Não é um governo, é um gangue

Este governo é ridículo. É absurdo. É um disparate. É inacreditável que, quando podia, mediaticamente e apenas isso, dar uma ideia pequenina de alguma mudança política, eis que nos surpreende e troika Vítor Gaspar por Maria Albuquerque, que tem o condão de ter parte do país a pedir a sua demissão mesmo antes de ser ministra. Mas será que surpreende mesmo?

Já vimos de tudo com esta gente. Desde um ministro que era doutor mas não muito e que acabou corrido, porque para além de ser incompetente e mentiroso, foi insultado, alvo de todas as críticas, fosse a partir do Tour de France ou do café do meu bairro. Qualquer pessoa com o mínimo de vergonha não teria permitido que chegasse a este ponto. Mas vergonha é coisa que não lhes é cara.

Ontem, Vítor Gaspar demitiu-se. O célebre arquitecto do oásis, há uns anos, quando as suas previsões colocavam Portugal a crescer 2 por cento e acabou em recessão. Como prémio pelo desempenho de então, Passos Coelho escolheu-o para ministro, para deleite de Camilo Lourenço e de outros skinheads de extrema-direita da economia. Gaspar falhou, também agora, em tudo e mais alguma coisa do que previu, como prevíamos todos menos o próprio.

Quem esperava que Gaspar fosse agora ocupar o lugar do Honório Novo, também não acertou. Durão Barroso já arranjou emprego para o amigo Gaspar, vai ser Comissário Europeu, ao que parece.

Coelho escolheu então Maria Luís Albuquerque para substituir o sinistro Gaspar, numa clara demonstração de apreço pelo trabalho que a senhora desenvolveu enquanto professora do nosso Primeiro. E ainda há quem diga que este governo não gosta dos professores… A senhora em causa, colocada em causa por mentir no que respeita aos tristemente famosos contratos swap, tendo sido ela interveniente na elaboração de alguns deles, dos exóticos, não dos tóxicos – vamos rir-nos –  enquanto directora financeira da REFER.

Coelho e Portas não querem ser demitidos, querem sair à força. E estas remodelações que vão acontecendo não podem ser dissociadas das lutas que estão a ser levadas a cabo pelo povo português, como aconteceu com Miguel Relvas. De acontecimentos passados, fica-nos a lição: Relvas caiu, Gaspar caiu. Vamos então apontar aos alvos certos, que são Passos e Portas, e eles cairão também, mesmo que este último continue a fazer de conta que não é nada com ele. Acredito que a pessoalização do protesto em relação a este ou aquele ministro é um erro. Não são eles, individualmente, o problema, é o colectivo que representam, que defendem tudo menos aquilo que juraram defender.

As nomeações que hoje terão carácter formal não são dignas de um governo. São dignas de um gangue criminoso, em que, quando um dos cabecilhas cai, o líder escolhe outro pior que o anterior, para manter os súbditos arregimentados e fiéis.

Acredito que, se quisermos todos, vão cair com estrondo, um a um, e vai também Cavaco, que é o pai do lodo em que este país se tornou.

Comments

  1. surrealisticswap says:

    Quando se escolhe uma Relvas v. 2.0 para a pasta das finanças, ou quando se pensa numa Teresa Leal Coelho (também professora da ULusíada) para a CML, esquecendo o que esta fez no CCB – e que agora vem tipo virgem ofendida criticar o que foi feito ao erário público com as benditas swaps – vemos que chegámos ao fim da linha; em termos de uma muito específica classe política, que pura e simplesmente se recusa a governar a bem do povo, mas sim a bem da sua própria carteira. Esta é a gentalha que decide o caminho deste país à beira do copleto colapso…

    Se Gaspar bateu com a porta, pouco não deve faltar para que o resto saia. Se tal não acontecer é porque quem realmente governa (ainda em que regime de part time) é o senhor de Belém, homem pouco habituado a democracia e a quem o conceito de estado de direito é mais para servir os seus interesses puramente maquiavélicos.

  2. palavrossavrvs says:

    Meu caro e estimado amigo, os olhos da Esquerda são maiores que a barriga. Importa que o País não caia. Estrondosamente. Ponto. As linhas com que nos cosemos são, também são, transnacionais, europeias, e vão no sentido inverso dessa retórica destrutiva. Não serão partidos fósseis como o BE e o PCP ou partidos-pária, como o PS, a gerar toda a confiança do eleitorado para essas quedas de cabelo [os que se sigam a Relvas e a Gaspar] por que sonha a vã fantasia das Esquerdas. Nem em cem anos. LOL

    • surrealisticswap says:

      Isto já não é uma questão meramente ideológica entre esquerda e direita, aliás tirando a questão da demissão, os discursos andam muito amenos no panorama político (para a gravidade dos nossos problemas). Mais cedo (nunca mais tarde) isto vai descambar em populismo político e aí até Portas vai parecer um santo da democracia.

      Pelo interesse nacional temos de bater o pé, jogar todas as cartas para cima da mesa, ameaçar, jogar sujo, o que for. Esta limpeza purificadora que nos querem impôr (e que muita gente de direita fica excitada com a ideia) é uma falácia, aliás ficou provado que nada limpou, só agravou os problemas, é pura ingenuidade que a austeridade imposta resulte em algo bom, nunca no séc. XXI, em 2013.

    • Amadeu says:

      Este Palavroso não sabe que o sonho comanda a vida. É o cúmulo. Um monárquico a chamar fósseis aos outros !! Um zarolho de direita a falar dos dois olhos da esquerda.

    • Lídia says:

      Sim, filha, continuemos com estes maquiavélicos, que tudo teem feito para lixar o pagode, eles governam bem o seu bolso, já é hábito. Quando todos andarem a pedir esmola, então, vais criticar ? Bom, ou estás muito bem de vida ou também te vai tocar um dia destes…!

    • nightwishpt says:

      Pois bem, aqui os construtores iam destruindo a escola pública, ficando a meio caminho, querem destruir a saúde pública, as reformas, o ordenado mínimo, o direito à greve, o direito ao trabalho, a constituição…

  3. Ricardo M Santos says:

    Caríssimo: o país já caiu. Afundou-se. Está no lodo, isto ajuda a perceber: http://aventar.eu/2013/07/02/sns-isentos-duplicaram-em-2012/
    A minha retórica destrutiva, como lhe chamas, não é tão grave como a prática destrutiva que está a ser levada a cabo por esta gente. Destrutivo é isso. Fazer cair este governo não é destruir, é reanimar um país desfeito. Se o PS é alternativa? Não.
    Se há factores transnacionais, também cá temos os actores desses factores.

    • Maria João says:

      A única coisa que eu não entendo, quando se diz que a esquerda que temos não é alternativa, é a defesa do que tivemos nos últimos 2 anos, parceira da tralha cavaquista, que é em tudo igual ou pior que a tralha socrática e que não está, nem nunca esteve isenta de culpas da tragédia de endividamento que enfrentamos. Nem o Frasquilho acredita nisso. Adoro um rosto em que a boca palavrosa solta um discurso que os olhos desmentem.. E sim, se este governo cair, e espero que caia em breve com grande estrondo, temos um problema. Cabe-nos a nós, povo, resolvê-lo, através de eleições democráticas em que o voto seja bem pensado.

    • palavrossavrvs says:

      Sábia resposta e concordância plena quanto ao teu diagnóstico. Temo é a alternativa com o PS dentro. Um grande e sentido abraço, Ricardo.

      • adelinoferreira says:

        Estás no apeadeiro Palavrosaureo, o último comboio
        já passou e o serviço da CP ficou descontinuado.

      • nightwishpt says:

        E se fizer o mesmo, cai também até lá ficar alguém com respeito pelo país e pelos portugueses.

  4. Joao says:

    Magnifico post.
    Inteiramente de acordo

  5. coimbrão says:

    A Lusíada não é uma Universidade. É um apeadeiro onde se emitem certificados de licenciatura. Assim sendo, desconfio da competência da Ministra das Finanças que, pelos vistos, frequentou aquele local. Porquê? Por ser mais fácil? Por não ter notas para aceder a uma Universidade pública ? Coisa esquisita. Vamos nós cidadãos pagar a factura. Ai isso vamos ….


  6. Isto que se está a passar é bem pior que surrealismo .
    É uma barbaridade , tanto à esquerda como á direita.
    São todos iguais nenhum prestas . só são bons a fa-
    zerem arranjinhos entre eles É tudo teatro para nos
    enganarem .

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