Agarrem-me, Camaradas!

Camaradas, isto só lá vai com luta. Lutar contra a obsolescência do sindicalismo espingardante e aburguesado em Portugal e por um novo sindicalismo silencioso, trabalhador do lado da produtividade e da riqueza, como o sueco. Nesse país, todos se sentam à mesa negocial no sentido de todos ganharem com o trabalho de todos, assegurando que a galinha dos ovos de ouro comum permanece viva: os trabalhadores suecos ganham que é uma humilhação para um português. Porquê? Não se metem a destruir o seu sustento nem a demagojizar quedas de governos a braços com uma situação de calamidade e emergência. No Reino da Suécia, aliás, os trabalhadores nunca viram uma falência ou uma iminência de falência do Estado. Ninguém nas ruas de Estocolmo salivando, espumando, como os grandes traídos portugueses após anos com dinheiro fácil e dívida mais rápida que a própria sombra. Cá, primeiro estão os direitos, a impaciência dos velhos direitos, e depois, muito depois, a viabilidade da galinha dos ovos de ouro, aliás degolada e trocada pelo canto das sereias, as sereias que engendraram o actual buraco, as sereias que supõem que só à bruta e radicalizando muito se fará ressuscitar uma galinha em particular e a grande galinha-Estado. Lutemos, camaradas, mas para mudar esta mentalidade.  Quanto à luta contra Merkel, calma, camaradas! Obviamente a incumbente alemã rege-se pelo princípio de nos ensinar a pescar em vez de nos dar um peixe e isso pode representar a mudança milenar da nossa sorte pelintra da estatismodependência para a espontânea e solidária reunião dos mesmos esforços que limparam Silves grátis, após o último tornado. Com amor. Com ternura. Com união.

Andam os camaradas socialistas, como por exemplo o Otelo, os camaradas bloquistas, como por exemplo Freitas do Amaral, os camaradas comunistas, como por exemplo Manuela Ferreira Leite, a odiar e a combater com paleio Merkel e outro tanto Passos? Inútil. Agarrem-me, camaradas, que eu também abominei, combati, abomino e combato, a impunidade do assaltante Sócrates. Para quê? É inútil. É com dinheiro que se conquista a imunidade e se desliza impune pela vida. Posso bem gastar toda a minha vida e as minhas munições de manguitos que ver só verei simbólica e exemplarmente Vale e Azevedo numa cela. E João Cebola. Bem que se enlouquece a lutar, camaradas, mas a carteira permanece vazia a empurram-nos pelos olhos marinhos e pinto a arrotar omissões e proenças de carvalhos a defender filhos da puta. Por que motivo me não conformo, meu Deus?! Porquêêêêêê?!

Odiar, insultar, a chancelerina Merkel? Não, camaradas. Ela não costuma reparar em insignificâncias e muito menos parar a meio das suas convicções e conveniências. Na última conferência de imprensa conjunta com Passos Coelho não apontou o dedo a um ex-primeiro-ministro e à sua responsabilidade pelo agudizar súbito da crise de dívida Portuguesa. Não lhe caberia fazê-lo. Só um sapateiro no lugar de um primeiro-ministro somaria dívida exponencial à vulnerabilidade de um País sem produtividade para os seus gastos e necessidades correntes. Um País sem PIB para tanto luxo. À chancelerina competia-lhe, sim, explicar o modo como a crise financeira desencadeada nos Estados Unidos que depois alastrou à Europa apanhou alguns governos europeus sumamente demagógicos em contrapé, com as calças da sua sofreguidão, eleitoralismo e avidez, na mão. Por isso caíram. Caíram as calças e os governos. O rei ia nu.

É preciso encarar de uma vez por todas por que motivo uma economia frágil como a nossa viu um ex-primeiro-ministro exponenciar descontroladamente a respectiva dívida pública sem que, no entanto, ela se traduzisse de todo na economia, na produtividade, na distribuição justa de riqueza, na melhoria de vida de uma significativa parte dos portugueses. Onde estava o bom senso? Que álibi é esse que as anas sá lopes, e outros súcubos de Sócrates, repetem até enrouquecer? Não se percebe. A verdade é que sobretudo o BES parece ter ganho um milhão de euromilhões nesse jogo pós-2008. Só alguém muito concreto e muito eminência parda do Regime Português é que poderia ter ganho com essa festa da dívida à louca. Curiosamente nenhum socialista opinador parece saber ou querer saber para onde raio foi todo esse dinheiro, negando até que o Estado Português tenha vivido acima, muito acima, das suas reais possibilidades, basicamente por dolosos interesses de facção e ter sido precisamente esse o verdadeiro desastre nacional, dívida!, antes de um PIB que a suportasse; dívida!, depois vê-se; PPP!, dívida!, dívida!, dívida!, e toda a espécie de pazadas-caterpílar para abrir o túmulo nacional e logo se veria. Merkel e qualquer observador sabe que tanto o Governo Grego quanto o Governo Socialista Português falsificavam orçamentos. Ponto. Desorçamentavam os problemas, empurravam com a barriga os sectores públicos em maior descontrolo e que hoje nos explodem na cara.

A cegueira política e económica de sobreendividar um Estado e torná-lo insustentável foi extremamente difícil de erradicar. Levou seis anos de demagogia, comissionismo nos negócios de Estado e eleitoralismo, horrorosa sobreexposição mediática licenciosa, obscena, mentirosa. Nós conseguimos limpar esse lastro, todos juntos. Agora, camaradas, empurremos Passos para a sua tarefa primordial que é agarrar com as pernas quantas canas de pesca Merkel e Xi Jinping, líder do Partido Comunista Chinês, lhe possam atirar. Estamos nisto.

Comments

  1. maria celeste d'oliveira ramos says:

    Pris não é mais bela do que lisboa mas apenas mais amada – em tudo – até no que diz este mail e bem – desde 1986 que só há direitos e domais alto a baixo o direito vai caindo escada abaixo porque mais uma vez somos governados e de bailinho mandado por gentalha – 1986 deu cado bo país – dinheiro a mais foi parar a mãos a menos – era tanto e sem plano nem peojectos nem se saber gastar bem que uma grande parte era anualmente devolvido – governos de patos bravos é assim – agora os vampiros sabendo ussi cantam a canção do bandido – quando aos 19 anos vim para Lisboa era considerada uma das cidades mais belas e verdes da europa – agora é uma merdice que o senhor costa não sabe ne quer h«governar – não sabe – apenas aparenta e a ignorância colectiva conveniente e alimentada de lingua dá o que deu e dará mais – não acabou – e os lisboetas deslumbram-se com “lá fora” – Ninguém viajou pelo muno mais do que eu – vi in loco como se tem carinho pelo lugar onde se mora — em lisboa tudo apodrece e cai e desmorona e a rua é o caixote colectivo até de revistas e jornais porque os portugueses não vêem ao lado o caixote dos papéis e escarram no chãoe assim sã conhecidos na Suissa – escarradores

  2. João Paz says:

    O estado endividou-se porque a Alemanha (sobretudo) primeiro através da CEE DESTRUIU todo o essencial do nosso aparelho produtivo (estaleiros, siderurgia, minas, agricultura etc etc etc) e depois, através do Euro nos impediu que voltássemos a construir novos instrumentos de produção.
    A partir daí mandaram que construíssemos auto estradas quer não servem para mais nada que não seja os produtos da UE chegarem muito rapidamente a todos os cantos.
    Mas estou de acordo consigo numa coisa.
    A Suécia também foi ATACADA pelo FMI, como nós estamos a ser, e safou-se.
    Pudera tinha aneis para vender e pode ficar com os dedos.
    Ou seja ENTREGOU A VOLVO AOS AMERICANOS DA FORD ( os franceses da citroen ajudaram na fachada), pôde voltar a ter um serviço de saúde que tinha sido uma das primeiras coisas que o FMI lhe tinha TENTADO retirar e pôde voltar a respirar.
    Tudo isto,como é óbvio, depois de EXPULSAR os “conselheiros” do FMI.
    O problema é que nós nem aneis temos, já há muito que foram levados.

    • palavrossavrvs says:

      Concordo, meu caro João.

    • Maquiavel says:

      Näo, a Suécia näo entregou a Volvo a ninguém, vendeu a Volvo pelo preço de mercado.
      Em Portugal é que se entrega tudo o que é do Estado aos amigos (sejam o cunhado do Cavaco, ou os angolanos, ou quem seja) a 10% ou menos do valor de mercado.

      A Suécia? Ó palavroso, a Suécia foi governada quase ininterruptamente por socialistas a sério (lá säo chamados de “social-democratas”, em Portugal é que o nome é enganador) durante 60 anos (Só Tage Erlander foram 23 anos) , e foi durante esse tempo que criaram o Estado Social que se tornou no “modelo nórdico”, dando os tais “direitos adquiridos” pelo qual o povo lutou. E na Suécia há 70% de sindicalizaçäo, näo é como em Portugal que só os comunistas se sindicalizam. Nos países nórdicos há unicidade sindical para cada actividade (não há sindicatos amarelos), e as centrais sindicais dividem-se por ramos de actividade (e näo por partidos fundadores).
      Por isso os sindicatos nórdicos säo (muito) fortes.

      E quer V. Exa. comparar a situaçäo com Portugal? Pffffffff…

      • palavrossavrvs says:

        Maquiaveloso, não entre à bruta. Eu não comparei. Eu formulei um desejo de concórdia, pela cooperação ao nível dos resultados, em paz e prosperidade sociais equivalente a esse socialismo/social-democracia suecos que funcionam.

        • patriotaeliberal says:

          formulaste “um desejo de concórdia de cooperação….” como na Suécia!

          Então, podemos começar pela flexisegurança dos países nórdicos. Por cá falou-se nisso mas depois de saberem que não era só a flexi, mas também a segurança, resolveram importar só a tal de flexi. E o resultado está à vista. A segurança é mal vista, é para os piegas, as formigas, os que não querem sair da zona de conforto, para todos nós que vivemos acima das possibilidades. Aguentem. Emigrem. Sejam empreendedores. Sejam patriotas, porra!

  3. Amadeu says:

    Palavroso, o que tu queres sei eu.

  4. A defesa desde desgoverno continua…

    • palavrossavrvs says:

      Errado, meu caríssimo Nightwish. Não defendo. Interessa-me, o que é bem diverso, o melhor caminho para abreviar sofrimentos e novas agruras ao meu amado povo Português.

      Penso aliás que na disputa da liderança do PSD, ganhasse outro, talvez estivéssemos melhor com a inteligência pluralista e o bom senso de Paulo Rangel.

      Foi, porém, Passos com a sua cartilha hirta a ganhar o Partido, Lenine ao contrário. O bom disto é essa criatura ser passível de aprendizagem, de correcção de trajectos. Quero crer, pelo menos.

      Quero ver essa correcção de trajecto desde logo na remoção de um IVA absurdo na restauração.

  5. “não nos desculparemos com o passado” disse ele. Já agora, Passos podia parar para explicar porque é que de 93% do PIB a dívida passou a 120%. A explicação é bem mais ampla do que o Socratismo de má memória, como bem lembra o João Paz. Demagogia para combater demagogia é a atitude dos néscios.

  6. palavrossavrvs says:

    Meu caro Fernando, com toda a humildade, eu, que não quero morrer néscio nem ignorante nem estúpido nem inepto peço-lhe a delicadeza humanitária de me explicar por que é que de 93% do PIB a dívida passou a 120%. Sou todo olhos.

  7. Meu caro Palavrossavrs, antes de mais põe-se uma questão hermenêutica, não lhe estava a chamar néscio a si, mas a PPC. Além do serviço da dívida e das PPS, enormes consumidores de recursos (acho que é aí que quer chegar), políticas de contracção económica, geram, como bem sabe, diminuição do consumo e consequentemente menor receita, retraem o investimento público e privado, gerando um ciclo vicioso e viciado. O “ajustamento” deveria ter sido planeado à la longue. Tivemos maus negociadores e piores executores. O ir para além da troika é uma teoria económica radical, que produz efeitos devastadores no médio prazo. A “incumpribilidade” do ajustamento deve-se também e sobretudo, na minha humilde opinião a políticas contraccionistas num momento como o actual. Mas isso até os alunos de Cavaco sabem. Chame-me Keynesiano se quiser. É a minha humilde opinião para os seus olhos críticos.

    • palavrossavrvs says:

      Concordo consigo, caríssimo Fernando, menos na parte do Estado voltar a incinerar dinheiro na economia com a opacidade e descontrolo que deram no que deram.

      Foi de uma obtusidade primária este Governo declarar-se por e executar um cumprimento feroz, além-troykista, contraccionista do Memorando, obtuso sobretudo o excesso sacana e preconceituoso subjacente a um IVA monstruoso, desempregador, na restauração.

      Preocupa-me, entretanto, que se queira derrubar este Governo e perder tempo, energias, aprendizagens, perder-se, enfim, a nossa quota parte de via-sacra percorrida. Espero, é também para isso que escrevo e intervenho, que um módico de perspicácia e rasgo penetre ainda os penedos cranianos de Passos-Relvas.

      • Repare que reinvestir na agricultura e pescas, em I&D, em indústrias de valor acrescentado (ver o cluster dos moldes) não é deitar dinheiro fora, é investir no futuro. O dinheiro é um bem escasso, a usar com inteligência e parcimónia. Ao contrário do que se diz por aí Keynes não era adepto de deitar dinheiro para cima dos problemas, mas de de investimento público eficaz e reprodutivo.

        • Maquiavel says:

          Os neoliberais enchem a boca de Keynes e tentam associá-lo aos desmandos populistas para ver se o povo engole os acéfalos dogmas neoliberais.

          Keynes foi sempre a solução:
          Quando a economia floresce, aumentam-se os impostos, criando superavites; quando a economia declina, baixam-se os impostos e investem-se os superavites acumulados em investimento público eficaz e reprodutivo para compensar!
          Quando é que isto foi feito no Tugal? Ou na Europa do Sul?

      • patriotaeliberal says:

        Andas nalguma workshop zen?

  8. Procuram-se fabricante de “baselina”.
    Doutra forma, o povo zanga-se.

  9. Está bem escrito o seu texto camarada, mas custa-me ver um camarada escriba talentoso a desperdiçar assim as palavras com propaganda, raios. já não posso ouvir essa conversa, o tempo é de pensar ideias novas, tanto quanto possível longe dessa alternância sinistra de ciclos políticos ping-pong e de raciocínios tecnocratas comparativos que reduzem a política à expressão da gestão financeira do Estado oligarca, enquanto o povo pena. que tal escrever camarada para variar sobre o sistema eleitoral e os problemas de representatividade da democracia representativa? ou sobre um cenário fora da moeda única, ou outro tabu que o camarada possa ajudar a fazer desopilar do silêncio? esse do sindicalismo não lhe saiu lá muito bem

  10. José António says:

    Oh palavrossavrvs, na minha perspectiva neste momento Passos Coelho e o seu governo já não se apresentam como solução mas como problema, pois as acções por eles emprendidas desacreditaram a palavra que os guindou ao poder, a falta de ética presente na vida política já não é só um atributo dos seus antecessores, por isso as “canas de pesca” a que alude de nada servirão com esta gente, que teve a maioria de votos nas últimas eleições, mas já perdeu toda a legitimidade para governar. Cada vez me convenço mais de que os caminhos possíveis para nos “salvarmos” passam em primeiro lugar por nos desembaraçarmos destes farsantes que a única coisa que mostraram desde o início do seu mandato foi uma inequívoca vontade de “ir ao pote”.

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