Elisabete Figueiredo
Brasov (Piata Sfatului)
Não se deixem enganar pelo ar encantador desta praça. Quero dizer, a praça é realmente encantadora. Vou daqui para a estação dos autocarros. Dizer que caí num filme do equivalente romeno do Emir Kusturica é, apesar da repetição, o mínimo. A estação é indiscritível. Na bilheteira a senhora (simpática) faz o melhor.
Na sala de espera um bêbado ressona. É a única pessoa na sala, além de mim. Deve estar ali desde o dia anterior. Desde sempre. A avaliar pela sujidade e pelas garrafas no chão. À volta dele quatrocentas moscas que, quando eu me sento (sim, eu sento-me nas estações de autocarros ao pé dos bêbados), se atiram furiosamente a mim. Picam-me. Desistem. Voltam ao bêbado. Suponho que esteja mais apetitoso que eu, dado que acabo de tomar banho.
Cá fora um calor sufocante. Entro no autocarro e gostava de ser uma espécie de turista que filma tudo. Gostava. Mas não sou, para o bem e para o mal tenho uma máquina fotográfica com cerca de 100 anos. Os mesmos que parece ter o autocarro.







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