Ouvir a terra

Os portugueses expatriados não são melhores nem piores portugueses do que os que não precisaram de emigrar. São apenas portugueses e é o que basta para os identificar. Embora vivam longe, alguns até muito longe, “no peito vai-lhes um país”, no certeiro resumo de Pedro Barroso.  Mesmo que, por razões práticas, tenham outra nacionalidade alem da portuguesa. Porque mãe há só uma e ninguém a esquece nem lhe é indiferente. É por isso que devoram o que de Portugal se conta nas televisões e rádios, nos telefonemas e e-mails da família e dos amigos.

Nestes dias de incerteza e angústia, que nos fazem saber que há 10.385 crianças que vão para a escola com fome, que há idosos a não poderem comprar medicamentos porque as pensões de reforma mal dão para comer, que essas pensões sofrem cortes para cobrir as derrapagens da governamental incompetência, que os trabalhadores públicos e privados sofrem cortes brutais nos salários  e subsídios,  são empurrados, não para a pobreza virtuosa que algumas pessoas bacorejam, mas para a miséria que reduz a sua humana condição à indignidade, que mais de um milhão de pessoas anseia por trabalho e não o encontra, que nos ricos e perdulários os cobardes poderes públicos não tocam, que a soberania nacional está em concreto perigo, nestes dias sofridos a atenção dos portugueses emigrados ainda é maior.

E o que vêem e ouvem?  Por todo o país, mesmo nos lugares mais pequenos, o povo regressa à lavoura, à floresta, à pastorícia, com especial sublinhado para os jovens. Com a maior criatividade põem a rolar projectos artísticos, comerciais, industriais, gastronómicos, turísticos. Organizam grupos de cantares e danças, de música e de História contada aos mais novos, de teatro e de poesia.  E tudo isto é feito com a paixão ansiosa de quem quer salvar o país, de quem não se rende aos agiotas, de quem tem a nobre coragem de dizer NÃO aos que servem de capacho a estrangeiros que tudo encaram como mercadoria em saldo. Todos eles são o som que vem do Portugal Real, do Portugal sério e profundo. São a verdadeira voz da terra portuguesa.  Que nós ouvimos, com esperança, porque com a terra não se brinca. É ela que nos sustenta e a ela voltamos na morte, é por ela que morremos e matamos se for caso disso.

Esta é a gente portuguesa que interessa e merece respeito. Governantes, partidocratas, boys e girls dos tachos, invertebrados que se vendem a tanto por cabeça,  prostitutos do comentário bem pago que faz o jogo desta miséria moral em que se tornou a coisa pública,  salazares de Massamá ou relvas daninhas, jornalistas que estão a trair  venerandos que sugam o país sem servirem para nada, todos estes não valem um minuto de atenção por parte daqueles que, de facto, não deixam Portugal cair  É mandá-los todos à Merkel, ela que os ature.

É mais do que tempo de reconstruir o país. De dizer basta.

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Gosto da designação de prostitutos da informação – prostitutos da informação e bem pagos olaré – e não só – o pais inteiro prostituiu-se ao mais alto nível e vêm dar bocas as pobrezinhos vomo eu que sou tão burra que nem duas licencenciaturas da fc lisboa que tenho do tempo em que não se copiava nem havia lusófonas nem faltas me abriu os cornos – se calhar é por ser ribatejana – dizem alguns que sou dura que nem um corno –

  2. maria celeste d'oliveira ramos says:

    E é por isso também que leam a lingia e a cultura e tradição e festas populares que reproduzem nos locais onde foram habitar e são pareciadas até polos habitantes deses lugares – guardam a tradição e humanismo nessas terras de plástico – levam a musica e artefactos – levam instrimentos musicais – levam culturas hortícolas – leva o que SÃO porque s
    o sempre o que são em qualquer lugar do mundo mesmo sendo adaptáveis em culturas diferentes – são humildes e sábios e espalharam CULTURA no mundo onde deixam “alma”

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