A imunidade de Dias Loureiro

CA PPC

Imagem@Do Portugal Profundo

Segundo o DN, a Polícia Judiciária poderá ter sido impedida de investigar Dias Loureiro no âmbito do caso BPN onde é arguido, apesar do seu processo estar parado há já alguns anos, sendo que a antiga directora do DCIAP, Cândida Almeida, terá prometido em 2009 enviar o processo para a PJ, algo que até ao momento ainda não aconteceu.

O DN cita o Correio da Manhã para esclarecer que o motivo para o atraso na promessa de Cândida Almeida se prende com o pedido de reforço da equipa da PJ que investiga crimes económicos, que apesar de ter sido efectivamente reforçada, continua a receber apenas processos de outros arguidos, menos mediáticos e eventualmente menos poderosos também. O CM questionou a antiga chefe do DCIAP sobre o porquê desta aparente imunidade de Dias Loureiro mas Cândida Almeida terá afirmado não poder revelar o motivo pelo qual o processo do comparsa de Oliveira e Costa continua imune à investigação em torno da maior fraude financeira da história do país. Portanto a senhora até tem boa vontade e tal mas existe ali uma incógnita que a impediu de fazer este processo andar. Anda para outros mas Dias Loureiro está mais ocupado a espalhar charme em inaugurações de queijarias onde é elogiado pelo discípulo Pedro. Era o que mais faltava estar a perder tempo com tribunais, isso é coisa de plebe.

Este novo caso remete-me para o Verão de 2012, quando Cândida Almeida proferiu, na colónia de férias da JSD em Castelo de Vide, as seguintes declarações:

O nosso país não é um país corrupto, os nossos políticos não são políticos corruptos, os nossos dirigentes não são dirigentes corruptos. Portugal não é um país corrupto. Existe corrupção obviamente, mas rejeito qualquer afirmação simplista e generalizada, de que o país está completamente alheado dos direitos, de um comportamento ético (…) de que é um país de corruptos (…)

Este é um caso (contrapartidas submarinos) de exemplo e que está a ser tratado a nível da Europa, exatamente porque não há peias, nem do Ministério Público, nem dos órgãos de soberania, do Governo, seja de quem for. Temos feito efetivamente o nosso trabalho (…). Ninguém nos impediu e, portanto, se vocês virem a nível europeu (…) não veem ninguém a ser investigado não há investigação de grandes negócios do Estado e que interessam ao Estado. E nós temo-lo

Apesar do intrigante optimismo de alguém que não parece viver ou tão pouco conhecer Portugal, algo que explica em parte o facto de tal sentimento ser pouco partilhado pela generalidade dos portugueses, é de salientar o desfecho do caso das contrapartidas dos submarinos, que resultou em absolutamente nada e ainda deixou o Capelo Rego a rir-se à gargalhada, mas, acima de tudo, dar graças por vivermos num país onde a investigação a estes negócios parece existir, apesar de ninguém a ver e dos seus custos ficarem sempre a cargo dos suspeitos do costume. Apesar dos Dias Loureiros desta vida.

Claro que alguém que “conheceu mundo, é um empresário bem-sucedido, viu muitas coisas por este mundo fora” como Dias Loureiro deve “metódico” o suficiente para caminhar entre os pingos da chuva sem se molhar. Apesar de ter mentido aos deputados e de ser uma das mais altas patentes do banco fraudulento do cavaquismo, este sujeito continua, tal como alguns dos seus pares neste país, acima da justiça. Não surpreende, portanto, a admiração de Passos Coelho: também o primeiro-ministro quererá com certeza saber como fazer de conta que a justiça não existe e assobiar para o lado caso algumas das suas aventuras do passado possam causar-lhe algum tipo de preocupação no futuro.

Comments


  1. Neste post estou plenamente solidário com João Mendes, quando existem suspeitas a justiça não tem de olhar a partidos, nem aos cargos de que os visados são titulares, por cautelas para com os políticos é que este regime permitiu tanta corrupção florescesse numa sensação de impunidade e atingisse a dimensão que se sabe, mais a oculta aos nossos olhos.
    Aliás na gestão da causa pública por nomeação/eleição a lugares de poder a cautela deveria ser preventiva e não de dúvida pró-réu a impor-se (sei que dizem que esta ideia é inconstitucional, mas para mim é a constituição que está mal), depois se se verificasse a inocência até poderiam voltar reforçados em credibilidade moral.


    • Vá lá que desta vez conseguimos estar de acordo 🙂 o que, para quem tem pelo menos um pingo de vergonha na cara, é algo a ser encarado com naturalidade 🙂

  2. Economista careca says:

    Anacronismos…


  3. Quando a currupção é institucionalizada,obviamente que não é currupção porque é norma… daí esta senhora tem toda a razão….sim senhora…


  4. Isso agora nun intressa nada; o que intressa é que o Sócrates steja preso, se nun a fez andaba prà fazer, este se a fez, fê-la bem feita qu’isto nun é pr’amadores.
    Portugueses! filhos da p…átria! ao deitar e ao levantar recitar em voz alta plo menos umas 10 vezes: EU CONFIO NA JUSTIÇA, EU CONFIO NA JUSTIÇA…

  5. João Soares says:

    O grande sonho desta personagem era ser um dia escolhida para PGR, Já com o processo Freeport guardou-o numa gaveta durante 5 anos !Pelos vistos nem PS nem PSD cairam no logro.
    Graças a Deus.

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  1. […] tudo isto, alguém acredita que com todos estes amigos, ainda por cima gozando de um raro estatuto de imunidade, alguma vez Dias Loureiro será colocado frente-a-frente com a justiça? Poucos devem conhecer os […]


  2. […] Nesse estranho país chamado Islândia, a justiça já condenou 26 banqueiros a penas de prisão efectiva por crimes financeiros que tiveram impacto directo na crise financeira que em 2008 deixou o país de rastos. Gente grande e poderosa. Como se consegue este feito? Parece que, por aqueles lados, existe um sistema de justiça que funciona. E esse funcionamento abrange banqueiros, ao contrário daquilo que acontece por outras paragens. […]

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