A tua mão

adão cruz

Como simples aves damos as asas a caminho do sol para fugir às lágrimas que a terra espreme.

A luz incendeia a vontade de fugir mas a tua mão serena abre o coração à esperança onde a angústia cresce por entre músicas perdidas e restos de flores.

Eu continuo o caminho dos lábios que deixaram de suspirar e dos olhos que pararam de girar confundidos entre lágrimas e risos.

O longo caminho das sombras onde as plantas não falam nem as fontes nem os pássaros.

Mas a tua mão apertada mesmo que incrédula murmura baixinho que os prados se estendem a nossos pés.

E que as brandas ondas do mar deslizam suavemente sobre a areia cobrindo de espuma o teu corpo sonâmbulo que à noite desperta por entre o labirinto dos meus sonhos.

Que palácios pretende o vento impaciente em teus cabelos de fogo vencida a idade em que o coração treme sem casa para morar?

Comments


  1. Muitos, muitos parabéns! Pura poesia… leio o movimento do ser e vou para além das palavaras que o imprimem!

  2. Adão Cruz says:

    Obrigado Isabel. É muito bom ouvir palavras dessas.


  3. Estimado Adão, permite-me que coloque um link do seu blogue no meu?

  4. Adão Cruz says:

    Claro Isabel, por mim não há problema


  5. Muito obrigada, então!

  6. Carlos Fonseca says:

    Caro Adão,
    A expressão poética de seres, palavras e sentimentos que vagueiam entre a vida e os sonhos. É um privilégio escrever assim. Felicitações!

  7. Adão Cruz says:

    Obrigado. Grande abraço, amigo Carlos


  8. Adão Cruz – mas que beleza – apetece ler várias vezes

  9. Adão Cruz says:

    Obrigado, Maria celeste

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