A ancestral e monumental mentira

adão cruz

O ateísmo é uma mundividência filosófica, ética e livre, perfeitamente legítima. Não é uma crença nem coisa que para lá caminhe. O ateísmo é uma forma de vida e de pensamento que decorre do desenvolvimento da razão, da inteligência, do conhecimento e da ciência cada vez mais difícil de contestar. Estas as maiores riquezas do ser humano. O ateísmo não é uma verdade absoluta, não é um radicalismo preso às malhas da incoerência, é uma postura mental desenvolvida na verdade científica, uma verdade como qualquer outra, e, como tal, legítima e respeitável.

O ateu não tem de se preocupar com dúvidas metafísicas nem tem que provar nada, nem a si nem a ninguém, bastando-lhe as provas que o conhecimento científico lhe vai dando. Hoje está um lindo dia de sol. Se alguém diz que está a chover é que tem de o provar. Por isso, o ateu tanto respeita o cidadão ateu como respeita o cidadão crente, como respeita qualquer outro cidadão, tenha o pensamento que tiver. Não respeita a crença, seja ela qual for, e está no seu pleno direito, sobretudo quando esta se desenrola à margem do conhecimento, da razão e da compreensão. Muito menos se a crença é imposta com a aniquilação da liberdade mental e com a violência do fanatismo e do proselitismo.

A luta do ateu, se existe e quando existe, aqui ou em qualquer parte do mundo, com todos os direitos de cidadania que lhe assistem, centra-se no combate à promiscuidade que afronta a laicidade do Estado escarrapachada na Constituição, na procura da integração social e sem reservas no que ao pensamento se refere, do ateísmo, dos ateus ou de outras formas não sobrenaturais de entender o mundo, como vivências perfeitamente legítimas, sem qualquer tipo de diabolização ou segregação, sem preconceitos irracionais, intoleráveis e incompreensíveis, e sem obstáculos à vida de cada um, seja no campo profissional, no campo do ensino e da educação, na intervenção cívica, na comunicação social, no direito a ser livre.

Vem isto a propósito da onda de intervenção política do clero e dos bispos portugueses, espalhada por tudo quanto é jornal ou outro meio de divulgação. Cabe-lhes todo o direito de intervirem como cidadãos e como cidadãos crentes, ninguém o discute. Mas também não pode discutir-se o direito de os rebater, denunciando o ancestral obscurantismo com que o fazem, as profundas incoerências das crenças em que se apoiam e as responsabilidades, tantas vezes criminosas, dessas mesmas crenças, neste cataclismo selvático do capitalismo.

Muita gente sabe que a igreja foi sempre reaccionária e retrógrada, atravessando os séculos, até aos dias de hoje, de braço dado com o poder e o dinheiro, a ambição e a opressão. Nada mudou nem mudará, porque todo este esquema é uma cristalizada estrutura genética imutável, servindo de carapaça ao núcleo duro, esse sim, renovando constantemente as suas aprimoradas estratégias de agressão. Tudo leva a crer que os bispos cumprem ordens, supra-determinadas, provavelmente sem saberem de quem. À falta de um mandante concreto…dizem-lhes ser de deus. O fim é sempre o mesmo. Segurar o Sistema. Ancorar o Sistema seja qual for a tempestade. Incentivar, ainda que com novas formas e fórmulas, o obscurantismo a todo o custo, de modo a manter a sobrevivência da ancestral e monumental  verdade-mentira de sempre, espinha dorsal de uma igreja que nada tem a ver com a igreja de Cristo. Por outro lado, tentar sacudir a água do capote, encharcado que nem um esponja. Sugerir falácias diagnósticas e terapêuticas de conformismo e sujeição, de modo a que o Sistema não vacile e a grande exploração humana a todos os níveis continue a ser o sangue das grandes esferas. Tentar alijar responsabilidades, inclusivamente vitimizando-se, sem se dar conta que a arma ensanguentada continua nas suas mãos.

Se não, vejamos. Vejamos todos nós, aqueles a quem ainda não conseguiram fechar os olhos de vez. O que se segue não são contas do nosso rosário, e nenhuma destas avaliações passou pelas nossas mãos, nem nunca em tais catacumbas nos enfiamos. Somos muito pequeninos para lidar com monstruosidades destas, mas a vida, a intuição, a evidência, a visão do mundo e das coisas, as leituras, públicas e amplamente publicadas que reputamos de idóneas, todos os trabalhos realizados por investigadores de grande mérito e coragem que o Vaticano nunca conseguiu desmentir, ainda que em muitos casos o tenha tentado, abrem os olhos para a dificilmente contestável verdade do que se segue, e que mais não será do que a ponta do iceberg.

O Vaticano é o mais poderoso grupo financeiro do planeta. Dono de meio mundo, a sua sede vai de Roma a Washington, da Europa à África e à América Latina. A Santa Sé domina 51% dos principais bancos, tem poderosas redes de influência directa e indirecta em todos os grandes partidos políticos de muitos países, na comunicação social, no ensino e em tudo o que são instituições sociais. O IOR, Instituto para Obras Religiosas, é a sede da mais importante central financeira do mundo. São por de mais conhecidas as gigantescas transacções, os grandes crimes e as grandes fraudes financeiras geradas no seu ventre. Na sua órbita e nas suas secretas relações e negócios giram bancos extremamente poderosos como o Pax, J.P.Morgan e Deutsch Bank. Apesar do pouco que se conhece, é possível dizer que, nos EU, a igreja administra valores que excedem a soma dos capitais dos dez principais grupos económicos norte-americanos. O Vaticano tem uma volumosa carteira de interesses no petróleo, nos aços, indústria automóvel, armamentos, energia, linhas aéreas, minas, construção civil e…outros. Em finais do século XX pensa-se que detinha em bancos suíços e ingleses reservas superiores a 11 biliões de dólares. Calcula-se, por outro lado, que o ouro em lingotes, sólido, contido nos cofres do Vaticano atinja valores de muitos milhares de milhões de dólares. Já nem é bom falar no seu incomensurável património imobiliário, artístico e de pedras preciosas que se estende por esse mundo fora. Há quem diga que o Estado americano já é uma colónia da Santa Sé. E também há quem diga que todas as grandes decisões políticas americanas se sujeitam aos pareceres prévios do Vaticano.

Biliões de seres humanos sobrevivem com um dólar por dia. Mas ninguém fala no papel activo que o Vaticano teve e tem desempenhado na construção deste desumano quadro político e social. Do mesmo modo que, nesta crise, com todo este folclore eclesiástico que se apresenta, inclusivamente, com fotografias diárias de suas eminências nos jornais nacionais, não há bispo que seja capaz de falar a sério, denunciando a altíssima responsabilidade do Vaticano e da sua igreja na gestação deste monstro que mais parece parido pelas entranhas do diabo.

Comments

  1. Estimado Adão, vai-me perdoar o que lhe vou dizer: com este brilhante texto subiu o meu amigo 1000% na minha consideração! 🙂
    Que falta fazem mentes despertas, inteligências livres, seres humanos em uso pleno de todas as suas faculdades!
    Simplesmente adorei!

  2. Adão Cruz says:

    Ainda bem, Isabel. Que grande gosto me dá.

  3. Abel Barreto says:

    Obrigado pela divulgação desta informação, que eu preferiria que não fosse verdadeira tamanha é a monstruosidade face às misérias que grassam por este mundo fora.

  4. MAGRIÇO says:

    Permita-me, Isabel fazer também minhas as suas palavras. Acrescentaria só que é precisa alguma coragem para assumir uma posição contrária aos cânones instituídos. Discordar de uma maioria normalmente intolerante que se julga iluminada não é, de todo, prudente. Os insultos seguem dentro de momentos…

  5. Carlos Fonseca says:

    Adão, já tinha saudades deste vigor na luta pela verdade e contra o tenebroso Vaticano e seus diabólicos tentáculos.
    Um abraço,
    CF

  6. Tem toda a permissão, estimado Magriço, toda a permissão! E sim, é preciso coragem para assumir tal posição. É desta coragem, porém, que uma ínfima minoria pode construir uma grande mudança! Há que desconstruir para começar do zero a colocar pedra sobre pedra!

  7. Céu Mota says:

    Afinal, o ateu respeita ou não o cidadão crente e a crença? Não percebi.
    Quais as fontes em que Adão se baseia para afirmar que o Vaticano é o mais poderoso grupo finaceiro do Planeta e que tem responsabilidades no atual quadro político-social que, por exemplo, explica os biliões de seres humanos a sobreviver apenas com 1 dólar/dia?
    (gostava que fornecesse as fontes)

  8. João Grade says:

    bom…
    se a sua tese for por água-abaixo, em você assenta que nem uma luva o que Ele mandou Salomão escrever no Livro dos Livros:
    Prov. 2:22
    ” Mas os ímpios serão arrancados da terra, e os aleivosos serão dela exterminados” (na tradução das TJ “são decepados”).
    eu, que não sou nem deixo de ser ateu-graças-a-Deus, nem aos meus inimigos desportistas sportinguistas desejo tal coisa.

  9. manuel.m says:

    O Autor de nome Adão (uma infeliz circunstancia …) diz saber que a verdade cientifica justifica
    plenamente o ser ateu , mas essa mesma Ciencia afirma que o Universo teve um começo , o Big-Bang , que se expande continuadamente e um dia terá um fim .
    Não seria dispiciendo que nos explicasse o que existia antes , para onde se expande ( uma vez que o Universo é por definição tudo o que existe ) ,e o que haverá depois de desaparecer .
    O artigo termina numa catilinária anti-clerical como se a existencia de Deus pudesse ser negada pelos pecados da Igreja ,neste caso a Católica . Mistura o que não deve ser misturado ,e dá uma explicação simplista para a pergunta que desde a noite dos tempos o Homem se põe ao se questionar sobre a existencia do Divino .
    Felizes daqueles que como ele vivem com certezas absolutas : São poupados às dúvidas e à procura incessante pela verdade .
    Oxalá eu fosse um deles .
    manuel.m

  10. Interessante texto, mas apesar dos primeiros parágrafos o sugerirem, todo o resto do texto é vago em citar fontes e dados concretos. Se noutros tempos o Vaticano dominou a Europa e grande parte do mundo, e se encheu à custa disso, hoje custa-me a crer que tenham tanto poder como o autor afirma.
    Se me sinto oprimido hoje, não é pelo clero católico e seus seguidores fieis, mas sim pelos sacerdotes do lucro a qualquer preço, da “igreja universal do dinheiro vivo” que tudo quer comprar e tudo traga na voragem.
    O padre da minha freguesia aceita donativos se os lá forem levar, esses outros saem-me ao caminho a cada momento para me sacarem avultadas quantias, pois para eles nada representam umas poucas moedas depositadas num cestinho levado por uma criança.

  11. Da aparente lucidez dos primeiros parágrafos em que se apresenta uma forma de estar livre de clausuras religiosas e castrações dogmáticas, e em que se desenha um Ser aberto e tranquilo, resulta logo depois uma outra postura. O ateu tranquilo vira caceteiro da Razão e combatente virtuoso, investindo (forte e feio) contra a “vítima” do costume: “a igreja”. E eles são donos do mundo, tem armas e petróleo. São um magote de malandros que conspiram no Vaticano, sentados sobre pilhas de lingotes de ouro. Delirante!…
    Se o autor aprecia dissertar acerca de teorias da conspiração poderia ter facilmente encontrado outros alvos. Esses porém são muito mais subtis. Talvez por isso não os tenha detetado ficando-se por uma fábula que ainda colhe aprovações (fáceis), mas que há muito passou à história…

  12. Adão Cruz says:

    Meus caros amigos, não é fácil, em questões tão complexas, responder condignamente às vossas questões, em espaços destes, fora de um diálogo franco e aberto, cara a cara. Direi apenas à prezada Céu Mota que a literatura sobre estas questões, desde há mais de trinta anos até aos nossos dias, é profusa, e produzida pelos mais variados autores, desde Avro Manhattan a Eric Frattini. De notar que este grande jornalista e investigador foi alvo de dezenas de processos, sem nunca ter sido condenado.
    Obrigado a todos e um grande abraço

  13. MAGRIÇO says:

    É evidente que este tema da existência de Deus não terá nunca o consenso geral. Todos somos influenciados pela emoção e esta, frequentemente, sobrepõe-se à razão. E como no nosso subconsciente desejamos que alguma entidade superior zele por nós e que tome por nós decisões que não queremos ou não podemos assumir (por isso “se Deus quiser”!) agarramo-nos a um conceito abstracto como tábua de salvação. Assim, quem for menos influenciado pela emoção e mais dado a análises racionais não tem tanta propensão para o mítico e para a metafísica. Aliás, Kant, na sua “Crítica da Razão Pura”, já referia a crítica analítica (a procura do conhecimento sem recorrer a dados concretos, ou seja, subjectivamente) como “andar em círculos sem acrescentar nada de novo a questões já formuladas”. Não deixa de ser curioso referir uma falácia a que recorrem frequentemente os crentes: como argumento decisivo, costumam afirmar que “nada pode existir sem que alguém o tenha feito”, o que nos leva logo à conclusão lógica de que, então, “alguém” teve de fazer Deus. Li também aqui um comentário que utiliza a teoria da expansão do universo como argumento. O Universo é, de facto, tudo o que existe, FISICAMENTE, num espaço infinito, e quando se diz que o universo está em expansão isso quer simplesmente dizer que os corpos celestes se estão a afastar uns dos outros e, por conseguinte, a ocupar um espaço maior. E estou de acordo com a afirmação de que são mais felizes os que detêm a verdade absoluta: a própria Bíblia diz que será deles o reino doas céus…

  14. Sim, sim, sim, é tudo isso que referiu, Magriço! Com a agravante de que as religiões, conhecedoras dessa necessidade de protecção superior do homem, que a tem porque se desconhece a si próprio, aproveitaram-se descaradamente dela para manipular interesses, indiscutivelmente económicos e políticos! A religião católica, então, foi especialista! Criando dogmas e evitando assim perguntas embaraçosas, inventando castigos divinos para manter a “ordem”, instaurando o medo com ameaças de aniquilação no fogo dos infernos para melhor moldar comportamentos, e fazendo da bíblia, que não passa de um relato histórico e da interpretação mística dos indivíduos que a escreveram, a palavra de um deus que criou à sua própria imagem, construiu, à custa de tudo isso e da ignorância, do medo e da preguiça mental da grande maioria dos seres, um verdadeiro império. Como todos os impérios que se constroiem sobre as areias movediças da mentira e da maquinação, um dia ruirá. Afinal, acreditava-se outrora que a Terra era plana e afinal…

  15. xico says:

    Cara Isabel G
    De todas as religiões que existem, a católica foi quem inventou as universidades, quem igualou os homens e as mulheres, quem obrigou a que no casamento a mulher fosse ouvida e desse o seu consentimento. Dizer que a Igreja errou é uma coisa, dizer que é a origem de uma maquinação para dominar os homens para transformá-los em escravos sabe-se lá do quê, é delirante e, desculpe a expressão, de uma tremenda ignorância. Se assim fosse, teríamos que põr no mesmo saco todas as instituições, todos os estados, todos os códigos.
    Já agora, aproveitando o seu remate, a Terra já era esférica quando a Igreja apareceu, e nunca os homens da ciência dentro da Igreja, disseram o contrário.

  16. xico says:

    Sr. Adão Cruz
    Tenho-o como pessoa que escreve muito bem, para além de pintar coisas que gosto de ver, no entanto muito disparate pode ser dito através de textos bem escritos. Não quero dizer que seja o seu caso aqui, mas gostaria de lhe perguntar: É condição de um crente o apoio ao capitalismo, à exploração dos homens, à violência? Estão dessa condição isentos os ateus e os ateísmos organizados? Quando a Igreja rebateu as teses marxistas, também o fez às teses capitalistas. Não foi assim? Não é hoje a voz do Papa que se ouve clamando quanto aos perigos da exploração do homem e do poder do capital? Que acredite que o Papa esteja errado aceito. Que acredite que o homem prega deliberadamente o mal, parece-me uma desconfiança algo ingénua. Costuma-se dizer: desconfia de quem é desconfiado.

  17. Caro xico, com o devido respeito lhe digo que não percebeu patavina do que eu disse! O Xico contextualiza, eu generalizo!

  18. MAGRIÇO says:

    Tem toda a razão, Isabel. A igreja católica foi sempre, ainda hoje o é, reaccionária, no sentido em que se opõe sistematicamente a toda a ideia de mudança e às descobertas da ciência que não sejam concordantes com os seus dogmas. Foi assim que,em 1616, considerou herética a teoria heliocêntrica e em 1633 condenou mesmo Galileu por heresia. E não se pense que ouve grandes modificações no que a dogmas diz respeito: a recente posição oficial do Vaticano sobre o uso do preservativo prova o contrário.Quanto ao poder económico do Vaticano, o canal “História” tem dados documentários verdadeiramente esclarecedores sobre a ostensiva e imoral apetência dos cardeais pela riqueza. E não é de agora: “O portador da tiara era simultaneamente um dos maiores senhores feudais italianos, esforçando-se em aumentar e em manter seu domínio, e o Chefe da Igreja, isto é, de todo o universo católico. Nesse duplo título, o papado foi, em quase todas as etapas de sua história, uma força política reacionária, organizando “cruzadas” contra os movimentos sociais mais progressistas, queimando os grandes sábios e os reformadores e freando, assim, o progresso social e cultural.” Mais: “Hitler e Mussolini não teriam podido, no momento oportuno, mobilizar o apoio da massa à sua cruzada sangrenta contra as massas populares e os governos liberais, se não tivessem sido apoiados por uma força política de qualidade excepcional, que atinge tanto as mais altas camadas da sociedade quanto suas camadas mais profundas, que possui uma grande influência internacional e que se mantém habilmente na sombra: o papismo político, que tem seu centro no Vaticano”. (A Política e a Organização do Vaticano – O. Arturov.
    Seria fastidioso citar aqui todos os documentos que provam que o Vaticano está mais interessado no seu próprio enriquecimento material do que na salvação das almas. Nem as dos seus dirigentes salvam…

  19. Pentesiléia says:

    Absolutamente de acordo com o Magriço! E muito fica ainda por dizer. Só fico admirada é como tantos se recusam ainda a ver a realidade, independentemente da sua necessidade de acreditar.

  20. manuel.m says:

    O nosso ilustre colega comentador Magriço erra quando afirma ter prestado o Vaticano entusiastico apoio aos regimes fascista de Mussolini e nazi de Hitler .E erra completamente pois a Igreja jamais poderia aceitar ideologias que idolatrassem o Homem e o Estado em directa contradição com a sua missão apostólica . Cita O. Arturov em apoio da sua tese mas , sem desprimor ,não me parece que esse autor soviético com obra públicada nos anos quarenta na URSS , sirva como padrão de isenção e objectividade .
    Eu prefiro ter como referencia Michael Burleigh (New College – Oxford ) ,sem duvida o mais prestigiado historiador Britanico da actualidade , indisputavelmente a maior autoridade sobre a Alemanha nazi ,e vivamente recomendar a leitura do seu livro “Sacred Causes : Religion and Politics from de European Dictators to Al Qaeda ” (Harpercollins 2006 ,disponivel na Amazon e traduzido em Espanhol ) .
    É a todos os titulos uma obra notavel ,revelando fontes inéditas e que descreve minuciosamente , e sempre com apoio documental ,o que foram as relações da Igreja com os regimes de Roma e Berlim , escrutinando particularmente o papel de Pio XII nesse periodo trágico que foi a II Guerra .
    Surprendentemente para alguns e particularmente relevante para os Portugueses , é o relevo dado a Salazar que , com o Chanceler Austriaco Dreyfuss e o Presidente Irlandês deValera eram , como lideres católicos , a esperança do Vaticano na criação de regimes , autoritários se necessário , que pudessem servir de alternativa e obstáculo aos regimes ateus de Berlin e Moscovo .
    A vida vai ensinando que a realidade é sempre bem mais complexa do que imaginamos ,e que as ideias simples se podem servir de consolo para as almas também simples ,raramente aquecem quem quer ver mais do que sombras .

    manuel.m

  21. xico says:

    Caro magriço,
    O canal História está a soldo dos americanos capitalistas…. convinha ler alugmas coisas.
    O uso do preservativo é desaconselhado pela Igreja, mas não põe em causa os dogmas. É desaconselhado por motivos morais e não científicos. O Papa foi um grande senhor feudal. pois foi. Estava de acordo com os costumes da época. Não é isso que criticam na Igreja? De não acompanhar os costumes da época. Pois naquele período, foi consentâneo com a época.

  22. Só me apraz dizer, caros manuel.m e xico, que vêem V. Exas. o cisco no olho do vizinho mas são incapazes de ver a trave no vosso!

  23. xico says:

    Isabel G
    Mas eu ainda não apontei cisco nenhum no olho dos meus vizinhos, nem sequer teci críticas aos ateus ou ateísmos. Reparou?

  24. MAGRIÇO says:

    Caro Manuel, acredito que seja um bom católico e aceito que defenda a sua dama, mas já não posso pactuar com distorções da História só porque vão contra as nossas convicções. Parece-me não ser muito correcto e, sobretudo, pouco abrangente, aceitar uns autores como dignos de crédito só porque defendem o que nos agrada e esquecer outros porventura mais conhecedores do tema mas que defendem outros pontos de vista. Eu tenho muita dificuldade em seleccionar autores e homens de Ciência tendo como critério o seu credo político, como parece acontecer com o meu caro Manuel. Devo dizer-lhe que tenho em grande conta escritores como Máximo Gorki, Aleksandr Fadéyev, Vladimir Vasilievich Karpov e tantos outros que – que horror! – eram soviéticos. E embora correndo o risco de o deixar chocado, digo-lhe que prefiro, de longe, um bom comunista a um mau católico. Mas quero também lembrar-lhe – veja lá a ironia – que houve autores católicos que se referiram ao tema: “O tratado trouxe ao governo nacional-socialista, considerado por quase todo o mundo como sendo formado de usurpadores, quando não bandoleiros, o selo de um acordo com a força internacional mais antiga, o Vaticano.” (Joseph Rovan, autor católico).
    “Império e Igreja consistem em uma série de escritos que devem ajudar na construção do Terceiro Reich, já que reúne um Estado nacional-socialista e a cristandade Católica.” (Michael Schmaus, professor de teologia em Munique).
    Não quero alongar-me mais para não abusar da paciência dos eventuais leitores, mas posso garantir-lhe que não faltam testemunhos de autores credenciados sobre este tema. Disponha.

  25. MAGRIÇO says:

    Caro Xico, começo por agradecer-lhe o conselho que dá sobre leitura, porventura o melhor que se pode dar a alguém, embora no que a mim diz respeito não tivesse sido necessário, já que a leitura é a minha ocupação favorita. Acredito que não leia tanto como o meu caro Xico, mas pode crer que leio o suficiente. Também acredito que deve ter dados que lhe permitam afirmar que “O canal História está a soldo dos americanos capitalistas” – confesso que esta sua referência ao sistema americano me deixou um pouco admirado, vá lá saber-se porquê… – mas olhe que já tenho visto programas deste canal que não tecem propriamente elogios ao tão celebrado modo de vida americano. Estou a lembrar-me de um, por exemplo, que focava as singularidades sexuais – para usar um eufemismo – de todos os presidentes, e outro bastante contundente para a versão oficial do assassinato de John Kennedy, para além de outros que se debruçavam sobre a nossa História. E tem razão: o papa, enquanto senhor feudal, acompanhou os costumes da época. Pena que tenha ficado por lá…

  26. Pentesiléia says:

    Caro Magriço, subscrevo incondicionalmente estas suas posições. Deixe-me dizer-lhe que fico sempre agradada com a forma clara como expõe as suas opiniões.

  27. MAGRIÇO says:

    Muito obrigado cara Pentesiléia, é muita simpatia sua.

  28. Estimado Magriço, está sem dúvida de parabéns! Excelente argumentação: lúcida, elegante, sensata!

  29. MAGRIÇO says:

    Muito obrigado, cara Isabel. É muito gentil.

  30. Nuno Machado says:

    Tenho tido a oportunidade de seguir episodicamente o sólido e importante pensamento do autor deste texto. Gostaria aqui de deixar alguns comentários construtivos relacionados com o tema. Penso que não poderemos ser tão hostis com a relegião de um ponto de vista utilitário. Muitos cientistas de primeira linha apontam para vantagens evolutivas da relegião e das moralidades defendidas por essas religiões. Não é liquido (nem há evidencia) de que mil e uma propostas mais ou menos utopicas funcionem melhor ou tragam mais felicidade para a sociedade como um todo que o que existe! Cientistas de primeira linha como os que escreveram “not by genes alone” que desenvolvem a teoria da hereditabilidade dupla apontam os valores tradicionais como superiores em termos evolutivos a qualquer proposta humana (dada a nossa ignorância). Concordo com o facto da posição teista não ser razoavel.Racionalmente não teria dificuldades (penso eu…) em que alguém afirmasse que acreditava em Deus apesar de saber que a probabilidade da sua existencia é muito baixa, estando essa pessoa mais interessada na felicidade do que na verdade (nunca me cruzei com uma pessoa assim).
    Obrigado pelos seus excelentes escritos

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