Aumento do horário de trabalho dos professores

E quem se lixa são os putos

Desculpem lá o simplismo da afirmação, mas isto não está para falinhas mansas.

Ao que parece os idiotas de serviço resolveram trocar uma hora diária de AEC (Actividades de Enriquecimento Curricular) por mais uma hora de apoio ao Estudo.

Na prática e sem qualquer tipo de eufemismo o que o MEC quer é simples: despede os professores precários que hoje estão nas AEC e no seu lugar coloca os dos quadros. Como?

A cada um dos professores do 1ºciclo (antiga primária) acrescenta uma hora de trabalho por dia (isto é 5/semana, ou seja, aumenta o horário de trabalho de 35h para 40h) e arranja as horas necessárias para o Apoio ao Estudo.

A outra hora ficará a cargo dos professores dos quadros que ficando com horário zero saltam para esta amostra de serviço.

E assim se poupam uns milhões, dizem que 75.

Perguntará a esta hora, algum leitor mais atento, mas então qual é o problema:

– o aumento da carga horária de trabalho (+20% de horário lectivo) significa que os professores do 1ºciclo ficarão com menos tempo para preparar as aulas e, por consequência, com menos disponibilidade para fazerem uma avaliação formativa de qualidade. O trabalho vai aparecer feito, as aulas vão ser dadas e para os pais até parece que fica tudo na mesma. Mas não – é do tempo para os seus filhos que sai esta poupança. Ficamos com pior escola.

– por outro lado, o primeiro ciclo do ensino básico não pode ser um espaço apenas escolarizado – não há qualquer fundamento para manter uma criança de 6 anos sentado numa cadeira 6 horas por dia (5 com a professora + uma hora de apoio ao estudo, na mesma sala, com a mesma professora). É um erro pedagógico que inibe o desenvolvimento, impede a aprendizagem por outras vias, por outras expressões, por outros caminhos. Sabem, os adultos que trabalham, o que é estar 8 horas fechado num escritório ou numa fábrica. Pensem, então, que sentido faz ter uma criança tão pequena fechada dentro da sala de aula, sentada e quieta seis horas por dia. Um erro e, por isso, afirmo que vamos ficar com pior escola.

Tornar pior a Escola Pública é um desejo desta gente ignorante que pensa ter uma maioria absoluta para gerir a ditadura do povo, mas não tem. Há muito tempo que a maioria se foi – agora é só uma questão de saber quando é que vão começar a ser abatidos (politicamente falando, claro!).

Comments

  1. edgar says:

    “O AUMENTO DO HORÁRIO DE TRABALHO NA FUNÇÃO PÚBLICA DE 35 PARA 40 HORAS, SEM CONTRAPARTIDA REMUNERATÓRIA, REPRESENTARIA UM CONFISCO DE 1.640 MILHÕES €/ANO DE SALÁRIOS, SENDO UM FORTE INCENTIVO PARA OS PATRÕES DO PRIVADO FAZEREM O MESMO” (Eugénio Rosa – resistir.info

  2. Miguel Carvalho says:

    João, em primeiro lugar, quero deixar neste meu primeiro comentário aqui no Aventar os meus parabéns pelo excelente trabalho por vós realizado.

    Em segundo lugar, retiro do teu texto a ideia de que o professor deixa de ter tempo e disponibilidade (e acrescento sanidade mental) para uma AVALIAÇÃO FORMATIVA… correctíssimo, concordo. No entanto, se repararmos em todas as politicas educativas deste governo é precisamente isso que as nossas sumidades governativas querem. Senão vejamos: Para que servem os EXAMES no primeiro ciclo? Mais horas no horário? Menos professores?? Provas de 1º ciclo feitas por professores do 3º???

    Será para aumentar a exigência, baixar os resultados dos meninos e com isso “comprovar” (?) má qualidade de ensino e justificar todas as atrocidades que estão a aplicar e a destruir a Escola Publica???

    Será que eles não sabem isto???

    Mais uma dúvida, porque é que o nosso querido ministro da educação (com minúscula) tinha uma opinião diferente quando foi comentador de um dos nossos canais televisivo? Será que no nosso Gipeto (Gaspar) nunca vais dar vida própria aos seus Pinóquios (restantes ministros)???

    E com esta me despeço com um grande abraço para todos os que dão vida a este espaço (leitores e editores).

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