O lugar da mulher

Monteiro de Castro, o mais recente cardeal português, afirmou que a família devia ser mais apoiada para que as mães pudessem estar mais tempo em casa.

Devo dizer que concordo, em boa parte, com aquilo que defende Monteiro de Castro: as famílias não são suficientemente apoiadas. Pelo contrário, são constantemente agredidas, especialmente por este governo, em que, curiosamente, os católicos até estarão em maioria.

É claro que há quem considere que palavras como “agressão” ou “exploração” são demasiado fortes. Acredito, no entanto, que retirar direitos ou reduzir salários ou aumentar impostos são medidas cuja designação mereceria palavras cuja intensidade deveria ir além daquelas.

De um clérigo católico de 73 anos, no entanto, seria difícil esperar mais do que a defesa conservadora de que o lugar da mulher é em casa ou que cabe à mulher o papel de educar os filhos. Monteiro da Costa já não terá condições para perceber que muitos homens sentem hoje como fundamento da sua vida a paternidade, o que não significa pôr em causa o papel de nenhuma mãe. Monteiro da Costa já não conseguirá perceber que há homens e mulheres competentes e amantíssimos a educar filhos sem a presença de um cônjuge. Monteiro da Costa dificilmente entenderá que a realização pessoal de pais e mães não se confina à sua condição de progenitores. É natural que assim seja: Monteiro da Costa está no topo da hierarquia da Igreja Católica.

Comments

  1. Tito Lívio Santos Mota says:

    o tal cardeal de 73 anos é um jovem, do ponto de vista da Vaticano.SA.
    E têm razão, basta ver a média de idade dos administradores doutras obras de “beneficência” como a Moody’s ou a S&P.

    Quanto às bacoradas do dito cujo, é engraçado constatar o pouco impacto que tiveram no país campeão europeu de trabalho feminino (o que é, para qualquer pessoa normalmente constituída, uma razão para ter algum orgulho em Portugal).
    A razão é que estamos habituados a ver a Igreja como uma inimiga jurada do bem estar do nosso país. Isto desde a excomunhão de D. Sancho.
    Alguém se admirou que apoiassem D. Miguel ou Salazar?
    Claro que não.
    Porque é que nos admiraríamos agora?

    Tito Livio Santos Mota
    PS: é verdade que “donas de casa desesperadas” podem ser um excelente derivativo à pedofilia. Nisto, dou-lhe toda a razão.

  2. MAGRIÇO says:

    Marcel Lefebvre deixou escola! Aliás, salvo muito raras excepções, o clero português sempre se pautou por um conservadorismo parolo que tem influenciado, e muito, as escolhas políticas de um extracto da sociedade mais chegada à igreja.

  3. xico says:

    O cardeal não disse que o papel da mulher era ficar em casa. O que disse era que o mercado de trabalho devia dar à mulher maior possibilidade para a educação dos filhos, tarefa primordial de qualquer pai. Ninguém se revolta com o facto de o parlamento europeu não permitir que as deputadas possam ser mães. Isso é que é reaccionário e não o que o cardeal disse. Nos países nórdicos, de raiz socialista e não católicos, o papel da mulher como mãe é privilegiado nas relações de trabalho.

  4. kalidas says:

    O tempo do posso quero e mando já passou. O sr cardeal não deve ter filhas, então deixe as filhas dos outros deciderem como muito bem ententerem, porque é esse o seu direito natural.
    .
    Quer ajudar quem trabalha e a resolver o problema do país? Dedique-se à rigorosa observância da doutrina social da Igreja, aquele descrita segundo a encíclica Rerum Novarum do papa Leão XIII, denuncie quem prevarica o que lá vem determinado, ameace-os com o Inferno, rogue-lhes um boa praga; tão eficiente quanto objectiva.
    .
    Faça isto, actue sempre que lhe ocorra pensar, no que as filhas dos outros, deveriam fazer.

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