O mais perigoso dos Euro-loucos & Cia.

três loucos

Holandês louco e burro

Jeroen Dijsselbloem, holandês na figura ladeado por Lagarde e Oli Rhen, depois de aprovada a operação de resgate do Chipre, garantiu:

O programa de emergência acordado para Chipre, segunda-feira, representa um novo modelo para a resolução de problemas de bancos da Zona Euro e de outros países que possam ter de reestruturar o sector bancário…

Consiste em penalizar com o corte de 30% os depósitos de valor acima dos 100.000 euros  – estima-se que 37% dos depositantes afectados sejam russos; porém, não devem ignorar-se que, no Chipre, existem cerca de 70.000 residentes britânicos, permanentes, intermitentes ou fictícios, assim como cidadãos de outras origens – espanhóis, italianos ou mesmo portugueses.

Não é despiciendo que, entre os visados, existam muitos cidadãos cipriotas que, com poupanças de 110.000 ou 120.000 euros, por exemplo, sofrerão substanciais reduções nas poupanças, no momento em que o Chipre entrará, fatalmente, em crescente e profunda recessão. Nada garante que, nos impactos desta e das habituais medidas da ‘troika’, haja reformados que, além do confisco da poupança, venham a ser atingidos por cortes de prestações sociais – pensões, reformas e outros subsídios.

As insensatas declarações de Dijsselbloem, o mais perigoso dos ‘Euro loucos’ – sim, mais nocivo do que Gaspar – podem causar um intensa corrida aos bancos, dentro e fora da Zona Euro, de consequências imprevisíveis. As bolsas já começaram a cair. Não é sector por que tenha desvelo, mas, considerado o significado em termos de funcionamento da economia, é preocupante.

A mão de Merkel

Bem desejaria evitar usar o nome desta infesta mulher, mas é acto infalível. A propósito das absurdas declarações do aliado Dijsselbloem, a posição da horrorosa figura é caracterizada pelo ‘Jornal de Negócios’ do seguinte modo:

A chanceler alemã considera que a insolvência de Chipre foi evitada e que a solução encontrada para a reestruturação da banca é a correcta na medida em que não compromete os contribuintes. São os bancos que têm de “salvar-se a si próprios”.

Esta frase está contaminada por diversos venenos. O mais repugnante deles é a hipocrisia. A complacência com os contribuintes cipriotas – estamos a falar de um resgate limitado, se comparado com outros – é de chocante falsidade. Merkel, a patroa do Euro Grupo, da própria UE, da CE e do BCE naturalmente, está mais do que consciente de que os cipriotas, a começar pelo encerramento do Banco Laiki, iniciarão uma sórdida caminhada de despedimentos e empobrecimento, idêntica ao dramático trajecto do tipo grego.

Estava há dias determinado que, salvo nos bancos extintos, aos obrigacionistas teriam os reembolsos assegurados. Ainda se manterá?

Nesta Zona Euro, em lenta dissolução, também fica, uma vez mais, confirmado que, entre os Estados-membros, uns são filhos, outros enteados. A Irlanda beneficiou de um resgate de 110.000 milhões de euros, em benefício exclusivo da banca; do financiamento a Portugal, 12.000 milhões destinam-se a operações de recapitalização da banca e 35.000 milhões a reforço do ‘Fundo de Garantia dos Depósitos’. Por sua vez, a Espanha é um caso especial. Não está sujeita a qualquer ‘troika’ e foram-lhe concedidos financiamentos da ordem dos 70.000 milhões de euros para recapitalizar o Bankia e as Cajas de Ahorro (sem serem contabilizados como dívida pública, o que é espantoso pela “independência e equidade”, assim reveladas, pela Zona Euro face aos Estados-membros em situações idênticas).

Vá lá entender-se isto! A pesporrência sempre foi irracional.

(Sem ser por ‘revanche’, que não faz parte dos meus hábitos, mas apenas por gozo, adoraria ver os ferozes adeptos da Frau Merkel a contas com uma subtracção de 30% da poupança bancária)  

Comments

  1. jorge fliscorno says:

    Estes tipos são loucos e na sua louca ganância de garantir lucro ao sector financeiro não têm o menor pudor em irem ao pouco que nos resta depois dos impostos e do essencial para viver.

    Chipre foi um balão de ensaio!

    • Carlos Fonseca says:

      É isso: enlouqueceram. Com prestações sociais a evaporar-se, tem de voltar-se às notitas debaixo dos colchões, porque de bancos poderemos esperar o esbulho. Programem e executem, com a menor dor possível, a extinção da Zona Euro e do Euro. É preferível a viver sujeito a estas ansiedades.

      • jorge fliscorno says:

        Esqueci-me de referir, entretanto o gabinete do presidente do eurogrupo emitiu um comunicado a dizer precisamente o oposto desta entrevista. Que importa? As intenções são claras.

        Mais, quando se soube do primeiro plano de taxar todos os depósitos, fonte não identificada do eurogrupo (foi assim que a imprensa relatou o caso) afirmou então que essa poderia ser uma solução para outros casos.

        O plano está em curso…

    • Fernando says:

      O Chile foi balão de ensaio…
      A Argentina foi balão de ensaio…
      A Grécia é balão de ensaio…
      Portugal é balão de ensaio…
      O Chipre é balão de ensaio…

      E em breve o mundo não se vai lembrar o que foi a classe média!

      E depois vamos ser todos muito felizes, é garantido…

  2. Fernando says:

    É o que dá a centralização do poder político e económico!
    A esquerda adora centralismos, a direita também, e todos os que não fazem parte da estrutura de poder são oferenda sacrificial para os deuses em que os oligarcas acreditam…

  3. joao riqueto says:

    A Igreja Ortodoxa Cipriota promete dar o quem tem. E por cá a Igreja Católica de Dom José de Alvorninha é um silêncio ensurdecedor.

    • anacleto says:

      A igreja cicpriota não teve as expropriações que a igreja católica portuguesa teve, em 1834 e 1911. Basicamente o que sobrou foram as igrejas, as residências paroquiais (não sobraram, também foram expropriadas e depois as paroquias construíram novas) e as IPSS que construiu entretanto.
      Acha que o estado consegue fazer alguma coisa com isto? Para a igreja as IPSS até era bom o estado tomar conta delas, eram menos um peso. As residências paroquiais… talvez ache bem que os padres passem a dormir de baixo da ponte, mas julgo que será uma opinião minoritária. Em relação às igrejas que pretende fazer? Transformá-las em armazéns, como aconteceu com muitas depois da nacionalização de 1911?

      • anacleto says:

        os retardados mentais não gostam de ouvir verdades.


        • Os retardados mentais e ignorantes como o anacleto precisam que uma instituição corrupta – que não o Estado ou uma multinacional – cuja fundamentação ontológica é baseada em factos não verificáveis (a existência de Deus) lhes diga como devem viver e proceder para com os outros.
          Com tanta conversa miserabilista sobre o património da Igreja Católica, não refere o lobby da Opus Dei, muito menos a estrutura de poder económico e financeiro que tem vindo a ser construída (para depois destruir as instituições e o país) pela “Universidade Católica”; não, não é pela qualidade dos seus diplomados, é mesmo pela prática do factor C, ou para estar mais em sintonia com a nova nomenclatura, o “networking”. Os activos agora são outros, só não vê quem não quer.
          Quem é proprietário de um imóvel dispõe dele como bem entender, dentro dos limites da lei. No caso do Estado, teria de ter em conta o bem comum – pelo menos em teoria, que a realidade prega-nos partidas.
          Se a acção da Primeira República em relação à Igreja foi, a espaços, descabida e desproporcionada, para não dizer totalmente intolerante, não é menos verdade que a própria Igreja foi, durante séculos, um agente de perseguição, e de causa do atraso intelectual e económico nacional. Sim, refiro-me a DESASTRES nacionais como a Inquisição e quero lá saber se era moda pela Europa fora; mais um argumento convenientemente esquecido pelos católicos, essas pobres vítimas. E, bom, quando a ser tolerante, a rapaziada da Estrela de David pode aferir quando à tolerância católica de antanho – não, não digo que ainda seja assim, mas já foi.

          Vai-te foder, anacleto. Se a desonestidade intelectual fosse pecado mortal, já estarias morto, filho da puta. Volta para a vara de porcos dos sites católicos, dos Serras Pereiras, Portocarreros e demais escumalha. Portugal não precisa de merda como tu e essa gente, muito menos de uma Universidade que se diz católica mas que nas suas duas faculdades mais influentes deitou para o lixo a Doutrina Social da Igreja; sobre este último, quem o disse foi o antigo Bispo Auxiliar de Lisboa, D. Carlos Azevedo, agora perseguido pela hierarquia por ter dito umas verdades e ter posto a nu todo um lobby de corrupção.


  4. Não havia mesmo hipótese de o Chipre não pedir o roubo? Ai perdão o empréstimo?

  5. Zé Carioca says:

    Eu gostava de ter visto esta solução aplicada ao BPN/BPP e a outros bancos falidos, e não ter eu, que não tinha lá um cêntimo, a pagá-la com os meus impostos…por isso é que são bancos privados, ou seja, também podem falir, os precavidos que tinham as poupanças na CGD a receber uma côdea de juros ainda tiveram que pagar, com os aumentos dos impostos, as “extravagâncias” daqueles que recebiam 5 e mais % nos bpn`s e cª, é exactamente o oposto disto que se passa em Chipre, e não um confisco!!!!!!


  6. “existam muitos cidadãos cipriotas que, com poupanças de 110.000 ou 120.000 euros, por exemplo, sofrerão substanciais reduções nas poupanças”

    Acho que está a interpretar mal a medida aplicada no Chipre. Existe garantia de 100.000 para todos os depósitos e os 30% de dedução são só sobre o excedente deste valor. Assim quem tem 110.000 perde 3.333 Euros (10.000 * 30% e não 110.000*30%). Esta medida é obviamente para sacar o dinheiro a quem tem muito mais do que 100.000 Euros.

    (corrijam-me se estiver enganado, mas esta parece-me a interpretação correcta daquilo que tem sido anunciado)

    • Carlos Fonseca says:

      Como interpreta o trecho publicado no Portal da Eurozona do comunicado do Eurogrupo, a seguir transcrito? Ei-lo:. “Em particular, elas salvaguardam todos os depósitos abaixo de EUR 100.000 de acordo com os princípios da UE.”
      É, pelo menos, ambíguo não é? E a filosofia de sugadouro do Eurogrupo leva-me a pensar que estou certo.


  7. O SECTOR FINANCEIRO , VULGO CONHECIDO POR BANCA ,
    É UMA AUTÊNTICA SUJEIRA , CONFORME VENHO DIZENDO
    HÁ MAIS DE 30 ANOS . SÓ INTERESSA A CORRUPTOS , VIGA-
    RISTAS , GOLPISTAS E OUTROS QUE TAIS . .

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