Bento XVI: Um Papa não tão mau como se esperava

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No último dia do pontificado de Bento XVI, meia dúzia de linhas à laia de balanço.
Já passou o tempo em que eu me atirava forte e feio à Igreja Católica por tudo e por nada. Não mudei a minha opinião, mas como diria o outro, agora sou calmo em relação a tudo o que a envolve a instituição. No fundo, só é católico quem quer e ninguém é obrigado a seguir os seus ditames. Cada um é livre de aderir às seitas da sua preferência.
Quanto a Bento XVI, parece-me que não foi tão mau como se previa. Da mesma forma que João Paulo II não foi tão bom como se quer fazer crer. No que diz respeito a Ratzinger, destaco três pontos importantes:
– a crítica forte do neoliberalismo que governa hoje em dia toda a sociedade ocidental. «O objetivo exclusivo de lucro, quando mal produzido e sem ter como fim último o bem comum, arrisca-se a destruir riqueza e criar pobreza.»
– a condenação clara da pedofilia, silenciada e escondida no interior da Igreja, durante décadas, por João Paulo II e as autoridades máximas de Roma. «De novo, penso no imenso sofrimento provocado pelos abusos cometidos nas crianças, especialmente no seio da Igreja e pelos seus ministros.»
– a defesa da Água como bem público e a recusa clara da sua privatizaçãoem todo o mundo. «A água não é “um bem meramente mercantil mas público».
De resto, não se pode dizer que tenha sido um papa especialmente progressista. Mas o que se esperava de alguém que foi eleito aos 80 anos?

Comments

  1. Observador says:

    Chegou a Papa sem querer, viveu a sua magistratura revelando-se incomodado, saiu por vontade própria.

    Merece o meu respeito.

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