Avaliação de Professores, concursos e congelamento da carreira

O Ministro Nuno Crato entrou na cousa educativa com um problema – a avaliação dos professores. Por um lado, a direita liberal exige que tal coisa seja uma realidade, mas por outro, a direita dos votos que o levou ao poder tinha-se comprometido com  o fim de tal monstruosidade.

Vai daí, o decreto que regula a avaliação dos professores, recentemente publicado, é uma espécie de golo que não entra, é mas não é. Duas citações para provar tal argumento:

– no artigo 5º: “Os ciclos de avaliação dos docentes integrados na carreira coincidem com o período correspondente aos escalões da carreira docente.”

Pergunto: com a carreira congelada, qual é o período que corresponde a algo que está congelado. Isto é, se o tempo não está a contar, qual é este período?

– nas disposiçõs transitórias são umas a seguir às outras:

1 — Após a avaliação do desempenho obtida nos termos do regime estabelecido no presente diploma, no final do primeiro ciclo de avaliação, e observando o princípio de que nenhum docente é prejudicado em resultado das avaliações obtidas nos modelos de avaliação do desempenho precedentes, cada docente opta, para efeitos de progressão na carreira, pela classificação mais favorável que obteve num dos três últimos ciclos avaliativos.

(…)

“4 — O ano escolar de 2011/2012 destina -se à concepção e implementação do instrumento de registo e avaliação e à formação dos avaliadores internos e externos, não havendo lugar à observação de aulas.”

Mesmo para quem não é professor e chegou a esta linha do post, já deu para perceber como isto é feito numa espécie de reino virtual, talvez inspirado no outro lado do espelho da Alice.

Mas há mais!

Reparem – o recente acordo entre o MEC e alguns sindicatos, retira a importância que a avaliação tinha na graduação dos contratados.

Isso mesmo: a avaliação não conta para nada!

Para os professores dos quadros, como não há progressão, não há efeitos da avaliação.

Para os contratados, uma vez que a questão da progressão não se coloca, também não faz qualquer sentido serem avaliados porque não tem qualquer efeito nos concursos.

Esta é a hora dos professores mostrarem o absurdo da situação e fazer uma exigência:

– deixem-nos dar aulas, deixem-nos em paz o tempo suficiente para tornar as escolas locais sérios e de trabalho. Um dia destes a gente volta a falar da trapalhada da avaliação, por exemplo, quando descongelarem a progressão na carreira.

Fica a sugestão aos sindicatos.

Comments

  1. Isabel says:

    E se num ciclo o docente não teve muito bom ou excelente por via das cotas e no outro a mesma coisa. Escolher o quê? Dá vontade de os mandar a todos às urtigas.

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