Márcio Marques: A minha figura

Armindo de Vasconcelos

Ainda não se perderam os ecos da vitória total da selecção portuguesa de hóquei em campo no Europeu júnior do Jamor e a granjeada promoção ao Championship II, cujo campeonato Portugal irá disputar em 2014, defrontando, em função dos resultados da prova que decorreu em Cernusco (Itália), a Rússia, Ucrânia, Itália e Suíça. Áustria e Polónia ascenderam ao Championship, a elite europeia. República Checa e Bielorrússia foram os últimos classificados e serão despromovidos ao Championship III. De 26 de Agosto a 11 de Setembro, terá lugar a verdadeira prova da alta-roda do velho continente em Den Bosch (Holanda,) e os últimos, ao serem despromovidos, serão também adversários de Portugal.

Mas a minha figura de hoje é o treinador adjunto da equipa nacional. Que me perdoe o Rui Graça (com quem fizemos, aliás, um trabalho aqui publicado), o enorme respeito que nutro por ele, a grande e velha amizade que nos une, mas, hoje, eu quero falar de Márcio Marques.

Faço-o porque o Márcio é uma referência na modalidade. Como muitos outros, eu sei, que se desdobram em múltiplas actividades, em sacrifícios plurais, para não deixar cair uma modalidade de que gostam muito e que só tem pernas para andar se os seus agentes assumirem essa pluralidade de trabalhos e sacrifícios, suores e renúncias, de doação extrema.

Aqui, neste mundo de dedicação apaixonada, há atletas que acabam um jogo e vão a correr, fazem quilómetros, para que outro jogo se realize com árbitros: eles vão arbitrá-lo! Para que os miúdos de outro escalão tenham treinador no banco: eles vão dirigir esses miúdos. Ou fazem, uns e outros, o percurso inverso: apitam, orientam e vão a correr para o campo para defender as suas cores como atletas. E os mais jovens atletas são obrigados a jogar por mais de um escalão. É assim por aqui!

O Márcio interpreta essa vertente, e, neste momento de glória, eu homenageio nele todas as outras dedicações: ele joga na Académica de Espinho, é guarda-redes internacional (vestiu por 55 vezes a camisola das quinas) e é vice-campeão europeu “indoor”. Ora, para além disso, como treinador, ele representa o Sport Clube do Porto e comandou muitos destes últimos campeões no seu campeonato da formação, ao mesmo tempo que os defrontou, como adversários, no campeonato sénior, onde todos jogavam também.

Talvez por isso (e, se foi, ainda bem que a Federação o reconheceu), Márcio Marques foi o escolhido para treinador adjunto desta selecção que acaba de nos encher de orgulho.

É uma das muitas histórias que ilustram a realidade do hóquei em campo, onde, de tempos a tempos, se criam bolsas de formação (desde os velhos tempos do Vilanovense, sob a batuta de José Nora e José Machado; passando pela Académica de Espinho de José Catarino, pelas escolas de Lousada – AD Lousada e, mais recentemente, o Juventude HC -, pelo Sport Clube do Porto de Jorge Almeida, Mário Almeida, Fernando Ribeiro e Márcio Marques; ou pelo GD Viso e pelo GD da Carris, em boa hora regressados à prática da modalidade; sem esquecer o Lisbon Casuals HC e o CAMIR de Mirandela, das mais jovens realidades desta casa comum.

Por tudo isto e pelo que a sua atitude serve de exemplo, eu quero, hoje e aqui, lembrar que nas modalidades amadoras – e mais amadorismo do que no hóquei não há – são estes exemplos que mantêm viva a chama do desporto, num autêntico serviço público de qualidade que o país tantas vezes desconhece e cujo relevo social as entidades parecem esquecer.

Foto: fphoquei.pt

Comments

  1. maria celeste ramos says:

    frase copiada-“Por tudo isto e pelo que a sua atitude serve de exemplo, eu quero, hoje e aqui, lembrar que nas modalidades amadoras – e mais amadorismo do que no hóquei não há – são estes exemplos que mantêm viva a chama do desporto, num autêntico serviço público de qualidade que o país tantas vezes desconhece e cujo relevo social as entidades parecem esquecer” pois até parece que o melhor que portugal tem até deriva sempre e apenas de pessoas como estas .- no desporto como nas artes – como em ?? os profissionais de carreira política, pelo menos, por nada se interessam a não ser o blábláblá que derroutou o país e a quem se paga caro e ainda retiram o que pertence aos FP – já nem em sindicatos se pode confiar e as últimas greves assim o mostraram – não se interessam – anquilosaram no tacho bem pago e seguro – são precisos homens bons e rectos antes de se interessaram em primeiro lugar pelo prestígio e ordenados – que só podem ser resultado do seu valor

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