O labirinto

adão cruz

O labirinto tem que ter uma porta uma saída um caminho que não encontro.

Sei que sou buraco de mim mesmo mas não é por aí que eu quero sair.

Meu sonho é ser um pássaro voar na proporção do amor sem medo nas penas…

Meu pesadelo é ser um homem à medida do vento arrastando a vida.

Há pessoas que têm dentro de si uma eterna paisagem uma manhã de luz uma tarde de azul.

Ainda que as nuvens se eternizem entre elas e os passos brilham as estrelas.

Eu sou apenas caminho andado sou fim de tempo resto de palavras e gestos perdidos na eternidade de um dilema.

Já não giram os turvos olhos mortos nem os lábios descarnados suspiram.

Já o coração não treme e a alma desliza pela neve fria.

Foi-se embora o cheiro a alfazema.

Entre o silêncio das árvores e o rugido do mar há-de haver um verso para acabar o poema

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