Assim se perde o respeito por um jornal

Há notícias e opinião. Há notícias sobre opiniões e opiniões sobre notícias. Cada qual tem o seu lugar e não se misturam, sob pena de se perder o respeito por quem o faz.

Terreiro do Paço, onde não cabem 180 mil, ficou por encher

Este artigo do Público, um misto de notícia com o spin do número de pessoas por metro quadrado, é a machadada na credibilidade de qualquer jornal.

Comments

  1. Estes artigos do Público cada vez me parecem mais alinhados…

  2. Qual é o erro nas contas?

    • jorge fliscorno says:

      Ponho as coisas noutra perspectiva. A água dum rio é a que estiver numa represa num dado momento?

      Este título, por si só, é uma tese. Vê quem quer. E é a tese da desvalorização que o governo resolveu usar. Se o governo quer fazer de avestruz e meter a cabeça na areia e se o Público quer ajudar, terá que se sujeitar ao descrédito. O jornal trouxe para primeira página um título que é uma tese. Isto não é jornalismo, é spin.

      • Porque 800 mil pessoas não é spin: é só burrice.

        • jorge fliscorno says:

          Há tanto de burrice em falar de 800 mil como em falar de 180 mil. Mas compreende-se que cada lado puxe a brasa à sua sardinha. Ah!, espera. O Público, sendo um veículo da informação, supostamente é neutro.

          • Oh, Jorge, vá lá, eu sei que és um tipo ponderado e que não deixa as paixões meterem-se à frente da racionalidade.

            Eu sei que tu sabes que eu sei que o Público lá terá a sua agenda (e não é o único), normalmente até em sentido inverso ao que te parece desta vez.

            Mas lê o artigo. É a primeira vez que se aplica um verdadeiro método científico numa publicação dita de referência para medir pessoas. Em todas as áreas envolvidas na manifestação não podiam estar (porque não há espaço) mais do que 360k pessoas. Isto é, algumas não poderiam sair de onde começou, e outras teriam ido directamente para onde acabou, com tudo preenchido pelo percurso. Não foi o caso, nem de perto, nem de longe.

            Só não percebo qual é a vantagem dos organizadores avançarem com números que qualquer pessoas com dois dedos de testa topa que são falsos – para depois no dia a seguir, confrontados com a desmontagem do disparate, alinharem pelo discurso “os números não interessam” (o que, em si, também é uma treta).

          • jorge fliscorno says:

            O que escreves faz sentido. E como referi, é tão tolo falar nuns números como noutros. O meu ponto, e isto é opinião, claro, é que o título não passa no crivo do critério jornalístico.

  3. Maquiavel says:

    Deixei de ler o Público no momento em que me apercebi que aquilo se tornou a “Fox News” tuga…
    Só lá volto de quando em vez, e na última que o fiz apercebi-me desta grandolada do algoritmo que selecciona as citações:
    http://www.inacreditavel.pt/wp-content/uploads/2013/03/pub-marada.png
    Um amigo disse-me que foi feito manualmente… enfim, pode näo passar de coincidência, mas fartei-me de rir!

  4. C. Mesquita says:

    O Aventar está com sorte, o ping para o Público do blogue oclarinet, sobre este assunto, foi simplesmente apagado, em dois artigos.É a vida…

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