O Bife

O BIFE JÁ NÃO AGUENTA
Pertenci a um grupo de pessoas que podia comer bife de vaca todos os dias, embora, por razões de saúde, o não fizesse. Hoje pertenço aos que o não podem fazer por razões económicas.
As carnes vermelhas, em excesso, fazem mal. As de porco também, e muitos outros alimentos o fazem de igual modo. Mas na realidade o que está na ordem do dia é o consumo do bife da vaca.
Por falta de dinheiro, já o foi por causa das vacas loucas, o consumo deste tipo de carne nos dias de hoje está em crise.
Do mesmo modo que na nossa vida de cidadão Português, em Portugal, quem vive do comércio da dita carne ganha menos dinheiro, e as vacas vivem mais tempo. É a crise na sua visão mais simplista.
As declarações da senhora Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome provocaram uma azia quase geral nas gentes que pensam tudo saber e poder dizer. Sedentas de protagonismo, fartaram-se de disparar a torto e a direito, no intuito, sempre presente neste tipo de coisas e neste tipo de indivíduos, de, em bicos de pés, parecerem importantes.
As declarações da senhora Presidente do Banco Alimentar, mais não foram que a transmissão das ideias que o comum dos Portugueses tem, de tudo o que se vai passando no nosso País e na educação que nos tem sido imposta ao longo dos últimos anos.
As declarações da senhora Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome terão sido desastradas na sua forma, embora absolutamente verdadeiras no seu conteúdo. Em nenhum momento ouvi qualquer elogio à pobreza ou ao empobrecimento. Em nenhum momento ouvi que achava negativo as pessoas quererem viver melhor do que vivem. Ouvi sim que é mau utilizar o crédito para criar um estilo de vida que não seja o real nem esteja de acordo com as presentes possibilidades de cada um. Ouvi sim que vamos empobrecer, mas isso não quer dizer que o deseje, antes é a constatação óbvia de uma realidade que a todos toca. Não há dinheiro, e temos de viver com isso. Para além disso estamos na verdade a comer menos bife.
Os detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar são cidadãos politizados que recusam dar esmolas aos pobres com a desculpa, esfarrapada, de assim não desresponsabilizarem o Estado das suas obrigações.
Os detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar são cidadãos politizados que julgam precipitadamente, com o intuito de fazer passar as suas teses, as únicas válidas, que normalmente vão ao arrepio das normais ideias do normal cidadão.
Os detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar tentaram colocá-la sob suspeição do que a motiva e das ideias que defende.
Os detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar, cuja missão primeira nas suas vidas é a de criar desconfiança sobre tudo o que mexe e manda, excepto de si mesmos e de quem os segue, elaboraram teses descabeladas, maldosas e delirantes, mostraram mais uma vez as suas taras em diarreicas verborreias e com elas provocaram a aparição de petições para a destituição da Sra. D. Isabel Jonet, que, como corolário, ameaçam já a próxima recolha de alimentos do Banco Alimentar.
Os detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome esquecem, porque lhes convém, que o Banco Alimentar não trata apenas da fome, procura educar (palavra que muitos deste detractores não gostam nem de ouvir falar) na partilha e na solidariedade. E é essa partilha e essa solidariedade que estão a tentar por em causa. Se a próxima recolha de alimentos for um fracasso, serão milhares os nossos concidadãos que sofrerão com a falta de alimentos e com a falta da “mentalidade caritativa” de cada um.
Aos detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar só interessa a polémica, não se importando minimamente com o facto de estarem a denegrir uma pessoa, mas também e acima de tudo, uma instituição que alimenta eficazmente, há dezenas de anos, milhares de pessoas com carências económicas. Esse interesse que norteia estas gentes só vem demonstrar que para além da fome que infelizmente grassa um pouco por todo o País, há muita miséria, neste caso mais moral do que física.
Aos detractores da senhora Presidente do Banco Alimentar Contra a Fome, só apetece dizer -“Deixem trabalhar a senhora no melhor que ela sabe fazer pelos Portugueses”

Comments


  1. Essa lenga-lenga de que vivemos acima das nossas possibilidades, quando cerca de 25% da população portuguesa vive no limiar da pobreza ou abaixo dele e quando Portugal é, ainda, o país da Europa com maiores desigualdades sociais, é gato escondido com rabo de fora e de uma hipocrisia monumental. Lamentável, esse seu texto.

  2. Amadeu says:

    Aos bajoladores da senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar interessa ilibar a dita cuja, se não na forma, pelo menos no conteúdo.

    A este senhor bajolador postador interessa-lhe esquecer que a dita senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar fez com efeito a apologia de ser normal empobrecermos todos.

    A este senhor bajolador postador interessa-lhe esquecer que a dita senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar confundiu as dificuldades da generalidade dos portugueses com as “dificuldades” que ela própria passa.

    A este senhor bajolador postador interessa-lhe esquecer que a dita senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar faz da caridadezinha um modo de vida, só possível por não precisar de trabalhar para sustentar a própria família.

    A este senhor bajolador postador interessa-lhe esquecer muitos dos detratores da dita senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar defendem que é preferível dar canas de pesca (empregos) do que dar peixinhos aos pobrezinhos.

    A este senhor bajolador postador da dita senhora Presidente (vénia) do Banco Alimentar interessa-lhe que nada mude, que quem mande continue a mandar. Per secula seculorum . Amén.

  3. xico says:

    A senhora foi desastrada, mas qualquer bem intencionado percebeu o que quis dizer. Que o país (não as pessoas em geral) viveu acima das suas possibilidades e que há pessoas que gritam e berram porque não têm dinheiro para os livros, para as propinas, etc, mas têm-no para o traje académico e para as bebedeiras. Outros há que passam fome e não podem continuar a estudar, enquanto o colega do lado gasta em copos o que ele podia gastar numa refeição. Foi isto que a senhora quis dizer. Se isto não é clamar pela resdistribuição da riqueza, então o que é?

  4. xico says:

    Onde você se foi meter. Não vê que os que berram e clamam contra a senhora são os mesmos que defendem as virtudes do veganismo e dos não fumadores? Se as pessoas deixarem de comer bifes em quem é que eles vão praticar a caridadezinha de lhes explicar que aquilo faz mal e devem trocar por um hamburger de soja?

    • Maquiavel says:

      Eu entäo acho que é uma estupidez comer bifes todos os dias, sabe? Ainda mais com a riqueza gastronómica de Portugal!

      As virtudes do veganismo? Eu defendo as virtudes da chanfana, do rancho à mode de Viseu, da massa à Barräo, do arroz à Valenciana.

      Só bifes? Pfff… que falta de cultura!

  5. Fernando says:

    O que seria da dona Isabel Jonet e dos padrecas se não fossem os pobres, lá se ia o negócio, e depois ainda eram obrigados a sair da zona de conforto e emigrar…

  6. António Duarte says:

    Afinal, o que é que é mais importante: erradicar a pobreza ou defender “uma instituição que alimenta eficazmente, há dezenas de anos, milhares de pessoas com carências económicas”?

    Será que os senhores bem-pensantes, como o que assina este post, reconhecem aos que não pensam como eles o direito de defenderem e lutarem por uma sociedade sem pobres e sem pobreza, através, não da caridade, mas de uma distribuição justa e equitativa da riqueza?

    • xico says:

      Da próxima vez que vir um pobre esfomeado, bata-lhe nas costas e diga-lhe: tenha esperança amigo, que vamos lutar por um mundo melhor e mais equitativo. Ele, quando estiver morto de fome mais os filhos, à espera da revolução, agradecer-lhe-á. Não sei se sabe dos milhares, senão milhões, de esfomeados que morreram após a revolução cultural chinesa. É que, ao mesmo tempo que se prepara e fazem as revoluções, é preciso matar a fome a quem a tem. Quem nunca passou fome tem dificuldade em entender. Eu beneficei, com outras pessoas, da ajuda dessa gente da direita católica, enquanto também participava em comícios do PCP a pensar a revolução.


      • Se derem trabalho e um salário justo a quem pode trabalhar, já não precisam de lhe dar de comer. Não se interroga porque é que esta premissa tão simples é tão difícil (e cada vez mais) de implementar? Pois eu digo-lhe que, em grande parte, é uma questão de liberdade ou de servidão. De partilha de recursos ou da sua concentração em uns poucos. E de quem luta por uma coisa e de quem luta por outra.

        • xico says:

          Tem toda a razão. Mas entre o nascer do sol e o seu ocaso , um pobre tem de comer, ou não?


          • Sim, claro. O que eu gostava de saber é até quando se vai aguentar essa chantagem. A Sra. Jonet, por exemplo, ao mesmo tempo que garante alimentação aos pobres, poderia, no tempo de antena que teve, ter-se insurgido contra este estado de coisas que atira cada vez mais gente para a pobreza e concentra a riqueza em meia-dúzia (cá e lá fora). Mas fez exactamente o oposto, ao dizer que o empobrecimento é inevitável e, no que tem de combate ao desperdício, até desejável! É, então lícito interrogarmo-nos o que é que ela pretende de facto e de que lado está: da perpetuação da pobreza ou da extinção a médio prazo dos bancos alimentares por já não serem necessários.


  7. Não fiquei nada escandalizado com as declarações da senhora dona Isabel J, por já não ter espaço para ficar escandalizado com banalidades destas.
    Infelizmente há uma parte substancial de uma certa direita cuja falta de inteligência é tão confrangedora que já nem provoca revolta, apenas dó.
    Quando ouvimos uma senhora dona Merkl congratular-se com a descida dos custos do trabalho em Portugal, Irlanda, Grécia, etc. considerando tal uma excelente notícia por aumentar a n/ competitividade (supondo, naturalmente, que quando tivermos salários e condições equivalentes às dos trabalhadores do extremo oriente teremos encontrado o paraíso da Dª Merkl, para nós, que não para os alemães), como podemos guardar espaço de indignação para as patetices de uma qualquer “madama” que faz da caridadezinha o seu hobby (enquanto as criadas lhe tratam da casa, das roupas e dos filhos, naturalmente)?
    Não, estão a dar excessiva importância a uma insignificância, deixem falar esses pobres de espírito (e quem os apoia como o postador J. Magalhães e outros por aí espalhados) e prestem bem atenção às Merkls, aos Passos Coelhos, aos Portas, aos Gaspares, e aos Cavacos (sem esquecer os Seguros).
    É a esses que devemos estar atentos, é nesses que devemos concentrar as nossas defesas, patetas como esta (e este) só servem para desviar atenções.


    • Infelizmente, a patetice parece fazer escola neste país, pelo menos entre alguns que denotam ter uma certa atracção pelo abismo. Se não fosse assim, não davam tempo de antena e protagonismo a quem a propaga. É também por isso que chegámos onde chegámos.


  8. Quando se esquece a história somos atropelados,violentamente,por ela.
    A sopa do sidónio está de volta,pode vir a terminar da mesma forma.
    mário

  9. Luis says:

    Muitas coisas podia dizer sobre as tristissimas declarações da Srª Jonet.
    Refiro só o seguinte aspecto por o considerar mais desonesto.
    Sabendo que Passos Coelho e Sócrates são vinho da mesma pipa, defensores dos interesses instalados que olham os portugueses como servos da gleba, noto uma enorme diferença entre o discurso desta senhora durante os governos dos dois.
    A verdade é que o discurso cola-se de forma pegajosa ao do actual governo, sobre a necessidade do “empobrecimento” e sobre o “vivermos acima das nossas possibilidades”.
    A isso chama-se fazer política partidária e utilizar uma organização que pretende combater a fome, (provavelmente o mais elevado grau da miséria que a senhora diz NÃO EXISTIR neste país), para fazer passar a mensagem dessa política, é no mínimo indecoroso!
    Não irei colaborar mais com a organização da senhora Jonet, pois felizmente não faltam na cidade onde habito locais onde me dirigir para dar a minha ajuda, com a vantagem de ver os voluntários dessas organizações a trabalhar no dia a dia em prol dos mais necessitados.

    • Amadeu says:

      Excelente comentário. Nem mais um tostão para a Jonet. Há muitos lugares e pessoas bem mais próximos que bem precisam de ajuda.

  10. António M. C. Carvalho says:

    Meu Caro José de Magalhães,
    Não o conheço, a não ser pela leitura do que vem escrevendo no Aventar. Não me considero nem de direita nem de esquerda embora ao longo da minha já longa vida me tenham chamado ora comunista ora fascista.
    Concordo com o que escreveu e lamento sinceramente que seja tão soezmente achincalhado pelos que se julgam possuidores da verdade.
    As religiões limitam a nossa liberdade de pensamento e as ideologias políticas ainda mais. Por isso vou sendo agnóstico e apartidário embora amando este bocadinho de terra em que nasci.
    Que não desista de lutar por um Portugal melhor, a mim já me vai faltando a coragem e a pachorra !
    Um Abraço

    • Amadeu says:

      Caro António
      Por cada vez que lhe chamam comunista, quantas é que lhe chamam fascista ? Pra cima de quantas ?
      Ou essa de já lhe terem chamado comunista é só para despistar a malta ?

      • António M. C. Carvalho says:

        Caro Amadeu
        Calhou vir aqui e não quero deixar de lhe responder
        Não, não é para despistar…Que é que ganhava com isso ?
        Por exemplo, fui comunista quando andei a distribuir panfletos da candidatura de Humberto Delgado, quando critiquei o estado em que se encontrava o controlo de tráfego aéreo nos anos 60, quando no Sporting lutei por um rumo diferente, que tinha podido evitar os negócios escandalosos do futebol profissional e a agonia do Clube.
        Mas talvez tenha razão… chamaram-me mais vezes fascista do que comunista, sabe porquê ? Porque no PREC, praticamente sozinho, ousei defender os meus patrões…Fiquei então a saber que os revolucionários de esquerda eram mais cegos e perigosos do que os de direita. Mas isso já foi há 40 anos, os que convivem hoje comigo podem discordar do que penso mas já não me chamam nomes… (excepto aqui no Aventar…)

        • Amadeu says:

          Caro António,
          Foi no Prec que mudou de ideias ? Já o li aqui dizer que tinha sido algures entre o 25 de Abril e o 1º de Maio de 1974.
          Ao Durão Barroso também já lhe chamaram maoista …

          Até no Sporting ?!?! Por essas paragens antes comunista que benfiquista 🙂

          • António M. C. Carvalho says:

            Olhe que não … No Sporting, nos tempos em que por lá andei, o Presidente da Assembleia Geral era o Dr. Gois Mota, chefe dos legionários e pessoa grada no regime … mas havia quem convivesse de bom grado com benfiquistas a bem do desporto, caso do meu amigo Moniz Pereira e, se me permite, de mim próprio que tinha como vizinho e amigo um benfiquista mais do que fanático, chamava-se Henrique Folgosa e tinha uma pequena loja na Rua da Conceição, verdadeira filial do SLB. Quanto ao PREC, para mim começou em 74 !!!

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  1. […] o erro é ainda maior pelo facto da senhora ser quem é. Não é uma pessoa qualquer. E estas declarações poderão ter um efeito mediático desastroso para a organização, que não […]

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