Bernardino & Zorrinho, sociedade de irresponsabilidade ilimitada

A hora é de domínio da direita. Legítimo, mas devastador para os cidadãos. Até por esta razão,  criticar as divergências e o divisionismo de esquerda não me é fácil nem agradável.  A defesa direitos fundamentais de milhões de portugueses e, sobretudo, combater ataques de políticas iníquas do governo PSD+CDS deveriam constituir princípios imperativos e impeditivos de qualquer falta de sintonia e de unidade de toda a esquerda na acção política.

Bernardino e Zorrinho, incumbidos pelos aparelhos partidários, vieram a público declarar que PCP e PS não se vinculam à iniciativa dos 25 deputados socialistas e do BE, no requerimento ao Tribunal Constitucional a pedir a fiscalização da constitucionalidade do OGE 2012.

A harmonia e a coincidência das justificações fez-me imaginar que, nos bastidores, os dois partidos forjaram a sociedade Bernardino & Zorrinho. De irresponsabilidade ilimitada, e com o objecto específico de diminuir a probabilidade – alguma que houvesse – de o Tribunal Constitucional vir a considerar que, pelo menos no caso dos ‘Subsídios de Férias e de Natal’, há clara iniquidade e violação de direitos constitucionais da lei orçamental; isto, em prejuízo, nomeadamente, dos funcionários públicos, de trabalhadores do SEE e de reformados da f.p. e pensionistas do sector privado. Como, de resto, o PR reconheceu publicamente, acabando, no entanto, por se decidir pela promulgação. Mas a estas contradições de Cavaco infelizmente também estamos habituados.

Ao invés de se integrarem no requerimento ao Tribunal Constitucional, PCP e PS, pela voz de Bernardino e Zorrinho, acreditam  em outros meios de acção, nomeadamente no combate político. Falácias.

Comments

  1. marai celeste ramos says:

    Estou a ver noticiário da SIC 24:35 min (já 20 janeiro) com imagens de como está a Grécia mostrando como os donos dos Ferrari entraram, igualmente, em dificuldade no pagamento dos carros que já não podem pagar mais – E assim e quase de imediato nasce novo movimento económico de comércio de oiro (ja como em lisboa, aliás, até na minha rua) bem como dos carros “devolvidos” e sendo que, estes, fazem novo negócio revendendo-os para os países que os querem entre eles a Arábia Saudita
    Na minha rua (que até parece uma amostra fidedigna de certa forma do que se passa por todo o país) vi, em 2009, e durante dias seguidos, reboques que levaram quase todos os TOPOS de GAMA que existiam – aqui – e em Atenas
    Vamos ver – mas hoje comprei menos de 500 gr de uvas (que não são portugusas nem sabem a quese nada) e paguei 3 euros e qualquer coisa. E o maço de tabaco que custava 3.90 passou para 4.10 euros – mais 20 cêntimos serão 5 escudos, mas recordo que quando comecei a fumar o maço custava tanto como um litro de gasolina pelo que custaria, creio, à volta de quase 6.70 escudos – era caro mas agora é ainda mais caro e se calhar, querendo os governantes velar pela minha saúde, proibam fumar em todos os lugares fechados (concordo, mas querem estender aos locais deante de beres e restaurantes mas por enquanto ainda me permitem fumar em casa. Também um jornal diário que em tempos 8o que vale é que foi o século passado) que custava 115 tostões, tanto quanto uma bica, hoje custa o jarnal 0.90 de semana e 1.10 ao sábado e a bica “ainda” custa 09. euros (18 escudos) afinal tanto como o jornal e nem me posso assim queixar excepto quando o bebo nas DOCAS em que custa 2.5 euros, ou seja, mais de 50 escudos – Já não se pode ter um vício – tenho de me deslocalizar para o lado dos tão virtuosos, o que me xateia de morte. E ontem fui buscar uns óculos novos para escrever melhor ao computador, e fiquei espantada como me custaram, apenas 180 euros, o que em dinheiro são 37 mil escudos , mas sendo que, não estando ainda a cair da tripeça, no meu primeiro emprego ganhava, imagine-se, mil escudos que chegavam para comer e pagar propinas e sebentas, ir ao cinema e comprar bica e jornal e pagar o bilhete de transporte de eléctrico e autocarro e, ainda, ía a casa de provincia onde ficara a família e não sobrava nada mas já na altuta tinha, como hoje, a mania de não pedir nada a ninguém e viver com o que tinha – como hoje mas receio bem que não vá chegando. Ah !! esquecí-me, ía às matinés clássicas do Tivoli, e mesmo ao Império (ocupado entretanto há anos por aquelas seitas brasileiras) ía ao S.Carlos (onde os estudantes ficavam no “piolho” ou na entrada, de pé, pois era só lá (ainda) que havia Ballet e Ópera que eu adorava, mas sendo que ainda hoje alguém disse que ir ao S. Carlos é fogo. O que eu fazia com mil escudos e quando passai mais tarde a ganhar 2.2600 escudos, comecei a ir a Paris de avião – não precisava de fazer globetrotter nem inter-rail.Não quero andar para trás em nada mesmo que se fosse possível, pois que estou só a recordar e comparar os que custava o quê, mas agora nem sequer dá para o que quereria que desse !!! tudo isso sem fazer muito bem contas. Mas se calhar serei parvalhona como sempre e desde que tenho “o meu dinheiro só meu” pois que continuo a não querer dever nada a ninguém, mas não é que há quem me tire ou saque do meu logo na fonte sem eu poder evitar, para pagar não sei quê não sei sequer a quem ??? Ai como sou rica a alimentar comilões – pois é a classe média que é responsável por 90% da produção de riqueza nacional (que nível de classe média ???) – os tipos não são parvos e vão buscar onde pensam que há — ainda !! ?? para engordar gulosos e o que também me xateia é que não se fala de outra coisa que não seja crise e crise e ratings desde 2008 – estou mais do que farta e agoniada “de me apetecer” vomitar

  2. MAGRIÇO says:

    Pelo seu passado de luta contra o Salazarismo, tenho alguma admiração e respeito pelo PCP que não consigo sentir pelos partidos que se formaram quando não havia risco, com o único propósito do assalto ao poder em segurança. Não posso, contudo, deixar de sentir alguma erosão deste sentimento devido a práticas e comportamentos que me são difíceis de compreender. Foi assim na legislatura anterior, em que a sua acção contribuiu decididamente para a ascensão ao poder da mediocridade que todos sentimos na pele, e agora com a recusa em apoiar o envio dos diplomas sobre o roubo de salários para o TC. Espero que este comportamento autista seja rapidamente ultrapassado.

  3. Observador says:

    A esquerda, acantonada nos seus quarteis, ainda não percebeu que a supressão de “fronteiras” alterou substancialmente os argumentos e tática do seu combate.

    Nas últimas eleições, tentei convencer alguns estratificados pensadores, sobre as vantagens em unirem esforços e apresentarem listas conjuntas, nem que fosse só em distrittos em que por razões várias, a esquerda nunca tivesse eleito ninguém. Resultado?…

  4. Carlos Fonseca says:

    Magriço,
    Também reconheço o papel histórico do PCP no combate ao salazarismo. Todavia, na hora actual, a questão é outra: unir toda a esquerda, ao menos em torno de questões fulcrais para a vida dos portugueses.
    Observador,
    Na sequência do digo acima, considero que a esquerda, ao contrário da direita, tem uma dificuldade enorme em unir esforços à volta do essencial, desprezando diferenças. O PS, dividido e inseguro, também não parece capaz de retomar os caminhos da esquerda, a cujo acesso o sectarismo do PCP também desajuda.

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