O altruísmo hipócrita da coligação PSD/CDS-PP

MAC e PMS

Como se de um favor ao país se tratasse, a coligação PSD/CDS-PP anunciou a intenção de reduzir os gastos com a campanha para as próximas Legislativas de 4,6 (valor gasto em 2011) para 2,8 milhões de euros. Porque num país afundado numa dívida gigantesca, a terceira maior da Europa, gastar 2,8 milhões de euros em coisas tão prioritárias como bandeiras, cartazes de publicidade enganosa, tempos de antena repletos de aldrabice e falsas promessas ou canetas com logótipos de partidos é uma necessidade imperativa sem a qual Portugal não pode passar. Pedro Mota Soares colocou a situação nestes moldes:

O país viveu tempos muito difíceis, temos de ter uma atitude de respeito pelos portugueses que fizeram sacríficos e passaram por tempos difíceis. Para esclarecer as pessoas n é preciso muita propaganda. Aliás, já passaram os tempos de quem fazia propaganda, vendia ilusões, mas que se vinham a verificar impossíveis.

Não passou nada Pedro. Vocês ainda estão no governo e ainda são governados pelo outro Pedro, o tal que aldrabou o eleitorado no ano em que, apesar de já estarmos em crise e a fazer sacrifícios, vocês gastaram 4,6 milhões de euros em comícios com porcos no espeto, música pimba e camiões que entopem as estradas e os nossos ouvidos com poluição sonora da mais rasca que pode haver. E será que o país precisa de viver tempos difíceis, que é basicamente a história da nossa história, para que percebam que gastar 4,6 milhões de euros em lixo eleitoral é um absurdo e uma afronta a quem verdadeiramente passa dificuldades neste país?

Definida a acção de propaganda eleitoral da semana, quem melhor para falar sobre o tema da parte dos sociais-democratas do que Marco António Costa, homem com profundo conhecimento junto do sector da publicidade eleitoral e actualmente sob investigação devido a uma alegada rede de tráfico de influências que teu no seu epicentro a opaca Webrand?

O PSD devia apostar mais neste tipo de campanhas, que têm a sua eficiência e custam pouco ou mesmo nada. Arranjar uma distracção para as massas, anunciando um falso altruísmo social de abdicar de parte do valor gasto em 2011, altura em que o partido ainda insistia no discurso desonesto de Pedro Passos Coelho que girava em torno das soluções mágicas que tinha para o país e que, Deus os livrasse, não tinham nada que ver com aumentos de impostos, cortes salariais ou em pensões ou emagrecimento do Estado Social, e chamar Marco António Costa para falar sobre o assunto, um homem debaixo de fogo por, entre outras neblinas, ser um dos principais elos de ligação entre o PSD e os esquemas altamente suspeitos com a chancela da sua amiga de infância Cristina Ferreira parece coisa de amador. Talvez seja tarde demais para reabilitar a imagem do senhor mas foi uma simpática tentativa.

Montada a acção de campanha, falta agora espalhá-la pelo país através de cartazes de propaganda, de tempos de antena repletos de meias verdades e de montagens parcialmente aldrabadas que se propagam pelo Facebook pela mão dos fiéis como se tem tornado moda nos últimos meses. Paralelamente, como uma espécie de combustível para a falsa imagem de rigor, chega-nos a vitimização dos coitadinhos que têm apenas 2,8 milhões de euros para lixo eleitoral. Segundo Marco António Costa, os pobrezinhos sentem-se inferiorizados:

Nós sentimo-nos inferiorizados pelo pequeno número de ‘outdoors’ que temos pelo país face a outros partidos mas estamos satisfeitos com esse nosso sentimento de inferioridade.

Nojo. Derretem milhões em lixo todos os anos, encomendam algum desse lixo a empresas tão duvidosas e emaranhadas em esquemas fraudulentos como a Webrand e têm a lata de afirmar este sentimento de inferioridade hipócrita apenas para poderem continuar a viver do ataque ao despesismo socialista. A infinita lata dos recordistas na nomeação de castas à prova de austeridade liderados pelo sujeito desonesto que não queria dar emprego aos amigos.

 

Comments


  1. Reblogged this on O Retiro do Sossego.

  2. NIKO says:

    O FBI tem de investigar as acções deste governo .


  3. Estou preocupado. Estes cavalheiros controlam toda a comunicação social neste momento. A única coisa que lhes escapa são as redes sociais. Todos os dias levo com Passos na tv de hora em hora (em todos os canais, incluindo a RTP1). Quando não é ele, é o senhor Silva, o Irrevogável Portas ou os correligionários da coligação. Invadiram os media e o tempo de antena é só deles. Às vezes, lá aparece um da oposição, mas muito fugidiamente, não vá alguém ouvi-lo. Enchem-nos de mentiras e de ilusionismo, fazendo passar a mensagem de que conseguiram recuperar o país. E sabem por que estou preocupado? Porque a maioria dos portugueses sofre de hipocriticismo agudo e estão a pensar em reconduzir este circo de malabaristas.

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