Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?

euroSugestionado pelo título de uma série televisiva americana, ‘O Dia em que a Terra não Aguentou’, ocorreu-me formular a pergunta: “Qual o dia em que a União Europeia não aguentará?” E, de seguida, coloco outra questão: “Esse dia está próximo ou nem sequer se deve imaginar como provável?”

Por muito e esmerado esforço mental, sou incapaz de responder convictamente às duas questões. Valho-me da informação avulsa, e tanto quanto possível credível, publicada em diversas fontes de comunicação social e não só, e mais atabalhoado fico. Vejamos então:

A) O “The Guardian” informa:

O FMI adverte a possibilidade de catástrofe, pelo facto da Comissão Europeia contestar a Standard & Poor’s sobre a descida dos “ratings”.

A notícia do jornal inglês é, de resto, bastante extensa e não deixa de fora outros focos da crise: “Alemanha não vê razão para reforçar o fundo de resgate da Zona Euro, apesar da descida da notação da França”; “O incumprimento da Grécia não é impossível”; “Sarkozy pede a Espanha que mantenha o lugar no BCE, apesar da Finlândia e a Holanda o ambicionarem”;”O BCE reforçou o seu programa de compras de dívida na semana passada, mesmo antes da S&P cortar o “rating” a nove países”…

B) Leio o “The Irish Independent” e fico a saber:

Joan Burton está simplesmente a dizer uma verdade óbvia sobre um segundo resgate…porquê silenciá-la?

 Joan Burton é a Ministra dos Assuntos Sociais da Irlanda e teve a coragem de afirmar que, de facto, o seu país precisa de recorrer a uma segunda “ajuda externa” (FMI-CE-BCE). O Primeiro-Ministro e o Ministro das Finanças irlandeses ficaram perturbadíssimos com as declarações. Mas, segundo o analista Johnny Fallon, a despeito da tal austeridade que tão bem conhecemos, o país não tem meios financeiros e não poderá pagar taxas de juro de 8% quando é possível usufruir de uma taxa de 3% com recurso ao segundo resgate – aqui para nós: só não compreendo por que razão escapou às sanções da S&P -.

Regressemos, agora, a casa. Com o “soco do estômago” da S&P – coitado do Coelho já está tão “gastro combalido” –, o “Diário Económico” dá conta de que o risco da dívida portuguesa atingiu um máximo histórico. Que fazer? Cambada de atados! Exportem-se ‘Pastéis de Nata’, em força e para todo o mundo! Até os indígenas das Ilhas Papua os vão comer aos milhões.

Bom, voltemos ao princípio da conversa. A UE aguentará muito ou pouco tempo? Pelos vistos, muito, muito tempo parece não ser o caso. Aguardemos, entretanto.

Comments


  1. Na minha opinião não há nada que seja eterno. Podemos estar perante acontecimentos que durem gerações ou que até marquem uma era mas acabam sempre por ter fim. Fim esse que se pode dar através de uma evolução e não necessariamente de uma queda.
    No caso da UE espero que se tome uma qualquer medida para que rapidamente evolua.
    Caso contrário acredito que não dure muito para além de 2012.


  2. Acho que estamos mesmo a um passo da catástrofe!


  3. No dia em que a França e a Alemanha chegarem à conclusão que não vale a pena acreditar que ainda podem lucrar com a crise dos outros…
    Adeus UE. Produto para reciclagem considerado impróprio para consumo interno devido a ter ultrapassado o prazo de validade!

  4. manuel.m says:

    Porque é que a Irlanda escapou ao downgrading da S&P ?
    Uma perguntinha de algibeira :
    Que país é que está mais exposto à divida Irlandesa ?
    Uma pista : Esse país também escapou apesar de ter numeros piores do que a França .

  5. marai celeste ramos says:

    O Paquete Costa Concordia afundou há 2 dias a “dois passos” de cumprir a sua missão a dois passoa da zona de acostagem e acostou “antes de tempo” e no lugar mais errado possível por erro e incompetência de marinhagem – E a UE cumpre o quê ???Onde está a “concordia” ??? e o Leme e o rumo ?? e o “comandante” que foi o “ultimo a sair” se saíu 5 horas antes do último “náufrago” que não desapareceu o mar – mas que desaforo a aldrabar ??? e a embaixada portuesa em Roma nem deu por nada ??? E a UE afunda-se e quem se safa e não houve quem como o comandante, se tivesse precavido em 2008 e deixou os “passageiros” à sua sorte ?? De que UE falam ??

  6. kalidas says:

    Porque razão a quilo que François Quesnay avisou sobre os perigos do mercantilismo, agiotagem, não foram e continuam não sendo assunto de debate ? O resultado está à vista.

    Leiam com atenção e digam se o homem tinha razão ou não, antes de tempo.

  7. kalidas says:

    “Save the City!”, The Economist – 07.01.2012
    Esta é que é a questão, deles. Os outros, que façam o mesmo.
    Mas deste modo, dá para perceber porque razão, a coisa não pode aguentar.

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