libertinagem o uso errado da liberdade ? ou libertinagem tem apenas conotação sexual ?
    Quem conduz e constrói o mundo ??? o Privado ?? então porque anda o privado sempre atrás do ESTADO (e a querer subsídios – para o privado ?? ou é público ??) para ser privado “à sua maneira” ??? Se calhar acho que devia ser proibido cuspir no chão e escrever mal e ser VAZIO na cabeça, tanto nestes escritos como em certos governantes – devia ser proibido proibir – seria melhor ensinar a pensar e descobir-se a si mesmo até ter capacidade de auto-análise e auto-crítica – ter consciência de si esmo errando porque se há erros sistemáticos há os que se podem alterar – é como aprender a escrever sem erros – excepto os de distração ou de dactilografia

  5. Guillaume Tell says:

    Mas ninguém aqui precebe o que é liberalismo?!
    O liberalismo é fundamentalemente a defesa da liberdade negativa, ou seja a criação de condições para que o indívido não seja limitado por outros. É o famoso princípio de “a minha liberdade acaba onde começa a tua”. Se a minha liberdade acaba onde começa a tua, significa que deve haver condições para que esse princípio seja respeitado (acção do Estado, mas também acções contra o Estado que seria tentado de abusar). A partir do momento em que o indívido é protegido da tirania dos outros esta treta dos-capitalistas-nos-vão-explorar-se-o-Estado-os-deixa-fazer acaba, é impossivel acontecer! Depois há também o caso da liberdade positiva, nomeadamente da importância da Educação e da Saúde que permitem a libertação do indívido, mas se tiver tempo e se me lembrar falarei disso numa outra oportunidade.

    Álias se os-capitalistas-que-nos-vão-explorar-se-o-Estado-os-deixa-fazer acaba só é possível porque o Estado intervem em matérias que não lhe diz respeito! Os-capitalistas-exploradores não passam de minorias protegidas pelas intervenções estatais, porque é impossível num sistema de “mercado livre”, onde todos são submetidos à lei da procura e da oferta explorar os outros. Porquê? Porque num sistema VERDADEIRAMENTE LIVRE quem tenta explorar os outros, quem tenta vender productos a um preço excessivo será penalizado pelas regras do mercado, porque os restantes actores vão parar de trabalhar por ele ou comprar os seus productos visto que não há nenhum razão lógica para continuar a confiar nele! Agora como os Estados andam a criar regulamentos excessivos ou a proteger certas categórias é normal que haja gente que explore outros, porque os outros são impedidos de sair e a pressão do mercado não funcionará porque o explorador é PROTEGIDO PELO ESTADO!

    Eu acho isso incrível este amor pelo Estado em Portugal! Não sei se é por razões culturais, devido ao facto de sermos um povo que mantém um forte “controlo” sobre a vida dos filhos (a não ser quando é para dar a mesada, os telemóveis e outras banalidades, que não deviam ser visto que custam caro!), mas Portugal é o reinado da desreponsabilização e do laxismo, é o reinado do posso-ter-tudo-e-não-dar-nada. Se há um povo que se prova a máxima que os indívidos são maximadores da utilidade e que só pensam nos seus interesses pessoais é o povo português.
    Andais todos a reclamar pelo Estado, queixa-vos dele, não creis pagar impostos, mas quando se quer retirar força ao Estado vindes logo à sua defesa!
    Eu posso ser inculto, antipático, arrogante, doido ou sei lá mais o quê, mas ao menos uma coisa sou, ou sou mais que muita gente que reclama do Estado: coerente. Se digo menos impostos, digo menos despesa pública, se quero Saúde pago-a (admito que o Estado ajuda as pessoas, mas não há razão por existir um sistema de seguros, e penalizações para que abuse do sistema e depois carga os outros), se quero liberdade económica não reclamo subsídios nem protecção porque tenho uma marca…
    Ora as nossas elites e os nossos fazedores de opinião carecem cruelemente em maioria de essa coerência. Esta coerência é aplicada em países como a Suiça, Noruega, Suécia ou Alemanha. Senão como é que queriens que estes países funcionem melhor que nós, e que lá apesar do Estado ser mais pequenos as pessoas serem mais protegidas que em Portugal? Continuai a pensar só nos vossos interesses e a votar para pessoas que também pensam só em eles, mesmo se dizem pensar em vós e é certo que a emigração contnuará a ser o nosso produto mais bem sucedido no estrangeiro. Continuai a acreditar que se pode satisfazer todos os vossos interesses sem dar uma concessão e ireis ver que ainda ides sofrer muito sem ter nada em contrepartida.

    Por isso fazei-me o prazer de CRESCER. E tenham vergonha que este apelo venha de um rapaz de 20 anos!

    • António Fernando Nabais says:

      Pois, já se percebeu: o Estado é sempre mau e os privados são sempre bons. A concorrência e os mercados resolvem tudo. Se não resolvem, já se sabe: é porque o Estado meteu o bedelho e estragou o mirífico equilíbrio que ps mercados em liberdade conseguiriam. Isso é religião, não é razão.
      Pelo meio, baralha-se muito, Guillaume, ao fazer referência a países equilibrados, com uma presença muito forte do Estado em áreas em que isso deve acontecer (caso da Educação), como acontece com a Suécia e com a Noruega.
      Quanto ao resto, dá sempre mau resultado querer adivinhar por que razão as pessoas defendem determinadas ideias. Conhece-me de algum lado para saber se estou a defender os meus interesses ou se estou a pensar naquilo que considero o interesse do país?
      Finalmente, desculpe-me o paternalismo, mas, aos 20 anos, tem muito que ler, ouvir e aprender.

      • Guillaume Tell says:

        O seu comentário, álias os outros e por o pouco que li de sí, demonstra que você não sabe o quê o liberalismo, que é uma “doctrina”, “filosofia” de tal maneira vasta e complexa, com inumeras variantes, preguntas e respostas, que não pode ser reduzida ao “tudo o que é privado é bom e tudo o que é Estado é bom” (só quem é libertário dogmático pode dizer isso, e se ele visse o seu sonho se concretizar pouco tempo aguentava esse mundo de “liberdade total”).

        Mais uma vez, o Estado está aqui para assegurar a protecção da liberdade negativa e a coesão social. Ponto. Isto quer dizer que o Estado tem de proteger os indívidos da coerção dos outros (ou dele próprio). Você sabe muito bem que o conceito de liberdade é extremamente vasto e dificilemente desenhável: num hipótetico mundo onde não houvesse regras o primeiro que impussesse a sua força tiraria a liberdade aos outros, portanto não poderiamos falar de um mundo livre, ou sim num mundo livre só para alguns priveligiados mas eu não chamo isso liberdade. Aí é que está a missão sagrada do Estado; saber deixar os indívidos em paz, e ao mesmo tempo evitar que se matem entre eles. É simples, lógico, bom… liberal.

        Depois podemos dizer “ah mas sem Educação ou Saúde como um indívido pode ser livre, visto que não pode progredir e, ou, que está na dependência dos outros”. Ou mesmo no caso de certas situações, como por exemplo o desemprego em que a pessoa não é livre porque não tem condições (trabalho e salário) para viver na sociedade. Efectivamente, aí já entramos no campo da liberdade positiva, ou seja na garantia que os indívidos têm condições para serem livres. Mas mesmo a garantia da liberdade positiva não necessita obrigatoriamente a presença do Estado: há obviamente a solidariedade familiar, de amizade… mas também é possível o privado garantir essas funções de solidariedade, mesmo que subsidiado pelo Estado. Nesse campo é até necessário que o Estado faça mexer a concorrência; imaginemos que a instituição de caridade A, que recebe dinheiro estatal, começe a apertar excessivamente as ajudas aos desfavorecidos, mas que ao mesmo tempo os seus resultados sejam cada vez mais lucrativos, sem que haja dívida para o justificar. Cabe ao Estado lhe tirar o subsídio. Sabia por exemplo que a maioria das caixas de pensão (ou seja aquelas que garantem as reformas) na Suiça estão nas mãos do privado? E que obviamente essas caixas englobem a maioria dos reformados e dos trabalhadores (e além disso as caixas de pensões privadas têm taxas de cobertura superior às das públicas e semi públicas, APESAR de não terem dinheiro estatal ou quase nenhum). Está a ver a que resultado eu quero chegar? À um mundo mais competitivo, mais concorrencial, onde houvesse mais liberdade e possibilidades de escolha, em que o privado ajude o Estado a manter os projectos sociais, como dos tornar mais fortes! Mais cooperação, mais responsabilização e menos constrangimentos!

        “Conhece-me de algum lado para saber se estou a defender os meus interesses ou se estou a pensar naquilo que considero o interesse do país?”

        É verdade, mas você há pouco ando-se a queixar que o Estado usurpava as pesssoas duas vezes, por mais impostos e por menos despesa. Depois falou-me, ou deu-me a entender que cria mais despesa. Mas também deu-me a entender que não queria mais impostos… Que conclusão quer que eu tire disso? Que você é um maximisador de interesse, portanto que está a pensar nos seus interesses em primeiro!

        Pois é… não é fácil defendermos o interesse global. Como o defender quando vivemos num mundo onde as grandes lógicas de classe desapareceram, e onde os interesses são cada vez mais individualizados, e mais antagónicos?
        Vale melhor se dizer que isso é impossível e criar um sistema onde cada um o possa defender, e que os eventuais prejúizos imediatos de tal ou tal decisão (porque é impossível não prejudicar alguém, mesmo que seja só em situações particulares) possam ser compensados adequadamente e claro que sejam minímos (já leu o Príncipe de Maquiavel? Aconselho-o é um excelente livro). Olhe que se fez inumeras barbaridades em nome do interesse comum ou nacional.

        Oh e sabe, quem pode realemente afirmar que pensamos nos outros? Somos todos guiados pelos nossos interesses, as nossas percepções. O que parece bom para nós será horrível para outros. E quem nos assegura que temos a legitimidade de obrigar os outros ao que queremos? Afinal de conta só pensamos em nós (interessante questão filosófica não?)

        “Finalmente, desculpe-me o paternalismo, mas, aos 20 anos, tem muito que ler, ouvir e aprender.”

        De facto, mas eu acresentarei durante toda à vida há muito por aprender, ler, ouvir. O saber nunca é pouco e nunca é suficiente. Mas deixe-me fazer-lhe um pregunta: não acha curioso eu no espaço de 4 anos (sabendo o que se passou nos últimos quatro anos), ter passado de um social democrata intervencionista e conservador, a um liberal minarchista? E porque será que vemos com a idade mais gente passar da esquerda para a direita com a idade que o contrário? Interesse pessoal? Oportunismo? Haha, apanhei-o então, como pode então defender o interesse nacional se sabe que toda a gente pensa só em sí próprio? Vai prejdicar uns a favor de outros? Mas ai está discriminar partes enormes dos nossos compatriotas, não é pensar global isso!

        Agora com paternalismo, o que acha do garoto? É exuberante é verdade, é por vezes emotivo, é um bocado arrogante também, mas é estúpido? É inconsciente? É fechado de espírito? Tem sentido crítico?

        (Gosto muito dos dois últimos textos que deixei aqui, acha que os devia publicar? Precisam de alguns ajustos mas o essencial é bom)

        • António Fernando Nabais says:

          Em nenhum momento quis discutir o liberalismo. Quis apenas comentar aquilo que me parece ser uma religião que você professa, uma espécie de ultraliberalismo, tal é a fé que revela em que o mercado se auto-regulará, desde que o Estado, esse malandro, se mantenha no seu canto, apenas evitando que os homens “se matem entre eles”.
          Por outro lado, parece-me que você treslê (esta palavra quer dizer que percebe mal o que lê). Nunca me opus a pagar mais impostos ou propus que a despesa fosse aumentada. Nunca defendi que o Estado seja opressor ou omnipresente, como não aceito que o Estado se ausente dos seus deveres de fiscalização, o que não é o mesmo que defender um Estado burocrático.
          No que respeita à Educação e à Saúde, defendo uma presença forte do Estado, com competência e com rigor, com autonomia, mas forte, porque não aceito que nestas duas áreas se corra o risco de que o lucro se sobreponha à solidariedade que deve ser a base de uma sociedade (já agora, não aceito que a sociedade se deva basear na competitividade ou na concorrência, factores fundamentais num mundo empresarial e absolutamente dispensáveis, por exemplo, no mundo da Educação, porque o dever de uma sociedade democrática é garantir o acesso generalizado dos jovens a uma educação de qualidade). O Estado deve assumir a defesa dos fracos ou dos enfraquecidos.
          Nunca me queixei do Estado, até porque o Estado é uma abstracção. Queixei-me do facto de que os políticos que têm alternado no poder praticamente desde o 25 de Abril transformaram a Democracia num festim para eles, para os amigos e para os amigos dos amigos, desperdiçando recursos materiais e humanos de modo vergonhoso. Quero gente séria a tomar conta do Estado e, mesmo sendo de esquerda, não teria problemas em ver gente do outro quadrante a governar, desde que fosse com seriedade. Não é o caso de Passos Coelho, que prometeu o contrário do que está a fazer, e não é o caso de Vítor Gaspar, que sobrecarrega os funcionários públicos, enquanto permite que, ao contrário do que estava previsto na Bíblia (Memorando de Entendimento), as câmaras possam manter a capacidade de endividamento.
          Em nenhum momento, defendi que queria aumentar a despesa. No texto que você (não) comentou, afirmo que o país está a cortar onde não pode cortar e que é mentira que sejam precisos menos professores, a não ser que não se queira, efectivamente, uma Educação de qualidade.
          Em nenhum momento lhe disse que está a defender as ideias que defende porque tem interesse pessoal nisso. Penso, apenas, que está errado.
          Repito: defendo aquilo em que acredito porque me parece melhor para o meu país. Podia contar-lhe alguns pormenores da minha vida pessoal e profissional, mas não tenho de me gabar de actos que considero serem deveres, independentemente da remuneração ou dos agradecimentos. Também não tenho de lhe falar da minha vida. Qualquer outro comentário em que faça princípios de intenções acerca dos meus interesses pessoais será ignorado, mesmo aceitando que, em termos absolutos, não possa existir altruísmo absoluto (pois, uma questão filosófica).
          Nunca se saberá o suficiente, sobretudo se se estiver sempre interessado em aprender. Também é verdade que há uma certa tendência, quando se é jovem, para se pensar que se pode dar lições ao mundo.
          O seu percurso pessoal ou o de outras pessoas não me prova nada. Se não consegue, em nenhum momento, defender o interesse nacional, é consigo. Sobre a sua personalidade, não me vou pronunciar, embora lhe possa dizer que um bocado de humildade não faz mal a ninguém.
          Relativamente aos textos, julgo que a sua primeira língua não é o Português e digo-o sem querer diminuí-lo. Se quer escrever com qualidade formal, faça-o numa língua que domine.

  6. Guillaume Tell says:

    O ultraliberalismo não existe, existe o libertarianismo que é, como lhe montrei, impossível ou quase de ser construido. A expressão “evitar que os homens se matem entre eles” é extremamente vasta. Nela cabe muito bem a segurança física como a segurança alimentar (evitar por exemplo que empresários do ramo alimentar alimentem porcos com óleo por ser mais barato) só por dar um exemplo.

    “No que respeita à Educação e à Saúde, defendo uma presença forte do Estado, com competência e com rigor, com autonomia, mas forte, porque não aceito que nestas duas áreas se corra o risco de que o lucro se sobreponha à solidariedade que deve ser a base de uma sociedade”
    Aqui acabamos por nos juntar, mas há obviamente algumas diferenças prográmaticas entre nós: você acha que é possível haver um sector público forte, desde que seja autónomo e competente, mas eu acho para que isso seja possível é também preciso fazer participar o privado e em força. Isto sim é um debate de fundo.

    “por exemplo, no mundo da Educação, porque o dever de uma sociedade democrática é garantir o acesso generalizado dos jovens a uma educação de qualidade”
    E você acha sinceramente que uma Educação de qualidade pode se dar ao luxo de não formar pessoas flexíveis e competitivas? A Educação deve é certo formar cidadões patriotas responsáveis, civícos e cultos, mas também deve formar trabalhadores e empresários. Um dos mal de Portugal foi de ter acreditado que podia fazer só a primeira parte do projecto (e mesmo assim fez-o mal)

    “O Estado deve assumir a defesa dos fracos ou dos enfraquecidos.”
    VERDADEIROS FRACOS. E mais que os assumir deve-lhes dar os instrumentos para saírem do seu estado de fraqueza. Eu pessoalemente não teria orgulho de dizer “Portugal não tem ninguém na miséria porque os mecanismos de solidariedade funcionam bem”, prefiro “Portugal não tem ninguém na miséria porque as pessoas conseguem, em parte porque a solidadriedade funciona, se desenrascarem sozinhas”.

    “Nunca me queixei do Estado, até porque o Estado é uma abstracção.”
    Nos últimos 20 anos muitos dos nossos dirigentes pensaram assim. Olhe o resultado.

    “Queixei-me do facto de que os políticos que têm alternado no poder praticamente desde o 25 de Abril transformaram a Democracia num festim para eles, para os amigos e para os amigos dos amigos, desperdiçando recursos materiais e humanos de modo vergonhoso.”
    Estava à espera de quê num Estado monstruoso e sem organismos de controlo eficázes que o limitem? Só por curiosidade, em 37 anos quantas iniciativas foram lançadas para pedir para reclamar a democracia semi directa, como a suiça (e não falo de reclamações abstratas como “Mais democracia” sem explicar o que significa, o “Mais democracia” só quando se trata de impedir a redução do peso do Estado. Democracia, liberdade, responsabilidade, liberalismo…)? Quando eu falava de desresponsabilização não visava ninguém em particular

    “Quero gente séria a tomar conta do Estado e, mesmo sendo de esquerda, não teria problemas em ver gente do outro quadrante a governar, desde que fosse com seriedade.”
    Num Estado gordo e sem organismos de controlo fortes que limitem o seu peso isto é impossível. “desde que fosse com seriedade”, é o quê a seriedade?

    “Não é o caso de Passos Coelho, que prometeu o contrário do que está a fazer, e não é o caso de Vítor Gaspar, que sobrecarrega os funcionários públicos, enquanto permite que, ao contrário do que estava previsto na Bíblia (Memorando de Entendimento), as câmaras possam manter a capacidade de endividamento.”
    Tenho de lhe dar razão. Mas uma nota sobre os funcionários públicos (e os demais do SEE): a revisão dos seus salários era inevitável, à massa salarial da Função pública é excessiva em relação à productividade deles. E além disso continua a haver em geral demasiados trabalhadores do Estado.

    “o país está a cortar onde não pode cortar ”
    Estou curioso por saber o que entende por “sítios onde se deve cortar”. Um numero: 76% da despesa pública são salários da Função pública e prestações sociais. Se acha que podemos ameliorar o Estado sem tocar nisso está a enganar-se gravemente. Depois podem-se fazer mãs e boas reformas claro.

    “é mentira que sejam precisos menos professores”
    Ah bom? Num país envelhecido, com professores a mais que não conseguem colocação acha mesmo que é mentira dizer que há professores a mais? Se me diz que os podemos reconverter para dar novas formações mais de tipo professional, ou os enviar para o estrangeiro para formar os emigrantes aí posso concordar consigo. Mas mesmo assim, temos professores de matemática, geográfia, história… a mais . Vê a diferença?

    “Se não consegue, em nenhum momento, defender o interesse nacional, é consigo.”
    Entendo que defender o interessse nacional é justamente ensinar as pessoas a saber se preocuparem delas e pararem de choramingar pelo Estado. Quanto ao Estado, o interesse nacional manda-lhe justamente manter um mundo livre em que as pessoas “não se matem entre elas”, e claro de afirmar o país por fora. Eu não ando a enganar as pessoas com grandes discursos altruístas; o altruísmo vai para quem o merece e que cada um decide do seu grau, e que pague as consequências da sua escolha.
    Álias não deixa de ser curioso de alguém que diz saber o quê defender o interesse nacional vir depois me “autoculpabilizar”. Como é que consegue ao mesmo tempo saber o que é bom para mim e ir contra mim? LOL

    “Sobre a sua personalidade, não me vou pronunciar, embora lhe possa dizer que um bocado de humildade não faz mal a ninguém.”
    Que maior prova de humildade queria que lhe desse senão lhe mostrar que sei muito bem quem eu e o que podem pensar as pessoas de mim? Uiu perdão voltei a ser arrogante.
    Mas se eu preciso de mais humildade você precisa de mais racionalidade e de menos susceptibilidade. Cuidado olhe que a idade não perdoa essa caractérisiticas, e é mais mansa com os arrogantes que com os gentís. É triste mas é a vida.

    “Relativamente aos textos, julgo que a sua primeira língua não é o Português”
    Efectivamente, comecei a aprender a escrever em francês antes de começar o português (e mesmo assim sempre convivei mais com o francês que com o português), e bom quando escrevo em blogues é raro que me releia (e tento escrever depressa), por isso muitas vezes deixo verdadeiros desastres. Mas como eu tenciono voltar a Portugal (também eu posso ser irracional 🙂 e que gosto da minha língua não tenho razão nenhuma para parar de escrever em português. Ameliorar-me sim, parar não.

    Mais uma nota: há patriotas pelo seu país, e patriotas pelas suas gentes. Pessoalemente prefiro os primeiros.

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