Rui Rio e Passos perderam

novoaAs presidenciais estão aí, apesar do dossier legislativas continuar mais que aberto. O Professor Sampaio da Nóvoa veio a público afirmar a sua presença nesta luta, apesar do comportamento dos três partidos à esquerda que, na prática, estão a contribuir para o aumento de dificuldades do candidato. O PS de António Costa, depois de se comprometer a apoiar a candidatura, acabou por dar liberdade de voto aos militantes que terão Maria de Belém como segunda escolha.

Estando a decorrer as negociações entre os partidos, estranho o timing que o PC seguiu para apresentar o seu candidato. Tenho dificuldades em perceber o momento escolhido para apresentar um candidato que poderia aparecer num outro qualquer momento porque o “seu destino” é apenas um: marcar o voto dos adeptos comunistas. O BE continua em silêncio, mas ficarei muito surpreendido se não apoiar Sampaio da Nóvoa.

Do outro lado da barricada o sempre candidato Marcelo avançou e seguiu uma estratégia tão própria que já conseguiu, com uma única jogada, derrotar duas pessoas: Pedro Passos Coelho e Rui Rio.

O ex-primeiro Ministro perdeu porque vai ter que aturar um candidato que não queria, até porque nunca conseguirá, através do PSD, controlar o ex-comentador da TVI. Rui Rio sofre uma derrota ainda mais clara porque já nem sequer poderá chegar-se à frente. Esperou tanto, tanto que acabou por ficar sem espaço. Resta-lhe um lugar num governo minoritário do PSD ou, numa hipótese mais remota, liderar um governo de iniciativa presidencial depois da queda de Passos Coelho no decurso da votação do orçamento de estado.

Ora, Sampaio da Nóvoa, até pela forma fantástica como tem conseguido resistir a todas as adversidades, aparece como o único candidato com possibilidades de forçar Marcelo a uma segunda volta. E, para começar, está no bom caminho – não se resigna, não desiste e por isso não será derrotado. A derrota está destinada, apenas e sempre, para os que não vão a jogo.

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Meu caro João Paulo.
    É evidente que há duas coisas imutáveis que a seguir narro:
    1 – O PCP ter um candidato próprio
    2 – O PS dar tiros no pé nas eleições presidenciais ao permitir a escolha múltipla.
    Não me parece que haja qualquer problema com o timing do PCP para marcar a sua posição. Não é a primeira vez que fazem isto e irão continuar a fazê-lo até porque já perceberam que é uma das únicas oportunidades que o Sistema lhes concede para terem “tempo de antena” que, de resto nas televisões, como saberá, lhe não é concedido tal como se faz a partidos menores como o CDS e onde o contraditório é palavra vã.
    Mas claro isto é a “democracia” que nós temos.
    Por outro lado, têm a percepção (para mim correcta) que não entrarão em governo nenhum liderado pelo PS – O PS está mais interessado em governar com o PSD/CDS que com a Esquerda – vide os chavões repetidos à exaustão pelos media que deram a vitória à coligação nestas eleições e continuam a sua senda. E o PS está comprometido até ao tutano com o Sistema que usa justamente esses chavões.

    Por outro lado a luta Rio – Marcelo é, para mim, irrelevante. Verá que se entendem quando chegarem as eleições. Duvido é que o PS faça o mesmo.

    Com toda a sinceridade, o que me parece estranho e aqui quer-me parecer que o João Paulo não dá nenhum relevo, é a existência de dois candidatos presidenciais do PS (veremos se, à sua boa maneira, não surge mais um).
    E digo estranho, porque não faz parte da minha maneira de ser branquear um passado recente que colocou na Presidência da República em dois mandatos seguidos com maioria absoluta o presidente mais cinzento, incompetente e nulo que alguma vez tivemos.E essas vitórias só existiram graças à manta de retalhos em que o PS se transforma aquando das presidenciais.

    Portanto, o facto mais relevante (para mim, naturalmente), até pelo histórico destas eleições e as consequências que daí vieram para o País, é justamente o facto que o caro João Paulo quase ignora, referindo tal como quando o gato corre sobre brasas que …” O PS de António Costa, depois de se comprometer a apoiar a candidatura, acabou por dar liberdade de voto aos militantes que terão Maria de Belém como segunda escolha”.

    Estamos perante um imperativo Nacional que consiste em ter alguém que defenda a Constituição e que actue como o fiel de uma balança política e social, alguém que faça funcionar as Instituições como a Justiça e o Ensino, exactamente o oposto da actuação do actual inquilino de Belém.
    A permissividade de escolha é apenas mais uma fragilidade do PS que vem dividindo a Esquerda, querendo apresentar-se com um ar democrata que se tem revelado uma dádiva à direita desde há 40 anos..
    O BE está a ser, de longe o mais inteligente de todos os partidos ditos de esquerda. O seu problema não é o timing. É mesmo a escolha e o futuro próximo ou seja, se vai ou não alinhar com o PS. Eu acho que não e não é por vontade do BE.
    Como os ingleses dizem “Old loves die hard”…


    • Viva,
      obrigado por ter comentado o texto. Se me permite, iria apenas argumentar duas notas:
      a) Eu, em relação ao PCP, concordo em absoluto na apresentação de um candidato – fixa o eleitorado PC que, por isso, se acrescenta às contas que podem permitir a segunda volta. Só não concordo com o timing.
      b) Quanto ao PS e à Presidência, sim, dois erros nas duas últimas candidaturas deu em Cavaco. Aqui entre Nós, talvez da primeira vez (Manuel Alegre) isso tenha significado a eleição de uma múmia. Da segunda, creio que não. Admito que, desta vez, estamos mais ou menos na mesma.

  2. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Não tem nada a agradecer. A troca de opiniões entre gente urbana é sempre meritória em termos de aprendizagem. Faço votos para que o PS se alie, de facto à esquerda e que deixe de ser o partido híbrido que, de algum modo, acaba por fazer o jogo da direita.
    Assisti hoje ao tom ressabiado da extrema-direita ao negar mais reuniões com o PS. Estão claramente a empurrar o PS para a Esquerda enquanto preparam o “choradinho” que lhes pode dar frutos. Gostaria de uma união perene à Esquerda, independentemente das discussões internas e mesmo das cisões que se irão passar. Reconheço que esse passo é de uma enorme responsabilidade da Esquerda, mas espero que corram o risco. E entretanto é a altura do PS aproveitar para fazer uma depuração natural. Há por lá muito joio que ficaria bem de laranja ou mesmo de azul.
    Um abraço.

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  1. […] parece que eu tinha mesmo razão. Rui Rio está […]

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