Opiniões livres

Algo muito comum ao nível dos clubes, mas também permanente nos partidos. Para os militantes que sofrem desta patologia, o que o seu partido faz no poder, está sempre certo. Já os da oposição estão sempre contra.

O mesmo é válido para os partidos que se limitam a dizer que não: o que defendem está sempre certo. O que os outros dizem está sempre errado.

Escrevi isto há quase um ano e parece-me que a reflexão faz cada vez mais sentido.

E se me permitem, volto a juntar a bola à política.

Uma equipa da cidade aqui ao lado estava, segundo alguns, em risco de ficar fora da Taça da Liga porque os regulamentos não permitiriam que um jogador jogasse pelas equipas A e B num intervalo inferior a 72h. Claro que uns apontaram num sentido, enquanto os do regime azul argumentaram, como conseguiram, para defender o contrário.

Era, na minha opinião, uma discussão sem sentido – obviamente, o regulamento pretendia apenas evitar que as estrelas da equipa A fossem ao jogo da B “alterar a verdade desportiva”.

Do mesmo modo só consigo entender a posição do PSD e do PCP no que diz respeito à limitação dos mandatos dos autarcas como a necessidade de defender, a todo custo, a sua gente. Se, da parte do PSD isso não surpreende, confesso que, do PCP NÃO esperava melhor.

A Lei, na sua matriz fundadora, foi pensada para acabar com os dinossauros da causa autárquica – podemos argumentar que seria necessário o mesmo processo para outros agentes. Talvez.

Confesso que sou dos que gosta da Democracia e defendo que a limitação dos mandatos deveria ser uma arma nas mãos dos eleitores e não, apenas, uma questão de mais ou menos tempo no cargo.

Obviamente, também, concordo com o PC quando diz que, Ser Autarca, não pode ser um rótulo castrador do exercício da democracia. Claro que não. Mas se o Menezes ou o Seara fossem para Paris estudar durante 4 anos, o país perdia alguma coisa? Não me parece.

Vila Nova de Gaia continua a ser o concelho do país com mais desempregados, aliás, o único com mais de 30 mil. E Sintra tem mais desempregados que o Porto, por exemplo.

Dá vontade de rir o teatro que têm feito à volta da questão e quase apetece fazer algumas perguntas:

– sabemos que Menezes é menino para avançar, mesmo correndo o risco de ter que ficar de fora, mas não vos parece que o Seara é demasiado certinho para se meter num beco sem saída?

– além disso, a lista candidata às eleições não é, formalmente equivalente à presidência da autarquia, ou seja, a Lei limita o exercício do cargo, não a candidatura, certo?

Pensem mais uma vez no futebol: o livre é indirecto.

Alguém impede o jogador de rematar directo à baliza?

Não. Só que, se a bola entrar, sem tocar em ninguém, o golo não é validado.

É uma questão tão simples, que só consigo ver nesta insistência uma estratégia do PSD para ganhar espaço junto dos eleitores menos informados, aqueles que, no Porto votarão de forma esmagadora no PSD, por exemplo.

É no fundo, mais um exemplo da forma quase acéfala como tanta gente argumenta as questões partidárias – se é do PSD, o que diz Passos Coelho é Lei, se Jerónimo fala, os camaradas reproduzem…

A mudança estrutural que o nosso país precisa não se deve focar no Estado – deve, antes, acontecer nos partidos!

Comments

  1. Konigvs says:

    Em Portugal seja no futebol, seja na política, a esmagadora maioria das pessoas defende uma camisola, não tem espírito auto crítico, tudo que o seu político faz é bem feito, tudo o que o seu presidente do clube que é associado também é sempre bem feito. E isto é válido para políticos corruptos como é válido para defender o penalti que era evidente esta semana, mas que na semana seguinte quando o mesmo lance acontece ao clube rival claro que já não era penalti.

    Eleitor e adepto da bola defenderão até à morte – com argumentos idiotas evidentemente – a da cor da sua camisola. “Ah o meu está a roubar, mas o teu também já roubou no passado”…argumento de miúdo de dez usado tantas vezes, como que se eu disser que o teu politico também fez merda, de imediato mostrasse que o meu político é intocável e pode fazer a merda toda que quiser.

    Mas os portugueses sendo um povo maioritariamente corrupto, que dão sempre o jeitinho e a atençãozinha e dão a notinha ao sôr polícia para não serem multados, ou dão uma boa quantia ao fiscal da câmara para fechar os olhos às mudanças do projeto da casa, etc etc, adoram eleger políticos corruptos. Já aqui escrevi várias vezes sobre isso, pessoas idóneas têm nojo de mentirosos e ladrões, mas as pessoas votam em que se revêem, e eleitores corruptos não votam em políticos sérios e honestos, fogem é deles. E é por isso que temos os políticos que temos, é por isso que o Isaltino, Major ou o Alberto ganham sempre as eleições, e é por isso que o coelhinho e corta relvas estão no poleiro.

    Sobre o PCP – e PEV? – já não é a primeira vez que me desiludem ao defenderem o indefensável, juntando-se à direita que arranja constantemente esquemas para levar os seus tachos por diante.


  2. Pedindo desculpa pela divulgação e agradecendo a vossa atenção para a questão:

    Associações: Governo tem «total autismo» na reestruturação das Forças Armadas

    Depois de uma luta de muitos anos para que os políticos deixassem de utilizar a palavra autismo -servia de arma de arremesso entre eles e de forma considerada insultuosa para os portadores do espectro do autismo-, tendo sido aprovado, por unanimidade dos deputados da Assembleia da República, a sua não utilização fora de contexto, verificamos que a referida palavra continua a ser mal aplicada no nosso quotidiano.

    Lamentável. Só pode ser por ignorância. Aqui fica o alerta. Pede-se que haja mais respeito pelos autistas. E pelos seus familiares…

  3. nightwishpt says:

    Olhe que no caso do futebol a questão é diferente. O regulamente esclarece claramente que é sobre a utilização de jogadores na 1ª e na 2ª liga clara e explicitamente.

    • João Paulo says:

      Sim, na boa. Mas, o meu ponto era esse mesmo – era uma não questão! Ou antes, a matriz da lei não era impedir que um “puto” fosse da B para a A, mas o contrário. Seja lá em que competição for.

Trackbacks


  1. […] falo como adepto do partido A ou do partido B  – aliás continuo a não entender a existência de ultras na política: esses adeptos incondicionais, que seguem o seu partido para todo o lado, ainda que esteja evidente […]

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