Como é que foi possível teres ido assim?

JJCPor Marisa Matias*

Por seres assim tão teimoso, por seres assim tão mau feitio, por teres sempre alguma coisa para mandar à cara, por nunca sabermos o que seria essa coisa, por estares sempre, por nos fazeres engolir em seco, por seres tão obstinado, por teres esse sorriso inconfundível e nos arrancares os nossos só quando te apetecia, por usares mais onomatopeias que qualquer pessoa pode admitir numa conversa normal, por teres feito birra a desoras, por teres feito pontes dos estilhaços, por teres feito a prova de que tudo isso era compatível com um coração gigante, uma amizade sentida, uns braços abertos, um mundo por fazer.
Como é que foi possível teres ido assim sem um manifesto, um berro, uma afronta? Não te deixamos ir assim, João José. Não te deixamos ir sem fazer muito barulho, sem amuar, sem embirrar. Por seres assim tão tudo isso, fazes tanta falta a tudo isto. Ia-mo-nos ver agora porra! Há desencontros que se pagam caro. Os últimos dos nossos talvez um dia eu me perdoe. Agora preciso de assumir que foste assim tão discretamente. Sabes bem que isto não tem graça nenhuma. Sabes tão bem. Sabe-nos tão mal não poder estar mais contigo.

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