O facebook e as teorias da conspiração.

Eu gosto de teorias de conspiração. Sempre fui um fã incondicional dos Ficheiros Secretos e considero que não há nada mais fantástico do que imaginar urdiduras entre extraterrestres e humanos, como naquela série V – Vitória final de que sou acérrimo espectador. Mas, convenhamos, na vida real, as coisas não são assim. Se existem extraterrestres com uma tecnologia tão avançada, porque raio haveriam eles se de dar ao trabalho de raptar gente de quintas isoladas no meio do Alabama, ou aparecer a casais de namorados na praia de Francelos? Admito que certos grupos exerçam pressão, mexam cordelinhos e ajam na sombra. Admito que a maçonaria, a Opus Dei e esses grupelhos a que pertencem certos indivíduos mais por vaidade do que por consciência façam transmitir a sua mensagem em cadeia. Mas fico sempre com um pé atrás quando me tentam impingir complexas teorias em que meia dúzia de pessoas tentam tomar o poder e inaugurar uma nova ordem mundial.
No entanto, estas coisas agradam a um vasto público. Quando mais dispomos de informação, mais estúpidas são as justificações sobre movimentações, pessoas, projectos. A crise permitiu, aliás, que certos aspectos do social e do económico se convertessem em pretensos sinais de uma vasta conspiração, que vai da empregada de limpeza que terá foi abusada pelo Strauss-Kahn até à rainha de Inglaterra, por alguns considerada um reptilídeo descendente de uma linhagem de extraterrestres que há milhares de anos habita confortavalmente o planeta terra.
Atlântida, mortos que não morreram, Templários, seitas, estranhos desaparecimentos, etc. Há uma curiosa relação entre imbecis e teorias da conspiração, de tal forma, que quanto mais idiota é o seu seguidor, mais elaborada é trama. De resto, desde que a religião deixou de ser um caminho para muitos, que estas requintadas parvoíces passaram a ser objecto de veneração. E já nem me refiro ao neopaganismo e à wicca, que juntos conseguem sublimar largamente o que de estupidamente bestial poderá existir noutros ritos, seitas ou religiões.
Mas um dos temas que mais tem sido alvo das especulações mirabolantes é o facebook. Recentemente, um austríaco, estudante de Direito, decidiu processar a empresa que gere o facebook por não garantir privacidade dos dados contidos naquela rede social. Ao que parece, as mensagens privadas são simplesmente removidas do perfil, mas não são apagadas. De tal forma que, segundo o mesmo estudante, na posse de elementos confidenciais, as mãos e mentes por detrás do facebook urdiam tramas sinistras de utilização dos elementos para controlar o mundo. O facebook é perigoso e pouco fiável? Claro que é. Como uma faca de cozinha. Se eu pegar numa faca de cozinha e a espetar no meu peito corro o risco de morrer. Por isso é que aprendemos que não se deve pegar na faca de cozinha para nos esfaquearmos, mas para cortarmos alimentos.
O facebook é um instrumento. Uma extensão de nós. Se dermos informações erradas sobre o nosso nascimento, vida pessoal, etc., aquela máquina limita-se a processar os dados que lhes damos. É claro que quem quer ser enganado, pode sê-lo facilmente. Quem quer ser vigiado, deixa vigiar-se com relativa facilidade.
É tudo uma questão de saber e de fazer.

Comments


  1. Só um pequeno comentário: inserir os Templários e a Atlântida nesta amálgama de, cito, requintadas parvoíces, fim de citação, é dar um valente pontapé na História!


    • Pontapé na história mas também a coragem de dar opiniões e transmitir ignorãncia mesmo que a história possa ser de longe a longe reorientada – assim com opiniõaes se fez “história” da ignorância

  2. Nightwish says:

    Não há nova ordem mundial, mas a Goldman-Sachs está em todo o lado…
    Mas sobre o Facebook, dar informação errada é proibido pelos termos de serviço e dá direito a ficar sem conta. O FB é uma entidade privada que pode ter os termos que quiser, mas quando chegamos a monopólios, será que as regras são as mesmas? (declaração de interesses: recuso-me a usar o facebook. Infelizmente, é impossível dizer o mesmo do Google, mas a publicidade e o rastreamento estão todos bloqueados).
    E não é preciso haver uma posição concertada, por exemplo, é complicado comprar um jogo de vídeo e ter os mesmos direitos que quando se compra um livro.


  3. Precisará o facebook, neste momento, de panegíricos?…

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