Há coisas assim

Ser Professora (ou Professor!) em Portugal é, sem dúvida, uma profissão de risco.educarmata

São assustadoras as notícias dos últimos dias.

Obviamente há, nos casos mais recentes, muitas coisas por explicar, mas estas situações são sinais extremos de que há algo de muito mau nas escolas – e quem lá anda sabe isso!

Não há muitas palavras que permitam explicar a sensação de desconforto, a ideia de que se trabalha atrás do nada, a preencher papeladas sem sentido, para justificar insucessos de alunos que teimam em não aprender, para proteger o profissional dos ataques dos pais. Direcções que incomodam, regras que mudam todos os dias, e o desemprego e o roubo nos salários, e…

Tradicionalmente, o trabalho dos Professores continua em casa, invade e prejudica o ambiente familiar – são fichas para realizar, para corrigir, actas para elaborar e sei lá o quê mais! E os filhos, ali ao lado, entregues à solidão de quem se volta para onde não devia, digo eu.

A pasta, essa maldita – confesso que me consegui ver livre dela ao fim-de-semana: escondo-a na mala do carro. Foi uma atitude de defesa que recomendo! O trabalho? Espera! É mais saudável assim.

Mas, o ambiente está duro, pesado e talvez seja interessante  cruzar informações, abrir os olhos e dar um olá a quem se esconde. Vale a pena estudar isto e talvez esteja aqui a guerra que todos os professores e todas as professoras quererão comprar.

 

Comments


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  2. Reblogged this on Paranóias.


  3. É uma das piores coisas deste país: a Educação

    Nos tempos que correm, não queria, nem por nada, ser professor!

  4. Mónica says:

    Ainda bem que fala disto correndo até o risco de ser chamado de alarmista. Há dias Henrique Raposo (o do Expresso) falava na tv sobre a mãe de Oeiras que matou os dois filhos e que segundo ele não se podia associar a atitude dela com a crise ou a quebra dos rendimentos pois a senhora era professora, ou seja tinha trabalho. E eu pensei, precisamente por ser professora! (e por todas as razões que apresenta neste seu post) deveriamos pensar se não há alguma ligação entre a atitude da senhora e o desgaste que esta profissão acarreta, juntamente com tudo aquilo de negativo que lhe tem sido feito nos últimos anos, bem como as sucessivas notícias de cortes e mais cortes na educação que se pretendem fazer e que todos os professores sabem cairão em cima deles… Pode não causar depressão em muita gente, será preciso ter alguma predisposição, mas que causa desespero e a tendência para ver o futuro negro isso causa…


  5. Isto de privar – até no sentido bíblico – com membros da carreira docente permite-me sentir que, de facto, vivo, eu também, numa situação de risco.
    E sei bem como me chega a casa a companheira que comigo partilha os dias, as noites, os problemas, as ansiedades. Ah! E não te esqueças de tomar a pastilha, por muitos efeitos secundários.
    E, sim, tens de aguentar – eu ajudo-te – porque sei que tudo pode mudar na educação, mas tu não vais mudar porque o que sempre quiseste fazer foi ensinar. Por isso até te licenciaste na via de ensino, por convicção.
    As papeladas?! Bem, vamos lá ver. Eu ligo o computador. Hoje, pelos vistos, não vai haver “The voice” para ninguém!


  6. Já pensaste que não vos deixam fazer os alunos pensar, logo, não fazem entender aos alunos que é importante aprender.

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