Quando promessa fácil tem morte difícil

Foi hoje notícia na imprensa, na má imprensa, claro, que «França vai copiar Passos e mexer na TSU». Há uns meses, cinco apenas, escrevi que em França ganharam as promessas que fazem o imaginário reivindicativo da oposição em Portugal.  A tese de então, e que mantenho agora, é que as oposições têm promessa fácil e, com ela, ganham eleições. Mas chegadas o poder, logo a batata quente começa a fazer bolhas nas mãos de quem passa a conduzir o país. O ciclo inverte-se e os que falharam passam eles mesmo a fazer a oposição das promessas fáceis. Veja-se o PS, cá, que vai nos 30% de intenções de voto, mais cinco pontos percentuais do que os partidos de governo.

As oposições criam armadilhas onde caem quando são governo. O PSD quando era oposição lançou a tese de equilibrar as contas do país com o corte das gorduras. Tirando o registo piroso da metáfora, o qual de resto se manteve depois de passarem a governo, o PSD ganhou a eleição prometendo não aumentar impostos como Sócrates estava a fazer mas, ao invés, optando por cortar na despesa inútil do estado paralelo como as empresas municipais, rendas, institutos e fundações. Nos três primeiros tópicos houve anúncios de algumas intenções mas delas nem fumo quanto mais fogo. O relatório das  fundações a fechar foi o rato que a montanha pariu, como disse o PS. Promessas vãs que o PS, agora oposição, já está a cobrar, ou seja a lançar armadilhas para depois nelas cair.

Este jogo da promessa que tem como prometido o incumprimento compõe o quadro dos políticos todos iguais, todos corruptos. Mas é só deles a culpa? E nós que os elegemos? E nós que à priori esperamos pelo incumprimento? É verdade que demos desmarcar a promessa vã e denunciar o incumprimento flagrante. Mas aqui é onde caímos – eu caio – na dura realidade. De nada vale barafustar, mesmo que seja com a força de um milhão de vozes na rua, que os que governam continuam na sua inexorável agenda. E se recuam, como na TSU, é apenas para investir com mais força. É em momentos assim que o desalento, qual ciclone que ganha força nas águas do oceano, se torna destruidor ao ponto de quase entregar o destino aos que tomaram o poder. Mas nada fazer a não ser comprar vaselina? Não, mais uma pessoa que seja a ficar alerta justifica o risco de insanidade mental a que se sujeitam os que reclamam. Desistir não.

Comments


  1. É a dança das cadeiras mas só há 2 cadeiras pelo que nem problema para trem uma garantida – ou de frente ou de costas – como as cadeiras “namoradeiras” (de uma só peça)

  2. Maquiavel says:

    Quem fez o que fez nos primeiros 60 dias de Presidência pode agora fazer isto. Ao contrário do Passos, que só rouba quem trabalha, Hollande já cortou nas gorduras (e näo no músculo), e lançou a “taxa sobre os ricos”, entre outras coisas.

    Espero para ver.

    “Uma receita que deverá ser compensada pelo aumento da tal CSG, ao qual escaparão apenas os salários mais baixos, sendo afetados[sic] todos os que ganham mais de 2.300 euros por mês.”
    Quantos portugueses ganham 2.300€/mês? Ou mesmo 2.000€?

    “A medida tem de ser sujeita à avaliação dos parceiros sociais, o que deixa antever algumas dificuldades para o Presidente e para o Governo.”
    O Passos também o fez, pois näo foi?

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