O ciclo interminável da manipulação dos números do desemprego

centro de emprego

Foi notícia no final da passada semana que o governo estava furioso com o INE devido a uma actualização que o instituto fez nos números do desemprego relativos ao mês de Maio. É irónico que o governo fique furioso com supostas manipulações destes valores quando se dedica permanentemente às mesmas. Nós por cá temos aventado bastante sobre essas manipulações, do esquema dos estágios à omissão do impacto da emigração, passando pelas alterações nas regras de contabilização do IEFP ou pela recente patranha de Bruno Maçães. É a engenharia política do desemprego em todo o seu esplendor. 

Ontem foi dia de um novo capítulo nesta história. Segundo o DN, cerca de meio milhão de desempregados simplesmente não entra nas contas do INE. Caso entrasse, a taxa situar-se-ia em torno dos 22%. Marco António Costa, o rosto da credibilidade social-democrata do momento, afirmava no final da semana passada que “A verdade dos factos comprova que, face a junho de 2011, houve uma redução efetiva do número absoluto de desempregados em Portugal.“, referindo-se à uma diminuição do número de desempregados de 675 mil no 2º semestre 2011 para 636,4 mil em Junho de 2015.

No entanto, os números apresentados por Eugénio Rosa, economista afecto à CGTP citado pelo DN, revelam a existência 257 mil inactivos disponíveis (desempregados que não procuraram emprego no período em que foi feito o inquérito do INE) e 252 mil em situação de subemprego não contabilizados pelo INE. Se a estes juntarmos os 636,4 mil anunciados com pompa pelo governo, chegamos a um número superior a 1.140 mil desempregados, onde não está reflectido o efeito da emigração, do emprego sazonal ou do esquema dos estágios cuja colocação é um verdadeiro conto para crianças.

Poder-me-ão dizer que “ai e tal porque o Eugénio Rosa é da CGTP e está ao serviço do belzebu comunista”. A esses desafio-os a desmontar os números do economista. E se possível a acrescentar à sua tarefa o impacto da emigração e do esquema dos estágios. Com tanto blogue e jornal ao serviço do actual regime, estou certo que será tarefa fácil.

Foto@Sapo

Comments


  1. O mais destacável destas narrativas e que envergonha até um pregador dos Maná, é que nenhum destes palhaços que se dispõem a tecer loas, cria. criou ou criará emprego em toda a sua existência; quanto muito destruirá uma série deles com atitudes criminosas(sindicatos, governo, partidos politicos), como temos visto no passado bem recente, em que políticos super, com gananciarias com grupos económicos destruiram vários bancos e muitas empresas. Tenham vergonha na cara e reconheçam que os únicos que criam empregos = os empresários, os narradores da pouca vergonha, nem escutam, nem convidam a falar e dizer das suas razões; por vezes até na indigna narrativa até culpam dos males que outros potenciaram!

    • Nascimento says:

      Lá pregador és tu….
      Olha lá ó meu escarro; se não queres sindicatos, governos,e partidos politicos,o que é que tu queres? Ai,queres ver que ele é mais um ruizinho!! Ele é mais bolinhos!! Não é? Tadito. Vai á missa que essa merda do incenso está-te a deixar todo queimadinho meu….

    • Dora says:

      O problema é que empresários há poucos, e os que há querem mais estado ou dão cabo das empresas; já patrões há muitos.

      Pelo que vamos vendo, o que temos é uma mistura de empresários e patrões – os empatrões. Sem nenhuma visão, cheios de linguagem economesa das boas práticas e do benchmarking e da governance e do empowerment. Tratam os “colaboradores” como recursos humanos dispensáveis. Os estágiários são postos a fazer trabalhos que não acrescentam nada de valor, e, no final, saem.

    • j. manuel cordeiro says:

      “Tenham vergonha na cara e reconheçam que os únicos que criam empregos = os empresários”

      Tenha vergonha na cara e fale das IPSS pagas com o dinheiro do estado, dos estágios e subsísios à contratação no privado pagos pelo OE, dos hospitais privados que vivem à conta da ADSE e dos seguros de saúde para os quais o governo criou condições fiscais especiais. Tenha vergonha na cara e fale das escolas privadas que nasceram ao lado de outras públicas que já existiam.

      Empresários? A viva à mama do OE.

    • Nightwish says:

      O que eu sei é que quem produz riqueza não é quem passa o dia a contar anedotas e a comentar powerpoints.


  2. Tenha VERGONHA nessa cara porque os únicos que criam emprego são os trabalhadores, são esses que trabalham no dia a dia e essencialmente são os jovens que são explorados em estágios profissionalissantes de treta que são pagos quase na sua totalidade pelo amigo estado!!Vá enganar outros!!!

  3. Rui Moringa says:

    Lamentável a propaganda de distorção dos números de desemprego.
    Nem sei prque o desgoverno se aplica a fundo nisso, quando deveria ser um facilitador das iniciatiovas dos portugueses em criar riqueza.
    Ao desgoverno competia-lhe fazer leis justas e não nos prejudicar nos contratos com as internacionais da democracia (!?): União Europeia, Banco Mundial Fundo Monetário Internacional e ouras instâncias genuinamente democráicas ( estarei louco?).


  4. Aquele comentador (06:55) em vez de estar no congresso fascista do Blasfémias, agora está aqui??
    Tás mal rapaz…

    • Hélder Pereira says:

      Eles já nem dormem para vir comentar ao Aventar. Temo pelas precárias condições de trabalho no Secretário de Propaganda do Governo.


  5. Um diálogo interessante, com o inteligente Bruno Maçães:

    http://derterrorist.blogs.sapo.pt/vergonha-alheia-3053210

  6. Luis Faria says:

    Para o País conhecer a verdadeira dimensão desta falácia falta o “Sexta às 9” ir fazer uma reportagem isenta e detalhada a um centro de “formação” do IEFP. Eu sugiro o da Amadora/Venda Nova. À falta disso resta-nos o Aventar e… Aventar se vai ao longe.


  7. A emigração tem um impacto grande, por vezes duplo, emigra alguém que deixando o, digamos, “emprego”, abre lugar para mais um precário.
    Os estágios são um esquema fraudulento. Pessoas a trabalharem sem direitos e sem remuneração condigna e ainda pagos por todos nós.
    Também usam o chamado controlo de ficheiros, chamam o desempregado inscrito para vir “provar” que continua desempregado. Sobretudo no interior, sem dinheiro e sem transportes, tendo de se deslocar, por vezes dezenas de quilómetros, não comparecem dentro do prazo.
    Lá ficam os ficheiros limpinhos de uns quantos desempregados e as estatísticas também.
    Um encanto de país, para governantes néscios, sem consciência e sem escrúpulos, e seus patrões.

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