Ocupem o (leão do) Marquês

Diapositivo1

Li hoje, num jornal desportivo, que há figuras, entre aquelas que foram mandadas pela porta fora há dias, que estão enjoadíssimas pelo facto de os direitos desportivos de João Moutinho terem sido vendidos por 25 milhões.

Pasmo com o ridículo da situação.

João Moutinho veio para o FC Porto por 11 milhões e com uma salvaguarda de que 25% das mais-valias duma futura transferência caberiam ao Sporting.

Na sua estadia no Dragão, o passe do atleta valorizou de tal forma que o seu valor atingiu mais 14 milhões.

Sendo certo que o jogador foi apelidado pela Direcção de Sporting de “maçã podre”, epíteto a que se associaram algumas das figuras leoninas agora escandalizadas, é no mínimo estranho que esses sportinguistas, que nada têm agora a ver com a gestão do Sporting, limitando-se a pagar as quotas, venham reclamar que João Moutinho não tenha sido vendido pela cláusula de rescisão. Nem o Hulk, meus senhores, foi!

James Rodriguez têm menos 5 anos que o ex-jogador do Sporting, o Porto pôde exigir o valor da cláusula de rescisão, da mesma forma que já afirmou que Mangala, da mesma idade de James, só sai pelo seu valor, 55 milhões.

Agora eu pergunto, vender um médio de 26 anos pelo preço que o Barcelona está disposto a pagar pelo avançado Neymar – que, se é mais velho que James, é pouco – é má venda?!

O Porto valorizou o atleta, que nunca havia ganhado nada, e, mesmo assim, o Sporting lucra mais com a actual transferência do que o FC Porto, a quem o atleta pertencia no momento.

Podem-me dizer o que estes gajos querem?!

Mamar na teta do Dragão?!

Comments

  1. Hugo says:

    A paixão pelo futebol é coisa que nunca me deixa de surpreender. Quando são os bancos ou os governos a fazer negócios menos claros, menos éticos (Martim, estás a ouvir?), sejam os swaps, seja a antecipação de dividendo, seja a não-declaração de impostos, cai o Carmo e a Trindade. Quando é o [inserir nome do clube de coração], está tudo normal. Arranja-se sempre uma justificação. Quando não se arranja uma justificação decente, elogia-se a chico-espertice dos dirigentes (claro que se for um Martim a ser chico-esperto, uuiii, revolução já). Neste caso, houve uma clara subvalorização do Moutinho (que é uma maçã podre pela falta de carácter demonstrada para com o Sporting em 2010, mas não deixa de ser um talentosíssimo jogador) e uma clara sobrevalorização do James (então o Neymar não vale 26M e o James vale 45?) com o único objectivo de contornar pela porta do cavalo um acordo estabelecido livremente e de boa-fé pelo Sporting e pelo Porto. Faz lembrar um bocadinho o que o governo está a fazer aos contratos assinados livremente e de boa-fé com os funcionários públicos e com os reformados, mas isso já é uma pouca-vergonha outra vez. Buu, rua, fascismo nunca mais.


  2. Os proventos que o SCP irá receber não resultam de dádiva de este ou aquele clube. Estão consagrados nos regulamentos da FIFA.
    Pessoalmente continuo a pensar que falta ao homem o que sobra ao jogador. Bettencourt na altura chamou lhe maçã podre a meu ver com razão. O atleta era capitão de equipa e o mau estar que criava no balneário era vergonhoso. Tivesse ele tido o mesmo procedimento no FCP e….
    O presidente Bruno de Carvalho lamenta que Jorge Nuno Pinto da Costa já não tenha o mesmo poder de negociação que outrora – veja se as transferencias de Falcão e Hulk embora saibamos que os tempops são outros.
    Nada mais há a acrescentar OFICIALMENTE.
    Que venham mais BONS negócios destes porque o futebal bem precisa deles.

    • anon says:

      caro amigo,
      não chame praqui os regulamentos porque os 25% de venda futura do JMoutinho foram acordados pelos dois clubes na altura da venda do jogador ao FCPorto e não têm por isso nada a ver com os supracitados regulamentos. informe-se antes de falar, por favor.

  3. Anacleto says:

    A maçã até podia ser podre. Mas de fruta percebem vocês. Por isso, continuo a achar que foi mal vendido.


  4. Ora vamos lá respigar um pouco a história:
    Aqui há anos, um tal Deco, que acabava de ser campeão europeu e era a super-figura da equipa, foi vendido, no auge da sua carreira, ao Barcelona, por valores que, à época, pareceram inferiores ao valor do atleta.
    Confirmou-se, posteriormente, que Deco partira por esse valor porque se tratava de uma promessa de Pinto da Costa que lhe pedira para ficar, na tentativa de uma grande época europeia, prometendo-lhe que no final dessa época cederia os seus direitos desportivos.
    Assim aconteceu, assim se fez.
    Com João Moutinho, o FC Porto esticou todas as cordas possíveis para o manter, chegando-se ao momento em que era impossível mantê-lo mais tempo, sob pena de o seu valor baixar, em contraponto com uma eventual quebra de confiança sobre a promessa que JNPC terá feito ao jogador.
    Por tudo o que João Moutinho deu ao clube, e JNPC sabe ser grato, por muito que digam no contraditório, a transferência tinha que ser consumada, desde que a SAD não perdesse dinheiro, podendo não ganhar o que seria expectável.
    Como aconteceu com Deco, João Moutinho parte alegadamente por um valor mais baixo do que seria de esperar.
    Mas são estes os ditames da palavra dada. E se, cumulativamente, o clube não perde dinheiro, antes ganha, venha o primeiro atirar-lhes (ao jogador e ao presidente) a primeira pedra.
    PS. Sou portista muito antes de JNPC ter nascido como dirigente. Não sou fã dele. Aliás, entrei frontalmente em guerra com ele, no início do seu consulado, porque discordei da forma como liderou o cisma de Santa Cruz do Bispo e se apropriou do lugar que era de Américo de Sá, com episódios rocambolescos de guerrilha institucional. Lutei pelo fim do cisma, tendo entrado no grupo que conseguiu levar Sousa e Costa para o estágio em Tomar, fazendo abortar o golpe.
    Depois, a história veio mostrar que, afinal, havia outros caminhos. Não segui por eles, afastei-me, mas continuo a viver esta paixão que se chama FC Porto.
    Logo, nunca mais digam por aqui que ando à procura de justificações para eventuais pecados da administração da SAD portista.
    E, vamos lá, se há contornos nebulosos nesta transferência, o Sporting mereceu bem a bofetada, não obstante ter a certeza de que a quase certa ida de Rolando para o Sporting, e outros negócios de que se fala, tem a ver com os valores reais da transferência que, como sempre, ficarão no segredo dos deuses, das engenharias financeiras a que o comum dos mortais não tem acesso.
    Mas disso não falo porque me recuso a perorar sobre aquilo que desconheço. Essa não é a minha praia!

    • Hugo says:

      Um grande e longo texto para quem não quer justificar nada, acompanhado de uma história muito interessante dos idos anos 80, mas que para o caso não interessa nada. E no fim, acaba-se por justificar a negociata outra vez… e mal, ainda por cima. É verdade que o Deco foi para o Barcelona por um valor monetário inferior à cláusula de rescisão e até inferior ao verdadeiro valor do jogador. Mas não se esqueça que nesse mesmo negócio o Barça enviou para as Antas o Quaresma, num negócio que, se bem me lembro, foi avaliado em 21M€. Assim e no final de contas, o verdadeiro valor da transferência aproximou-se do verdadeiro valor do atleta. Portanto, não foi nenhum favor especial, nem nenhuma homenagem do Porto ao Deco. Foi um negócio como tantos outros, do qual o Porto retirou a maior receita possível de uma transferência de um seu atleta.

      Com o Moutinho, devia-se passar exactamente o mesmo: o Porto quereria retirar o máximo valor possível da venda do atleta. Mas havia um senão: os 25% do Sporting. E então mete-se outro jogador ao barulho para diluir o verdadeiro valor da transferência do Moutinho no valor total da transferência e assim fugir com o rabo à seringa dos 25%. Isto é claro para todos verem e só ficava bem aos portistas admitirem isso em vez de virem com histórias do Deco, do Américo Tomás ou do/da (?) JNPC (Junta Nacional de Papaias e Chocolatinhos?).

  5. josé honório says:

    Ganhado…!?
    Isso também é por causa do AO90.
    Escrever assim, sobre futebol e ainda por cima sobre o FCP põe indubitavelmente em causa o alto nível a que o Aventar nos habituou.


    • Perdeu uma boa oportunidade de ficar calado.
      Ou, como se diz, só a ignorância é arrogante.
      Eu, sobre couves, não mando estrume, porque desconheço. Daí, o velho conselho grego: não vá o sapateiro além da chinela.
      Espero que tenha ganhado algo, esse será o meu ganho!

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