
Num normalizado artigo de encher pneus em que requenta a sua expressa opinião do costume, o balsemado valentão-anti-cobardes Daniel Oliveira espuma por Passos Coelho não ter aderido ao documento glosado por David Cameron. Em boa verdade, muito daquilo que lá está escrito poderia ser suficiente para o governo português assinar de cruz, como aliás habitualmente tem feito desde há mais de trinta anos. Mas simplesmente não pode agora fazê-lo de ânimo leve. Porquê?
O sistema que pariu e tem mantido os danieisioliveiras, é precisamente aquele que hoje se encontra em apuros e sob o fogo cerrado dos mesmos eternamente irados danieisoliveiras. É o esquema do subsídio à farta para o mau cinema votado às moscas, para os grupos teatrais do rebola no chão e bate na lata, o subsídio para resmas e resmas de ilegíveis opúsculos de e para amigos, das fundações e gabinetes de comparsas, etc. O dinheiro acabou e isso parece insuportável, urgindo recorrer à chantagem para que o caudal volte ao leito a que se habituaram. Tarde demais, é impossível.
O país faliu, aderindo sem sequer poder manifestar-se em referendo, a uma Europa que lhe tirou as ferramentas capazes de garantir uma frágil mas até então segura subsistência. O articulista deverá compreender de uma vez por todas que a loucura consumista acabou e não se vislumbra qualquer tipo de data para uma “retoma” do vício. Os danieisoliveiras quiseram o Euro e puderam fazer figura de compinchas ricos com “ar de estrangeiros”, viajaram, foram aos music-hall em Londres, andaram em solidárias marchas aqui e ali, viram exposições de parafusos como arte e tostaram o lombo em resorts caribenhos (1). Acham piada ao Castro, jamais o atacam porque pareceria mal – até porque gostam de charutadas – e admiradores dos tempos em que os russos ocupavam metade da Europa e tinham apontados SS-20 a Lisboa, Porto e Setúbal – nunca organizaram uma única “manifestação popular e pacifista” contra o facto -, estes danieisoliveiras andam com gorgolejos intestinais pelos negócios que Portugal tem celebrado com os ex-camaradas do MPLA. Há uns quinze anos, arremetiam contra a UNITA, um terrível bicharão pago pela CIA, no MPLA de J.E. dos Santos encontrando o “lídimo representante” do povo angolano. O comunismo foi pelo Futungo de Belas varrido do mapa, levantaram-se as tendas dos negócios, a filha do ex-camarada desfrizou a cabeleira e por Lisboa se passeia burguesmente em compras. Aqui está mais um “inimigo de classe”, mesmo que essa classe seja precisamente a dos danieisoliveiras.
Portugal é hoje um país oportunista na cena internacional? É sem dúvida e estará por muito tempo condenado a sê-lo, mercê do desastre a que o actual regime o conduziu, destruindo a sua estrutura económica, desvairando as suas finanças, chocando no ninho trupes de vigaristas de Estado e desviando a sua segura e tradicional política externa, para uma aventura europeia sem nexo. Os danieisoliveiras odeiam a Alemanha que é precisamente quem garante alguma coerência a essa Europa que calcularam radiosamente unida e “em igualdade”. Mas será possível a possível, tratando-se de uma união entre desiguais? O espírito parasita do “viver à conta” num sistema em os convivas preguiçosamente se despiolham mutuamente, alastra então do microcosmos português onde o subsidiozinho enche algumas ávidas barrigas, para a imaginada grande política internacional dentro da U.E. Assim sendo, a “Alemanha deve pagar”, um velho refrão de outros tempos e que serviu para o que se sabe e a geração dos pais dos danieisoliveiras estrangeiros teve de suportar sob um dilúvio de bombas.
Diz agora o sempre indignadamente iracundo escriba que …“a marca do que somos, como Nação, fica para sempre. Se os outros não se lembrarem, lembrar-nos-emos nós. Não é por acaso que somos um povo com tão baixa autoestima. Há tanto tempo que, como País, não fazemos nada de que nos possamos orgulhar.”
Nisto tem razão e à gente do esquema dele o devemos: Portugal tornou-se num malcheiroso mierdero.
(1) Para nem sequer falarmos dos negligenciados casos de polícia BPN, BPP, PPP, etc, etc.






Tranquilo, um pouco menos de agressividade na escrita… Antes do fim do primeiro parágrafo já tinha desistido de ler por causa disso.
Miguel, diga o mesmo ao Daniel Oiveira. Cada artigo, cada farpada, cada insulto. Se uns podem, eu também posso.
Infelizmente, estamos onde estamos porque alguns ainda não se aperceberam que não são os subsídios à cultura que enterram o país e entregam as migalhas à nobreza.
E mais não vale a pena dizer
Pois é, nightwish, estamos de acordo. Isto, num país onde o património cai aos pedaços, onde não há verbas para uma decente apresentação e gestão dos museus, onde os edifícios públicos (históricos) estão em ruínas. Não são estas pedras cultura? Não se habituou ainda à completa falta de monitores que proporcionem visitas a museus? Quantos disparates já terá ouvido em comentários imbecis balbuciados por funcionários que tanto poderiam estar a trabalhar num museu como na cafetaria do mesmo?
Note que não se trata de uma crítica aos subsídios à cultura, mas sim ao amiguismo disfarçado de…cultura.
O Sr. Castelo Branco explique-se p. f.: porque é que nos “maus subsídios” não incluiu os do BPN, os dos submarinos, os das PPPs, etc.?
Recordo-lhe que para esses continua a haver dinheiro!
Luís, nem sequer é preciso explicar coisa alguma. Qualquer um – menos os envolvidos nas tramóias – sabe tratarem-se de casos de polícia. Nem sequer me recordei dessa evidência, mas já agora lhe digo que o tal BPN, PPP, etc, deviam estar à cabeça no referido parágrafo. Nada de confusões!
Por mim… temos que dar mais uns 10.000M€ a juro negativo à Banca Privada Portuguesa…