Grécia, a região mais lucrativa do império alemão

German Greece

Vale a pena ler o artigo Sala de Pânico 2.0 de Viriato Soromenho-Marques, publicado hoje no DN. A crise é sempre lucrativa para alguns e a Alemanha está sempre incluída nos alguns. Mesmo nos alguns que deixam dívidas por pagar.

Entre 2010 e 2015 a Alemanha lucrou cem mil milhões de euros com a baixa de juros ligada diretamente à crise grega. Mesmo que Atenas declarasse agora bancarrota total, as perdas alemãs seriam inferiores em dez mil milhões aos ganhos já obtidos. Os investigadores do Leibniz Institut analisam também, com minúcia, o modo como as más notícias na Grécia têm sido um bom sinal para o custo da dívida alemã. Este é um estudo de grande qualidade. Que honra a ciência alemã, e a honestidade académica dos seus autores. Por quantos mais anos poderá sobreviver uma união monetária em que os mais fortes beneficiam da desgraça dos mais frágeis? Por quanto tempo sobreviverá uma Europa governada pela propaganda, e não pela coragem de estar à altura da realidade?

Foto@Wikimedia

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Caro João Mendes.

    Continuamos a analisar os problemas do mesmo modo que esta gentalha que governa a maioria dos países europeus pretende, ou seja, olhamos para a floresta ignorando que esta é constituída por árvores muitas delas doentes.
    A responsabilidade por chegarmos onde chegamos não está na Alemanha. Cada País que faça a sua análise e verá que os elementos são todos convergentes nas palavras despesismo, irresponsabilidade e corrupção.
    O estado a que Portugal chegou tem a ver com a irresponsabilidade de primeiros ministros e portanto de políticas, que decidiram aniquilar os sectores primários, transformando a vida dos que os exerciam, em subsídios a longo prazo.
    Depois, a realização de obras faraónicas muitas vezes para protelar o nome de um qualquer “neo-faraó” português.
    Depois foram as verbas da formação aplicadas em vivendas, piscinas e Ferraris (lembra-se que Portugal na década de oitenta, era o maior comprador desta marca?).
    Depois, as autoestradas duplas e triplas em claro benefício de algumas construtoras que vamos timidamente ouvindo falar.
    Depois os escândalos financeiros que nos depauperaram, as declarações de irresponsáveis com assento nos mais altos cargos da Nação tentando “impingir” o que se sabia de antemão falido.
    Acrescem as reformas milionárias e as condecorações a personagens mais efémeros e voláteis que o álcool.
    Ainda o recreio dos nossos deputados que se entretêm fazendo leis com as quais lucrarão os seus amigos ou empresas suas.
    Foi assim que se instalou a dita “crise” que de mundial terá 10% de responsabilidade sendo 90% da responsabilidade da corrupção, do compadrio, da gestão danosa e da irresponsabilidade.
    Portanto, para mim é um erro muito grave, culpar a Alemanha ou a conjuntura, a curta distância. Está em causa a nossa incapacidade para colocar o dedo na ferida e julgar este cartel que há 40 anos nos desgraça. Tornou-se mais fácil, repousante, quiçá prudente, assacar responsabilidades ao imponderável: “crise” e a Alemanha.
    A crise existe, mas é de homens, de políticos, de sentido de Estado e de honestidade.
    Donde, acho muito estranho que se não reveja a posição dos que nos conduziram ao buraco. Os únicos acusados repousam em suas casas com pulseiras electrónicas – recomendo uma pedra de diamante, para dizer a letra coma careta – os processos arrastam-se vergonhosamente e nós continuamos alegremente a culpar a “crise” e a Alemanha por estes dislates.
    Não somos sérios na análise e por isso continuamos a assistir ao assalto ao poder por parte daqueles que nos conduziram a esta situação, nos quais a grande maioria (exceptuando os 50% de abstencionistas, número que diz bem da idoneidade dos votantes portugueses) ainda votam.
    E as maiorias absolutas seguem-se. Quem diria que um personagem tão cinzento-escuro (para não dizer negro), um ser verdadeiramente aquoso (insípido, inodoro e incolor) conseguiria quatro (!!!!!) maiorias absolutas.
    E quem as dá, não é a Alemanha.
    Troquemos de alvo porque assim, estamos a dar trunfos a quem nos come.

    • Nightwish says:

      Ernesto, tudo isso é muito mau e muito grave… Mas o que despoletou a crise teve muito mais a ver com o Euro e a sua estrutura do que com tudo o que de mal têm feito ao país. Não é possível ter uma moeda única com economias completamente distintas sem transferências de capital. Seríamos sempre alvo de ataques especuladores em 2010 e o Euro continuava a impedir-nos de tomar medidas economicamente lógicas para já estarmos a crescer à muito invés de termos que destruir a economia (e o resto) do país com a austeridade idiota (pleonasmo).
      Daí à culpa da Alemanha é muito simples, acreditam ou, pelo menos, forçam que o resto da Europa siga uma economia de faz de conta que nem no Excel bate certo e que continuemos todos a empobrecer para fazer os ricos mais ricos durante uma crise bem pior do que a de 1929. Os resultados ainda agora começaram: o racismo latente nos países do norte manifesta-se a todo o gás, o Euro continua insustentável como moeda única e a direita fascista manifesta-se um pouco por todo o lado.

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Embora admita a responsabilidade da moeda única (que nos retira exactamente aquela capacidade que a China, por exemplo, está a utilizar), continuo a defender que a injecção de dinheiro no nosso País tem como causa de fundo a gestão danosa efectuada pela nossa classe política que assim vai enriquecendo e nós, empobrecendo.
        Eles não têm problemas em criar desequilíbrios e pedir empréstimos, porque sabem de antemão quem vai pagar.
        Obriguemos estes “gestores de sanita” a responder pelos erros de gestão cometidos (como acontece em qualquer empresa sensata) e verá que a nova geração de políticos fará mais atenção.
        Ao dia de hoje,meu caro Nightwish eles sabem que o crime compensa. E nós também, embora uma muito elevada de votantes continue a votar neles.

        • Nightwish says:

          Eu bem disse que era muito e muito grave, só não tem a ver com esta crise. Com outras ou com algumas dificuldades extra, sim, sem dúvida.


    • G P fala bastante dos donos da Europa, incluindo a Alemanha:

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Tem razão Ana, mas entendo que fala já de uma consequência – a criação da moeda única – sendo muito claro no apontar das principais causas : a política ruinosa de Cavaco Silva na gestão dos fundos comunitários (não refere a gestão PS, que enferma da mesma doença ruinosa) e a gestão ainda mais ruinosa dos nossos “gestores de sanita”, onde entram os banqueiros.


  2. Temos aqui uma teoria com grande potencial = um país, por ex. Portugal não paga o que deve e a Alemnha que lucra em ter juros mais baixos, paga-lhe as dívidas. Isto é de génio e resolve o problema aos países onde a corrupção imprera(Grecia, Italia, Portugal) e onde os governantes são do tipo socrates, que a partir de agora podem em pé de igualdade, continuar o modelo de governação que tão bons lucros tem dado, sem necessidade de austeridade. E andam estes malvados a investigar a Parque Escolar, o Vara, Socrates , Salgado , Lena e … tudo gente criativa ,que está a ser retirada do circuito do investimento, onde mostraram ser duma eficiencia impar: BES/GES 8 mil milhões, Socrates gastos principescos dados por amigo, submarinos que deram lucros fabulosos ; agora basta ir pedir aos alemães parte nos juros e está tudo safo. Vou já marcar audiencia com a Merkl, pelos menos um colete de salvação dum dos submarinos mereço, para não me afogar em tanta dema gogia…
    Gostei das bem estruturadas opiniões do ErnestoV.Ribeiro; eleva o nivel do debate.


    • Lamento dizê-lo, mas a sua visão parcial não eleva o nível do debate.

    • Nightwish says:

      Macro economia e a direita radical continuam a ser uma mistura explosiva, tal a ignorância da estrutura do Euro.

      • Nightwish says:

        Isto para dizer que independentemente dos submarinos, da Portucale e das Tecnoformas, estaríamos basicamente sempre no mesmo sítio.


  3. A resposta às perguntas do texto é simples e nem se compreende que não compreendam. “Até quando” a direita diminuir de poder na Europa. “Até quando” o povo seja o único soberano e não os partidos, em todos os países europeus e não apenas em menos de uma mão cheia. Não temos tantos exemplos para não precisamos de andar à procura do meio-dia à 16h?
    Tirem as palas que os políticos lhes pregaram à testa e à cara. Tanta treta para contornar a solução. Abram os olhos.

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