E agora Passos, Portugal também pode mais?

Xi

Nos últimos meses, a julgar por aquilo que a máquina de propaganda da coligação foi transformando em verdade absoluta, todos os indicadores positivos que vão sendo notícia são fruto da acção do governo. E se em alguns casos, como a evolução dos números do desemprego ou o mito dos cofres cheios, o embuste é relativamente fácil de desmontar, outros existem que, apesar de dependerem directamente de variáveis externas, são absorvidos pelo spin da coligação e transformados em conseguimentos governamentais.

Recuemos a Maio deste ano: o PSD anuncia, com toda a pompa que uma manipulação deste calibre exige, “+ crescimento” quando Portugal coloca, pela primeira vez, Bilhetes do Tesouro a taxas negativas no mercado. O Diário Económico, esse perigoso pasquim da esquerda-radical, apressa-se a esclarecer, pela voz de Filipe Silva, gestor de activos dessa outra organização de extrema-esquerda que é o Banco Carregosa: “este movimento é, acima de tudo, o resultado do plano de compras de activos do BCE“. O spin, esse, estava feito e os resultados, esses sim, são a grande vitória do PSD, com milhares de discípulos e cidadãos menos informados a disseminar pelas redes sociais que a acção do governo teria levado a este resultado. Mais uma mentira a juntar a tantas outras.

Pegando neste exemplo, proponho o seguinte exercício, dividido em duas alíneas:

  1. Se foi a acção que do governo que esteve por trás dos juros negativos de Maio quando na verdade foi a acção do BCE que permitiu tal resultado, entenderão agora os mesmos manipuladores da opinião pública que também a catástrofe que se abateu hoje sobre o PSI-20 foi resultado da acção do mesmo governo? Não faz muito sentido no mundo real, mas no mundo alucinado da propaganda da coligação assenta como uma luva. Se o contexto internacional não interessa no primeiro caso, é legítimo assumir que não interessa no segundo;
  2. Se a crise internacional não teve impacto no afundamento da economia portuguesa que começou a acentuar-se com a crise de 2009 até à intervenção externa de 2011 como a propaganda da coligação faz crer, num esforço para empurrar para a governação socialista a totalidade das responsabilidades no problema, quererá isso dizer que devemos também ignorar a influência da situação chinesa no desastre no mercado bolsista nacional, que para além dos 3,1 mil milhões perdidos hojeacumula perdas superiores a 7 mil milhões de euros desde o início da crise que alastra na China desde 11 de Agosto e que já anulou quase todos os ganhos do PSI-20 desde o início do ano (excepto os lucros das cotadas que subiram apenas 70% no primeiro semestre de 2015)?

Vá lá, façam uns cartazes e uns tweets aldrabados, criem uns perfis anónimos no Facebook, manipulem um ou outro fórum da TSF e num instante a culpa pela desvalorização do yuan vai ser do Costa. Vocês sabem como se faz.

 

Comments


  1. a culpa pela desvalorização do yuan vai ser do Costa. Vocês sabem como se faz.

    A culpa não é do Sócrates?


  2. Muito bem apontado.Falta só acrescentar que os alucinantes contratos com autoestradas, parque escolar, nacionalização do BPN.eolicas e …não foram os mercados; essas já são culpa duma governação de vários anos de muito irresponsavel, que ainda anda por aí a botar discurso, como se não fosse nada com eles.E alguns encargos,que vão continuara a pesar por muitos anos; talvez a seita socratica venha a sofrer ainda no governo dos resultados de tanta ganancia; veremos a explicação que darão então para o defice; sim que tirem o cavalinho da chuva os demagogos, que acham que estão aí uns iluminados ,que vão por isto a andar com eficiencia (experiencia de votar assim jã temos depois de 3 banca rotas)

Trackbacks


  1. […] Depois da tempestade chinesa, com o mais que óbvio dedo de António Costa no desastre, os mercados acordaram ontem mais optimistas e foi vê-los regressar à abundância que tão bem os caracteriza. Bastou o Banco Popular da China anunciar taxas de juro mais baixas para que uma onda de euforia tomasse conta das praças europeias. Por todo o lado, índices bolsistas dispararam como foguetes no S. João e até por cá o tão nosso – ainda que parcialmente holandês – PSI-20 terminou a sessão com ganhos na ordem dos 4,71%. Contudo, não deixa de ser curioso que o índice grego tenha sido aquele que maior crescimento registou, fechando o dia com uma valorização de 9,38%. Aposto que foi obra e graça da acção do governo português. Sai um cartaz de propaganda troglodita para mesa 10 se faz favor. Portugal à Frente, até na Grécia! […]

Deixar uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.