Igreja, PSD, família e CDS – quo vadis?

Pedro Lomba, no Público, a propósito do PSD escreve que:

“O pensamento social da Igreja influenciou Sá Carneiro, esteve presente nos debates constituintes, inspirou a consagração da dignidade humana, contrabalançou o lastro marxista (existe até um estudo de Adriano Moreira sobre isso). Eu percebo que por razões tácticas ou por alguma falta de memória o PSD não explicite as suas origens. Mas é verdade que a doutrina social da Igreja, tal como resulta de diversos textos, encíclicas e intervenções, moldou o seu ideário, transformando-o num partido fortemente crítico do colectivismo socialista e do puro liberalismo económico.”

E, no site do anexo governamental, onde até existe uma secção sobre a família podemos ler que:

O governo socialista, durante este último mandato, insistiu em ver a família como uma estatística, um mero conceito ideológico ou um indicador social, disponível para ser intervencionado ou alterado. (…)

E sugerem que:

“Cada família é um todo, uno e único, irrepetível com uma identidade familiar própria que vai construindo ao longo do tempo.

Para que a sociedade possa evoluir de uma forma saudável, tendo por objectivo o desenvolvimento integral da pessoa, revela-se fundamental a existência de uma política de verdadeiro apoio à família em todas as suas vertentes; quer financeira, quer cultural, quer educacional. (…) Porque temos uma visão da sociedade em que a família é central, com naturalidade consideramos que, na próxima legislatura, as políticas familiares têm de “contaminar”, no melhor sentido da palavra, as várias políticas públicas.”

Será legítimo perguntar: com este paleio como é que têm coragem de sugerir a mobilidade forçada em todo o território nacional?

Da parte do CDS, até se percebe porque estamos na presença de um conjunto de meninos que nunca fez nada na vida e sempre viveu à custa dos papás ou do estado! Mas, do PSD?

Não se entende! Ou então, o PSD que hoje nos governa não é o PSD! É outra coisa!

Como é possível manter um Governo em que o primeiro-ministro mente?

Comments

  1. Sebastien says:

    O PSD é social-coisinha para enganar gente que quer iniciativa e viver sem estado. É xuxialista mais-ó-menos. É o partido da cunha.

    Logo no poder é a fartazana de pequenas oficinas a surgirem (o empreendedorismo tuguita) …mas a viverem à custa das autarquias e do poder central…ram-ram que acabou porque de mão estendida…

  2. mortalha says:

    a família PSD é como a família siciliana… negociatas, extorsão e abusos de poder são os valores da dignidade humana em que eles acreditam. loureiro, silva, jardim, laranja, até parecem os verdes… mas é tudo fachada. o carneiro se não tivesse já morrido, suicidava-se com o desgosto.

  3. Bone says:

    Ninguém pode servir a dois senhores…

  4. Tito Lívio Santos Mota says:

    Não é que eu gostasse muito do Sá Carneiro. Até emigrei para França em grande parte porque “já não podia mais” como o governo da AD.
    Mas….
    Se a Igreja influenciava Sá Carneiro, pelo menos ele soube passar por cima para retirar a homossexualidade dos códigos Civil e Penal, fazer votar pelo seu grupo parlamentar a proposta do PCP de despenalização do Aborto (chumbada pelos votos conjuntos do CDS e do PS de Mário Soares), etc.
    Sá Carneiro viveu maritalmente com uma senhora que sempre apresentou como sua legítima companheira e só não se divorciou por recusa categórica da primeira esposa (católica).

    O problema do PSD é que sendo herdeiro de deputados da ANP marcelista, acabou por retornar à “casa mãe”.
    Estranhamente a viragem, tanto no PSD como no CDS, passou-se após o “acidente de Camarate”.
    O que me impede de tirar da cabeça certas conclusões que cada vez criam mais raízes no meu cérebro.

    Tito Lívio Santos Mota

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