De Moçambique

Aqui apresentamos um novo blog que decerto nos contará “estórias” ainda desconhecidas de um Moçambique que para sempre desapareceu. Para que a memória não se perca.

 “É que Lourenço Marques mais não era do que uma vilória com pretensões e algumas benesses de que a menor era uma praia enorme que se estendia aos seus pés e se prolongava por quilómetros até à Costa do Sol onde existia um restaurante cervejaria, famoso pelos camarões e a cerveja geladinha, a “Laurentina”. Ora está bem de ver que nesses anos 40 e 50 do séc. XX, laurentinos e laurentinas eram os naturais da cidade que só depois passaram a ser chamados de “coca colas” em consequência da introdução desse refrigerante no consumo citadino. É que Moçambique usufruía da regalia de poder beber o refrigerante, aliás, muito menos açucarado do que o mesmo produto que se vende no cantinho português da Europa. Dizia-se, à boca pequena, que Salazar não deixava produzir a bebida em Portugal Continental só para fazer ferro aos americanos que não o apoiavam como ele desejava!”

Comments

  1. Carlos Fonseca says:

    Nuno, a ‘Coca-Cola’ foi comercializada em Portugal a partir de 1928, com um célebre ‘slogan’ de Fernando Pessoa: “primeiro estranha-se, depois entranha-se’. Mas, por decisão do Dr. Ricardo Jorge, passado algum tempo de sucesso nas vendas, o refrigerante foi proíbido e deitados os ‘stocks’ ao mar, conforme se diz aqui:
    http://lisboa-riograndedosul.blogspot.com/2004/09/primeiro-estranha-se-depois-entranha.html
    Sucede ainda que, por manifesta ligação aos americanos e alegado interesse no negócio por parte de Humberto Delgado – o general coca-cola – o regime de Salazar impediu sempre a produção e a comercialização do famoso refrigerante em Portugal Continental e Ilhas. Concedeu, no entanto, autorização para a venda em Moçambique e também em Angola – não sei se em outros terittórios das então províncias ultramarinas sucedeu o mesmo. Em Portugal, só em 1977 tivemos direito a beber ‘Coca-Cola’.
    Trata-se de um processo controverso e obscuro, porquanto as divergências de fundo entre o Estado Novo / Salazar e os EUA rodavam precisamente à volta da política colonial portuguesa.
    O Rui Ramos, que até não se inscreve nas minhas preferências políticas, tem aqui um bom texto sobre o general coca-cola: http://nonas-nonas.blogspot.com/2008/09/rui-ramos-sobre-o-general-coca-cola.html

    • clara says:

      Esta gente, de facto, perdeu a vergonha! Haja respeito!
      Como é que numa altura destas se vem falar de coca-cola e se consegue envolver o nome do General Sem-Medo, um Homem daquela envergadura, que desafiou Salazar ao ponto de ser assassinado, de pagar com a própria vida a sua audácia, vem agora ser aqui vilmente comentado por um enfatuado zé-ninguém… quem sabe o que ele fez? que serviços prestou ao país? à pátria? Haja paciência

      • Carlos Fonseca says:

        Clara,
        Talvez o meu texto a tenha levado a equívocos e ilações que não se identificam de todo com o meu pensamento político.
        O tema central da questão era o refrigerante Coca-Cola e, a propósito da proibição da bebida em Portugal pelo Estado Novo, citei o General Humberto Delgado que, de forma depreciativa, foi ao tempo tratado por ‘General Coca-Cola’. Há-de reparar que até citei também o Rui Ramos, dizendo que este não se inscreve nas minhas preferências políticas. Mas, agora, até lhe adianto mais: a minha família tinha relações de amizade com a filha do general, Iva, que viveu com a mãe junto à escola n.º 15 de Lisboa, que frequentei.
        Sem me conhecer, classifica-me de ‘enfatuado zé-ninguém’, em resultado de não ter percebido o enfoque do meu comentário, por culpa minha ou sua. Não me ofendeu, porque não deixo. Devo, todavia, contribuir com a explicação dada, embora saiba que a boa educação e o civismo se solidificam como valores irrecuperáveis, se não adquiridos no tempo devido.

        • Luis Filipe Barreiros says:

          De facto na actualidade portuguesa, facilmente se esquecem valores cívicos e se constroem vocábolos insultuoso e ostensivamente ofensivos a propósito de tudo e de nada. Não se exita mesmo em enxuvalhar a memória de quém descança na eternidade. Será que a sociedade actual ainda tem remédio?

  2. s.martins says:

    caro carlos fonseca mt obrigado plo esclarecimento sobre o termo coca -cola..que obviamente era o tema inicial…mocambique terra linda..a terra dos meus pais…politica n se mistura k beleza por isso sra d. clara com td o respeito..va porocurar outro blog…n estrague o k de bonito se esta a tentar criar aki…………

  3. Nuno Castelo-Branco says:

    Aliás, o Carlos não disse mentira alguma. Claro que Delgado começou por ser o torpedo enviado pelos americanos, procurando afundar a nave Salazar. Falhou o alvo. Seguidamente, mancomunou-se com os tutores do PC, sediados em Moscovo. Saiu-lhe cara a factura, como se sabe. Enfim, não se pode reescrever a história ou fazer crer ter sido diferente da verdade. Custa? Talvez, mas há que manter um mínimo de rigor.

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