Falar claro

Creio que, nos últimos dias, há dois acontecimentos positivos a registar: as declarações de Lobo Xavier e Pacheco Pereira, e a entrada para o secretariado e Comissão Política do PS de António Costa e Francisco Assis.

Lobo Xavier (CDS) e Pacheco Pereira (PSD) afirmaram, na SIC, portanto perante todo o país, que Portugal nunca devia ter pedido o resgate e deixado entrar a troika, o que em sua opinião destruiu o pais, e que não devia ter sido derrotado o PEC IV e com ele o governo anterior (e eu acrescento que o foi com a entusiástica colaboração do PC e do BE, históricos adeptos do quanto pior, melhor). Ninguém que tenha amor à verdade e uma escorreita memória pode negar que José Sócrates se bateu até ao último minuto da sua governação contra a entrada da troika. Com esta pública reposição da verdade dos factos, Lobo Xavier e Pacheco Pereira deram uma estocada mortal num governo desacreditado pelo somatório da incompetência e da mentira, e podem muito bem ter aberto o caminho para profundas depurações no PSD e no CDS. E por tabela, também a deram ao PR que, como está à vista, defende o governo contra a vontade da esmagadora maoria do povo.

António José Seguro, ao chamar António Costa e Francisco Assis para lugares cimeiros da liderança do PS, convoca os socialistas a unirem-se para as lutas que há e as que virão.  É, em suma, o tocar a reunir no PS com vista a eleições e as responsabilidades que delas virão.

A ser assim, criam-se as condições para um frentismo pluripartidário que, com determinação e força, fale claro e alto em Bruxelas, em Washington, em Berlim,  onde quer que seja preciso para fazer entender aos credores que os portugueses querem pagar a dívida como cidadãos livres e não como escravos reduzidos à miséria por uma chanceler fanática que tem no governo PSD-CDS, maila maioria parlamentar bem nutrida de aventais maçónicos, um rebanho de tristes ovelhas negras. Esclarecida a situação, postos os pontos nos ii, pode então a diplomacia digna desse nome fazer as pontes necessárias com os outros paises do sul da Europa para uma acção conjunta na União Europeia, e incentivar os investidores estrangeiros e os empresários portugueses espalhados pelo mundo.

Será indispensável que todos os movimentos populares, em geral apartidários, constituam a rectaguarda desta movimentação. Em tempo de guerra não se limpam armas: as diferenças hão-de discutir-se depois de passado o perigo. Estou certa que todos saberão compreender o que está em jogo. Portugal vale bem esse sacrifício.

 

Comments

  1. João Paz says:

    A única forma de falar claro é exigir uma auditoria séria à dívida soberana que, tudo o indica, é ,na sua esmagadora maioria, odiosa e “preparada” de longa data (desde a entrada da CEE e consequente destruição de tudo o que pudesse fazer “sombra” ou seja diminuir os lucros das potências que nos “ofereceram” milhões como forma de aguentarmos a hecatombe) para que só os bancos, muito em particular os alemães pudessem lucrar com a nossa miséria. Naturalmente que, até à conclusão dessa auditoria, não devemos pagar nem dívida nem os seus juros. agiotas. Só néscios pagam uma simples conta de restaurante sem ver as parcelas. Qualquer outra “solução” significa continuar de joelhos perante o império Alemão e as medidas gravosas (sejam PEC I, II,III, ou IV ou, como a Alemanha e os bancos impuseram, o “pacto” que nos transformou num protectorado) que destroiem todo o pouco que nos resta. Não querer ver estas coisas básicas é preferir continuar com a cabeça enterrada na areia.

  2. nightwishpt says:

    “Portugal nunca devia ter pedido o resgate e deixado entrar a troika, o que em sua opinião destruiu o pais, e que não devia ter sido derrotado o PEC IV e com ele o governo anterior”

    É irrelevante, os mercados encontraram o seu alvo e nunca o iriam largar, e a UE em si estava desejosa para fazer “reformas”.

  3. Observador says:

    Pois é. Mas a Espanha, apesar de muito maior, até quando lhe dói a cabeça, não deixou entrar a toika, está a ser servida de dinheiro na mesma, vai aos mercados a taxas mais baixas. E nós por aqui estamos pensando num futuro que nunca mais aparece porque enganados por esta gente que sabe pouco disto mas sabe o suficiente para gozar connosco.

    • O problema é exactamente esse: é que nós bem íamos aos mercados … mas estes fugiam … já fugiam, só fugiam. E de Espanha não!.

      • João Paz says:

        Que fugissem José Monteiro , quem lucraria seríamos nós enquanto povo e enquanto país. O próprio Secretário do Tesouro de Sócrates disse publicamente que nós teríamos dinheiro suficiente para pagar TODAS AS DESPESAS com vencimentos e despesas correntes DESDE QUE NÃO PAGÁSSEMOS aos bancos (os juros agiotas e a dívida fabricada acrescento eu). Por conseguinte os únicos prejudicados seriam os bancos e muito especialmente os bancos alemães. Por isso já que INFELIZMENTE e pensando nos seus lucros brutais não fugiram teremos de ser nós a expulsar as DUAS troykas que obedecem aos “mercados” e os representam..

  4. “Ninguém pode negar que o Sócrates não sei quê”, nem que a virgem apareceu em fátima aos pastorinhos, nem que a senhora de fátima apareceu ao presidente.

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