A quanto está o aluno?

É inegável a importância de se saber quanto é que o Estado gasta, seja em que área for. Não é menos importante, no entanto, lembrarmo-nos de que existe vida para além dos ficheiros de excel. Os contabilistóides que gerem a pasta da Educação vivem obcecados com custos, embora vivam pouco preocupados com valores: entre o excel e a vida, prescindem da segunda.

Saber quanto custa ao Estado cada aluno é, então, importante. Essa questão tem sido constantemente colocada ao longo dos últimos anos, sempre com a preocupação de tentar descobrir as diferenças entre o que custa um aluno de uma escola pública e um aluno de uma escola privada com contrato de associação.

A comissão parlamentar de Educação pediu ao Tribunal de Contas um estudo sobre o assunto. Em Maio deste ano, Oliveira Martins fazia referência a esse estudo que acaba de ser divulgado e que já mereceu um primeiro comentário do João José, com ligação para a notícia saída no Público e para o estudo propriamente dito.

Ramiro Marques, autor do Profblog, o blogue oficioso do Ministério da Educação (MEC), com o simplismo que o caracteriza, já concluiu que o “custo dos alunos nas escolas estatais é superior ao custo médio dos alunos nos colégios privados com contrato de associação.” Tendo em conta que Ramiro Marques reproduz a voz do dono, está encontrada a opinião do MEC.

Curiosamente, o Ministério da Educação encomendou um outro estudo com o objectivo de proceder à “alteração do modelo de financiamento público aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo em regime de contrato de associação.” Ora, se a interpretação dada ao estudo do Tribunal de Contas for a de que a escola pública é mais cara, a consequência será uma de duas: ou mais cortes nas escola do Estado ou mais benesses para as escolas com contrato de associação.

A verdade é que a discussão sobre este tema ainda vai no adro e não se compadece com simplismos. O Paulo Guinote já deu início à análise do estudo, como se pode verificar pelos últimos textos publicados.

Muitas questões deverão ser levantadas, mas não deixa de ser curioso notar que o mesmo estudo dê origens a dois títulos tão diferentes no Público (“Um aluno na escola pública custa 4415 euros. No privado chega aos 4522”) e no Diário de Notícias (“Pagar a colégios fica 400 euros mais baratos ao Estado”). 

Seria importante que esta discussão ficasse a salvo de ideologias e de visões macro-económicas que vêem despesa em tudo o que seja estatal e virtudes em tudo o que seja privado (mesmo que viva à custa do Estado). Nuno Crato e respectivas adjacências terão, com certeza, o cuidado de espalhar os necessários ruídos e silêncios para que a discussão possa ser boicotada.

 

Comments


  1. As investigações faz de conta para dar oportunidade a quem faz e o respectivo relatório – também seria importante saber quando custa “esta situação de saber quando custa o quê” – Faz lembrar mal comparado, os sucessivos relatórios de investigação quando da morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa e Snu Abecassis e o piloto de que nunca se diz o nome +++ etc – Muito se investiga e tão poucas conclusões a que se chega , e variadas e díspares – será para “épater le bourgeois” ?? fala-se cada vez mais de transparência – de quê ?’ – o cèu está sempre mais enevoado – mais um desperdício de din heiros públicos e taxos (tachos) para ir andando e emperrando – vamos ver o resultado da decisão de Crato ontem de saber quem e quantos tiveram diploma universitário na lusófona sem pôr lá os pés mas muito “trabalhadores” – mais uns dinheiros para se ficar a ver que é uma superuniversidade – cooperativa é claro – onde ensinei mas não dei por tudo mas apenas pela ausência de bons professores da minha área porque convivia com eles, e não com todos – nem me interessava nada de nada a não ser a minha cadeira e os meus alunos (e com nenhum há drama de espécie nenhuma, creio) já quem para os 3 anos de bacharelato eu nem queria saber dos outros nem me lembrei de querer saber mais do que via – embora tivesse pertencido ao conselho executivo de onde saí e fiquei apenas no conselho escolar onde tinha intervebção directa – mas tive “ataques” de colegas da maçonaria que ajdaram bastante a que eu deixasse aqule espaço NADA transparente – e continuo a não querer saber


  2. Em dis estabelecimentos de ensino superior privado “vi” coisas que gostava de não ter visto – mas fui co-fundadora de escola profissional que adorei – mas acabaram com o meu curso e outros que eram importantes mas ficou só a Informática – mas não percebi se havia anomalias que não fossem “normais” – o interessante é que não sendo fácil porem-me na rua – foram radicais – aabaram com um curso interessante que anos depois foi “re-inventado” algures – pena haver tanta gente ignorante e estúpida e má – nem todo o ensino privado será mau mas o certo é que também recebem dinheiros do Estado – todos – TODOS

  3. luis says:

    E já perguntaram a esses “especialistas” quanto custa um milionário? Já perguntaram quantos pobres, miseráveis, precários são precisos para produzir um milionário? Esse é que era um estudo interessante…

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  1. […] o ensino privado com contrato de associação fica-nos mais caro mas é mais […]

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