Uma carta à Sociedade Portuguesa de Autores sobre o #PL118


Texto removido pela SPA

Querida Sociedade Portuguesa de Autores,

espero que esta forma de me dirigir à Sociedade não seja por vós vista como cheia de “agressividade” nem de “insulto“. Espero que, igualmente, não me olhem como estando “representando interesses nebulosos” nem a “própria pirataria no espaço digital“, já que isso seria agressivo e insultuoso, para além de ser falso.

Posto isto, venho reclamar por ter deixado de estar no vosso site um texto que havia citado, assim podendo deixar os leitores na dúvida sobre a exactidão da minha transcrição. Mas, ainda pior, face à escolha do que havia citado, poderá haver o risco de julgarem que o vosso carinhoso texto fosse um chorrilho de patranhas pejado de propaganda. Por isso, enquanto não reconsideram a republicação desse texto que evitará equívocos, disponibilizo uma cópia obtida no Google Cache, assim vos poupando ao risco de serem mal interpretados.

Já agora, quando repuserem esse texto, aproveitem também para disponibilizar de novo o vosso relatório de contas porque – sabe-se lá? – a cópia que por aí circula pode ser sido aldrabada e poderá a Sociedade não estar nada na falência como afirma.

Já que estamos em tão cordial e agradável conversa, aproveito para comentar alguns aspectos da vossa última comunicação. Diz a amável Sociedade Portuguesa de Autores que se apoia na razão que lhe assiste. Permitam-me discordar e, por favor, não me achem mal educado por isso. Ora se eu tenho neste momento quatro discos rígidos em casa que uso para guardar os meus vinte anos de actividade profissional, se vou precisar de comprar mais armazenamento para digitalizar anos e anos de fotografias com o scanner que comprei neste Natal, se a minha reflex enche cartão 4GB numa sessão de fotografia, digam-me, perante esta minha actividade porque hei-de pagar direitos de autor por cópias que não estou a fazer?

Usando os vossos termos, e se os estão a usar com certeza que não são insultuosos nem agressivos, acho este projecto de lei pelo qual lutam “revelador não só da dimensão dos interesses que se movimentam nos bastidores desta campanha, mas também de profunda má-fé ou ignorância“. Usando a vossa analogia, tentem na simpática Sociedade Portuguesa de Autores “fazer o mesmo num hipermercado ou numa farmácia e verão que sorte lhes está reservada“.

Termino aproveitando para sublinhar que, se aqueles que esgrimem argumentos pretendem “condicionar os deputados que em sede parlamentar irão votar na especialidade o novo diploma legal“, também o abaixo assinado que a voluntariosa Sociedade Portuguesa de Autores está a promover tem exactamente o mesmo objectivo. Plena de boa vontade, não defenderá a Sociedade um duelo com armas desiguais, pois não?

Subscrevendo-me com carinho e mimos – e na esperança de nem ter sido agressivo nem insultuoso, recebam os melhores cumprimentos.

Lisboa, 1 de Fevereiro de 2012

Post scriptum: gosto muito do banner que diz “só na SPA e com a SPA terá os seus direitos e interesses protegidos”, especialmente naquela parte que respeita o uso do nome próprio sem consentimento prévio.

Post post scriptum: para acabar de vez com as dúvidas sobre qual é o valor dos direitos de autor cobrados que são entregues aos artistas e assim calando essas vozes maldizentes, aqui vos deixo a ideia, livre de direitos de autor, de publicarem um comunicado esclarecendo este assunto.

Comments

  1. Excelente! Algo me diz que não te vão responder, pelo menos da forma que esperas. Por outro lado, julgo que estás a infringir o direito de cópia da SPA ao publicares a carta (reservam todos os direitos). A tua sorte é não termos ainda uma lei similar à Ley Sinde espanhola, ou às famosas SOPA e PIPA dos EUA. Caso contrário o Aventar seria imediatamente fechado – sem julgamento nem juiz.

    Outro aspecto interessante é o completo desconhecimento que esta gente tem sobre a forma de funcionamento da Internet….

  2. Boas.

    Bom artigo!

    falta referir “algo”.

    Estudando o orçamento para 2012 chega-se a muitas conclusões giras:
    http://www.spautores.pt/assets_live/4872/plano_e_or_amento_2012.pdf
    (convém guardar…)
    Entre contradições no texto (continuar politica de rescisões vs não vamos mandar ninguém embora) e números interessantes (para onde vão os 30.681.691.53€ de euros em cobranças? e de uma receita de 7 milhões e pouco mais de Euros, 5.6 Milhões vão para “gastos com pessoal” – trabalha lá *muita* gente, com certeza) há muita leitura interessante..
    Julgo que deva ser analisado com cuidado. Isto apenas para os poder alertar de algum lapso, claro!!

    Digo eu
    Reservados todos os direitos deste texto. (assim tb tenho direito a taxa?)

  3. Uma questão para a SPA:
    Onde eu trabalho consomem-se dezenas de CD-ROMS e folhas de papel para gravar os trabalhos que fazemos e entregamos nesses formatos aos clientes que os pagam (ou não!).
    Sendo que o conteúdo dessas impressões e CD-ROM é da nossa autoria, a quem devemos pagar direitos para gravar e copiar os nossos próprios trabalhos?
    Grato pela atenção.

    • A ninguém…rigorosamente ninguém….conforme decreto lei, qualquer autor pode usar a sua obra como bem intender…a GDA apenas pode cobrar direitos a quem use uma obra ou varias de um seu representado….alguém que esteja inscrito nessa associação.

  4. Quanto aos feriados, independentemente do “conteudo” de cada um, ou melhor, para além, do conteudo de cada um , é um disparate, uma aberração, achar-se que estar mais tempo “no local de trabalho” equivale a aumentar a produtividade.

    Nem Salazar no seu – dele – melhor tal imaginaria…é horrendo…..

    Só se melhora a produtividade com produtividade, com uma melhor organizaçao, que vai do topo à base. Do topo….temos maus patroes e claro maus empregados…daí a nossa menos boa produtividade…

    Mas ir pela reduçao de feriados, aumento de meias horas,etc…não, não!!!!

    Mas vamos docemente ao fundo….sem feriados…..

    A culpa é de todos…todos, até nossa!!!!!!!!!!

    augusto Küttner de Magalhães

Trackbacks

  1. […] dos autores acabe, ela mesmo, a usar o nome desses autores sem para tal ter permissão. E que cada 100 € de taxas cobradas sob o pretexto de direitos de autor apenas reverta em 21,6€ distribuídos aos autores e […]

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