Dos fracos reza a História

Quando olho para a História do meu País, não consigo descobrir muitas figuras de que me sinta orgulhoso e não me apetece perder muito tempo a pensar se noutros países seria diferente. Preocupa-me, isso sim, que o País em que vivo seja consequência dos actos de uma enorme quantidade de personagens medíocres que nos têm governado e que “a apagada e vil tristeza” pareça ser a nossa condição, pelo menos, desde 1143.

Na realidade, as personagens principais da nossa História têm revelado demasiadas fraquezas para que pudéssemos ser melhores. Basta ver que a figura histórica mais importante do nosso século XX será, sem dúvida, um ditador tacanho que contribuiu decisivamente para um atraso que, ainda hoje, nos faz ter medo de existir, como lembrou José Gil.

Ao fim de quase quarenta anos de Democracia, é evidente que Cavaco Silva terá direito a mais páginas do que Salgueiro Maia e isso será sempre, para mim, a prova de que é dos fracos que reza a História, porque não há comparação possível entre a generosidade nobre de um homem que não se aproveita da revolução que fez e a pequenez de um economista cuja visão não vai além das vacuidades que frequentemente profere, como foi o caso recente das declarações sobre as suas próprias dificuldades financeiras, declarações que envergonhariam quem fosse capaz de sentir vergonha.

Há um ano, Cavaco Silva foi reeleito Presidente da República. Há seis anos que o principal magistrado da nação é um homem sem grandeza, sem golpe de asa e, talvez por isso, seja o nosso melhor representante. Mesmo provocando o riso – sempre amargo – é útil reler algumas das suas principais declarações.

Comments

  1. Observador says:

    Concordo com o “post”.

    Mas isto, só vem reforçar a ideia: “cada povo tem os governantes que merece”

  2. Margarida Alegria says:

    Nem mais!
    Subscrevo! 🙁

  3. mortalha says:

    Caro Observador,

    Permita-me discordar. Não quero parecer condescendente mas este povo merecia muito mais. Está bem que politica e ideologicamente é fraco, falta-lhe garra para o que realmente interessa, maioritariamente preferem o facilitismo e acomoda-se facilmente. Mas é um povo genuinamente carinhoso que sabe dar valor aos sentidos e sentimentos que a vida num cantinho à beira mar plantado proporciona. É por isso que valerá sempre a pena lutar por ele, mesmo que seja se lute com azia.

  4. Nightwish says:

    É como o cancro, ninguém merece isto.

  5. ainda penso says:

    Uma apreciação muito fiel aos nossos representantes. Concordo e susbcrevo

  6. carla says:

    salazar eterno

  7. carla says:

    tacanho mas nao ladrao….nem corrupto….ao tempo que se pede o fascismo nestes ditos paises do sul da europa que so produzem ao som do chicote deixem-se de merdas …..o fim da amada patria começou dia 26 de abril de 1974

    • António Fernando Nabais says:

      Ó Carla, deixe-se de merdas! Um homem que roubou a alegria e a liberdade a um povo não é ladrão nem corrupto? A menina até deve sonhar com o regresso aos tempos em que as mulheres apanhavam obedientemente dos maridos e não podiam protestar. É assim mesmo!

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