Banco Efisa, Miguel Relvas e os “nossos” 90 milhões de euros

MRDL

O JPFigueiredo deu ontem conta do assunto mas o negócio opaco da venda do Banco Efisa já vem de trás. No final de Julho passado, com a campanha para as Legislativas a ocupar todo o espaço mediático, o Diário Económico dava conta da venda do Banco Efisa à Pivot SGPS, mas pouco ou nada se falou sobre o tema. Os momentos pré-eleitorais são sempre ideais para abafar este tipo de esquemas.

Agora as novidades: em primeiro lugar, ficamos a saber que o Estado português injectou cerca de 90 milhões de euros num banco que vendeu por 38 milhões. Dinheiro para aumentar o salário mínimo tem o condão de chocar a nossa moralíssima direita mas quando chega a hora de despejar 90 milhões de euros num descendente do BPN não se passa nada. Em segundo lugar Miguel Relvas, sempre no sítio certo, à hora certa. O ex-ministro e homem forte de Pedro Passos Coelho integra a Pivot SGPS e, coincidência das coincidências, o governo do qual fez parte não só lhe vendeu o Efisa por meia dúzia de tostões como ainda lá injectou mais do dobro daquilo que recebeu por ele. Um caso em que, bem vistas as coisas, acabamos por pagar 52 milhões de euros à Pivot SGPS para ficar com o banco, livre de encargos adicionais. Como é belo o liberalismo privatizador da direita nacional.

Foto: António Cotrim/Lusa@Esquerda.net

Comments


  1. Estou á espera do meu amigo Marco “poste” aqui a sua opinião de “neo-liberal”, liberal…sei lá visto que como penso de forma diferente dele Quase me chamou de comunista.Se ser comunista é defender a proporcionalidade a equidade e distribuição justa do rendimento(não significa partes iguais para todos,basta ser ser mais um pouco para os “outros”,então sim sou comunista.


  2. Este é apenas um microfenómeno que se percebe muito bem se tivermos em conta o macro-fenómeno das privatizações porque a logica das privatizações aqui e em toda a parte é transferir dinheiro dos cidadãos – público – para as bolsas de alguns privados e ainda por cima é tudo mostrado como se nos fizessem um grande favor. O que é preciso é ‘aventar ‘ esta lógica que preside às privatizações, veja-se na ex união sovietica para quem foi a riqueza publica, pois claro para os recem criados multimilionarios que são agora pessoas respeitabilissimas, como, em menor escala, o serão os relvas portugueses.

  3. Afonso Valverde says:

    É preciso lutar de novo pela nossa independência.
    É preciso moralizar a sociedade.
    Prender os Miguéis de Vasconcelos ao serviço do capital internacional, privado e de estado.Precisamos de uma burguesia nacioanl e capital nacional.


  4. “Social-democracia, sempre!” (Passos Coelho dixit)

  5. martinhopm says:

    Social-democracia?! A de Passos?! Deixa-me rir, embora o caso seja para chorar, tão mal o PàF fez ao país e aos seus trabalhadores, povo e sobretudo classe média. Incluo também funcionários públicos e reformados/pensionistas. Mas quem os ouve agora, a toda a hora e a todo o momento, a falar de cátedra, ex-governantes e comentadores encartados das várias televisões. Parece que fizeram tudo bem e não a trampa que deixaram.


  6. Tou á espera, que a efisa me pague tudo que me deve e a milhares de clientes.

  7. Amora says:

    PSD, CDS, PS, PCP e BE, são actualmente farinha do mesmo saco. Só lhes interessa o Poder para satisfazer as clientelas, que são diferentes e divididas em 3 grupos:
    grupo um-clientela do PS, PSD e CDS;
    grupo dois- clientela do PCP
    grupo três-clientela do BE
    Uns mamões da teta do Estado!


    • Nem me vou dar ao trabalho de perguntar quem são as clientelas do PCP porque suspeito que me dirá que são os sindicatos. Como se isso tivesse comparação com as clientelas do bloco central. Mas exactamente quem são as clientelas do Bloco?

Trackbacks


  1. […] episódio do Banco Efisa? Da última vez que vi a imprensa interessada no eminente académico, já depois da compra do Efisa com direito a 90 milhões de euros de bónus com o alto patrocínio da…, parece que os amigos do ex-ministro e patrocinador de formações do ex-primeiro andavam a […]

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