Obscenidade, pornografia…

Seria o resultado aplicável ao esforço e rendimento de quem trabalha, caso o PAN conseguisse impor esta estupidez utopia em nome sei lá do quê, mas cuja viabilidade para ser alcançável teria forçosamente que atirar a já asfixiante carga fiscal para níveis estratosféricos… Mas esta gente acredita no Pai Natal ou anda a fumar erva da boa?

Comments

  1. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Anda a fumar erva e duvido que seja da boa.
    Uma das coisas que distingue o gestor capaz do incapaz, é a capacidade de priorizar os problemas de forma a poder atacar um a um, mas seriando os mais importantes.
    Esta medida, no pântano em que a grande maioria dos portugueses vivem, é gratuita e populista e só se lamenta que o PAN enverede por este caminho.
    Recordo que as bases do PAN, enquanto partido, tocam nas sensações primárias das pessoas ao focar a Natureza e os Animais.
    Fica-lhe muito mal desvirtuar tal princípio e de certeza que vamos assistir, já de seguida, a mais um ataque da direita desta vez, quanto a mim, com razão. E vai dar pano para mangas, pois é disto que eles estão à espera: tiros nos pés.
    É pena.


  2. Não sei se o Friedman e o Hayek fumavam coisas estranhas mas ambos defendiam algo parecido com um rendimento universal.
    BTW a Finlandia está prestes a implementar isso.

    • Nightwish says:

      Xiu, não diga nada que se estuda e faz lá fora que ainda passam a achar boa ideia… o que é preciso é mais gente a ganhar menos e a ir mais facilmente para a rua para os criadores de emprego meterem mais dinheiro na Suiça.

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Caro EMS.
      Não é isso que está em causa.
      A questão de fundo chama-se priorizar ou, se preferir, não meter a carroça à frente dos bois. Acha que estamos em condições fazer algo desse estilo?
      Lá fora metem-se na cadeia banqueiros corruptos e políticos que não cumprem as suas obrigações fiscais. Em Portugal, dão-se maiorias absolutas a crápulas e protectores de corruptos.
      Comece-se pelo princípio, saneie-se correctamente as Finanças (usando, por exemplo, o muito dinheiro que o Nightwish atribui aos criadores de emprego) e pare-se com propostas populistas.
      Chegaram quatro anos de promessas de um lado e assalto aos bolsos do outro.


      • Concordo que a proposta do PA possa não ser oportuna por não termos condições para isso. No fundo seria como implementar uma escolaridade mínima num pais tipo Somália ou um serviço nacional de saúde no Haiti.
        No entanto a resposta não era dirigida a sí mas a pessoas que tratam os oponentes políticos com uma … digamos… certa deselegância quando nem sequer conhecem bem o histórico da ideologia que defendem.

  3. Ana A. says:

    Mundo estranho este, em que a distopia é bem aceite e a utopia é desprezada e espezinhada!
    No ano passado assinei uma petição que estava a circular com esta mesma pretensão a nível da UE.
    Só quem nunca passou por uma situação de desemprego feroz (fosse como assalariado ou pequeno empresário), é que pode achar esta ideia uma enormidade! Fala-se de barriga cheia, é o que é!
    É mais fácil investir em instituições de solidariedade social, para alimentar cargos e mais cargos, e darem as migalhas que sobram aos necessitados. E isto, se o necessitado cumprir os critérios escrupulosos (prova de rendimentos), que alguém muito bem pago determinou, no conforto do seu gabinete!
    Asco!!

    • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

      Não. A utopia não é desprezada nem espezinhada, cara Ana.
      A utopia é o princípio de um processo cujas bases devem estar suficientemente escoradas para se partir posteriormente para uma realidade.
      Esse processo a que aludo, passa por pôr os responsáveis pela crise a pagar os seus desmandos. Exacto, os políticos que fizeram uma gestão danosa a par dos amigos e dos seus “compadres” banqueiros que vivem numa situação de impunidade que mete paraísos fiscais e células douradas com todas as mordomias.
      Fala dos desempregados e das suas necessidades básicas, mas acha que eles se alimentam de utopias?
      Acusa de falar de barriga cheia quem tem os pés assentes na terra?
      Não cara Ana: basta de migalhas digo-lhe eu.
      Como cidadãos exijamos que quem provocou a crise, que a pague e verá que depois não há migalhas a distribuir. Haverá muito mais.
      Era isto que o PAN deveria fazer, em vez de alimentar sonhos que, admito, são justos, mas de uma equidade social que não tem correspondência em quem governa o País, faz as leis, as aplica e vela pelo correcto funcionamento das Instituições.
      E, à partida, essas utopias nunca serão realidade.
      E a resposta dessa gente, é chamar ao PAN e a quem os apoia de irresponsáveis. Mais um cartaz com Cristo? Não obrigado.
      O PAN e os deputados da Assembleia que pretendem, com toda a justiça, mais equidade, que façam o seu trabalho de vigilância e que ponham cá fora propostas para tornar este País numa Sociedade equilibrada. E depois, sim.
      Cumprimentos.

      • Ana A. says:

        Caro Ernesto,
        Mais utópico que esta proposta do PAN, e de outros países, é pensar em aguardar que o mundo, o país, as dinâmicas económicas e sociais, os desmandos de quem Manda e Pode, façam um “compasso de espera” (tal como alguém que limpa um aposento, pede a quem quer entrar, que aguarde, porque agora não é oportuno, porque ainda não acabou a limpeza).
        Essa dinâmica de vigiar, responsabilizar e punir os infractores, não impede, que em simultâneo, se lute e se construa dia-a-dia, mais justiça social. Porque sempre haverá desequilíbrios, seja por ganância de alguns e/ou por má gestão dos recursos de um país, por incompetências ou ideologias. A vida e o bem estar dos cidadãos (os mais desprotegidos e os menos), não pode ficar pendente da “arrumação da casa”. Essas medidas têm que ser levadas em frente e em conjunto, todos os dias, seja qual for a situação de um país, em cada momento. Penso, que foi para isso que se organizaram as sociedades!

        • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

          Estou completamente de acordo consigo, só que nunca falei em aguardar. Falei justamente no contrário ou seja, em intervenção, vigilância e actuação.
          A questão de fundo da situação a que chegámos assenta nas trapaças financeiras que foram sendo cometidas. Dos 80 mil milhões de euros pedidos para o resgate, metade, foi para recapitalizar a banca. E que fazem os nossos políticos?
          Assobiam para o lado.
          O “Manda e Pode” sempre existiram. Chegaram com os Impérios e tiveram as suas sequelas no Feudalismo. Esta opressão foi desaparecendo via Humanismo para mais tarde, aparecer de novo coma face da Inquisição.
          Conhece com certeza a evolução da Sociedade que tem tido avanços e recuos, mas sempre no sentido da progressão.
          Hoje estamos claramente numa fase de forte regressão, fruto de uma nova corrente política e social que só funciona do outro lado do Atlântico, porque a Europa é um continente de “trial and error” e não de destruição para tudo refazer.
          As Sociedades organizaram-se justamente para que o mundo avance no bom sentido. Mas as Sociedades são Homens (e Mulheres, naturalmente) cujas armas são a regulação e o seu cumprimento. Por isso a Sociedade Republicana escolheu o Parlamento e um Presidente para legislar e verificar a aplicação correcta das leis. É isto que pode diminuir parafraseando-a, os “…desequilíbrios, seja por ganância de alguns e/ou por má gestão dos recursos de um país, por incompetências ou ideologias…”
          E eles cumprem a sua missão?
          Afinal, quem está mais próximo do poder para iniciar essa transformação que a cara Ana tão bem refere?
          Os deputados do PAN, por exemplo que tiveram o nosso voto. Para concluir o que me parece, com toda a honestidade é que não executar essa missão nobre e correr atrás de medidas populistas, levará o país ainda mais para o fosso.
          Cumprimentos.

          • Ana A. says:

            Estamos de acordo no essencial.
            Não me interessa adjectivar as medidas, se são populistas ou não. Interessa-me saber da sua justiça ou não. Venham elas da Esquerda, da Direita ou do Centro. E as pessoas que estão na mó de baixo, não entendem porque é que os sucessivos governos de um país pobre e pouco desenvolvido como o nosso, lhes regateie uma pequena parte de benesses, que são sempre tiradas a ferros, e por outro lado, não regateie os juros descomunais que os “bons” dos nossos credores nos sugam. Ninguém me pergunta se eu quero comparticipar no resgate da banca, no sustento das PPP… Perguntem-me se eu acho justo e quero participar no Rendimento Básico Incondicional (RBI) e eu respondo, sim.
            Eu defendo a Democracia Directa e a responsabilização da acção política, e não vejo porque é que esta proposta “ofende” tanto algumas consciências. Afinal, foi esse o mote, para esta nossa troca de ideias.
            Cumprimentos

  4. Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

    Cara Ana A.
    Claro que estamos de acordo.
    Contudo deixe-me dizer-lhe que o povo que a Senhora diz que está na mó de baixo, é exactamente o mesmo que dá quatro maiorias absolutas a Cavaco (duas como presidente e duas como PM) e acaba de eleger outro presidente com maioria absoluta que vai fazer o mesmo que Cavaco fazia ou seja, assobiar para o lado. E mais, dá uma maioria relativa a um governo que durante quatro anos o secou completamente.
    Dizia-me meu pai que para se ser respeitado é preciso respeitar e este povo deveria ter mais respeito por si próprio. E o respeito no caso vertente, começa no exercício dos seus deveres cívicos.
    Se o fizessem correctamente, se calhar estariam a perguntar porque é que se faz um resgate da banca e porque nada se faz contra as PPP e os SWAPS.
    Eu também responderia que sim ao RBI, sem dúvida, se o Sistema fosse equilibrado ou seja, se o povo fosse capaz de colocar os governantes na linha pela força do seu voto.
    Assim, não há nenhuma Democracia directa. Esta, tem vindo a ser enterrada pelas opções do próprio povo.
    E uma vez mais, não estou ofendido. Escrevo frontalmente e tenho a perfeita noção do que são prioridades.
    Cumprimentos.

  5. Rui Silva says:

    O PAN e é um partido pouco democrático, ou não tem visão para levar a Utopia ao seu nível, ou seja ao nível Utópico.
    A verdadeira Utopia era dividir o rendimento de todos por todos ( do Trump, do Gates do Buffet do meu e do seu).

    Mas a distribuição seria mesmo por todos todos.
    Porquê propor apenas para Portugal. A proposta devia ser não só Europeia mas a nível Mundial.
    Não falemos de barriga cheia. Porque descriminar realmente as pessoas necessitadas que vivem na Ásia, em África e América do Sul.
    Isso é que era. A nós Portugueses, enquanto a proposta fosse ao nível da Europa, ainda tínhamos a receber, por isso, para nós Portugueses, propor apenas ao nível Europeu apenas representa que estamos a ser movidos pela ganancia e não pela beneficência.
    E os estudos já foram feitos, e para o caso de Portugal, representava quase nada . O salário ficaria assim, igual para todos ( a nível mundial ) e seria …. +/- 200 €. Mas era pela causa suprema. A igualdade planetária. Isso é que era…

    Ainda à pouco tempo apareceu em tudo o que é noticiário um “pateta” com a proposta fantástica de “ilegalizar a pobreza”.
    E o mais surpreendente era que os entrevistadores do indivíduo conseguiam entrevistá-lo sem se rirem.

    cumps

    Rui SIlva


    • Que estudos foram esses? Tendo em conta que 1% da população tem 50% dos recursos custa-me a acreditar que os cidadãos suíços saíssem prejudicados caso os recursos fossem divididos irmanamente.

  6. Rui Silva says:

    Caro EMS,

    O q eu disso é pior que isso. Não só os suíços, mas também os Portugueses que ganhassem acima penso que dos +/-1000 € sairiam a perder. <e aí eu penso que a maioria dos "beneméritos" da utopia, mudavam de ideias.

    cps

    Rui Silva

    • Ana A. says:

      “A verdadeira Utopia era dividir o rendimento de todos por todos ( do Trump, do Gates do Buffet do meu e do seu).”

      Engana-se meu caro! Isso já seria um sub-produto.Porque a verdadeira Utopia não concebe gente da igualha do Trump, do Gates do Buffet…pura e simplesmente nunca teriam oportunidade de existir! Mas claro, o ponto de vista com que encaramos o mundo e os outros, faz toda a diferença: uns acham que o sol quando nasce é para todos, outros, querem ganhar muito dinheiro e poder, para açambarcar o sol!

      • Ernesto Martins Vaz Ribeiro says:

        Ora aí está… Completamente de acordo. Junte a essa gentalha que cita os corruptos que dominam e estrangulam Portugal e depois falaremos na utopia.

      • Rui Silva says:

        Cara Ana,
        Eu até acredito que seja bem intencionada alias como muitos Socialistas por esse mundo fora. Mas olhe que “lhe fizeram a cabeça”.
        Qual é o mal que tem por exemplo o BiIl Gates. Eu diria que o mal que tem justamente não ser Português. Se ele fosse português, o nosso PIB quase duplicava . E se o nosso PIB duplicasse ,seguramente não teríamos tantos pobres. E isso é que interessa ao cidadão comum .
        Eu sei que o que interessa a um Socialista, e é confirmado pelo seu comentário, é que sejamos todos iguais, como se tornar o que é desigual em igual fosse justo.

        cps

        Rui Silva

  7. Ana A. says:

    Caro Rui

    Pode crer que sou bem intencionada, e não sou Socialista! Sou Humanista!
    “…Amo o ser humano e a sua humanização crescente. E em momentos de crises, de coisificação, em momentos de desumanização, amo a sua possibilidade de reabilitação futura.”- (Mário Luiz Rodriguez Cobos – “SILO”)

    • Rui Silva says:

      Cara Ana,

      Gostei da sua resposta, mas deixe-me dizer-lhe uma coisa, o sistema Capitalista ( e há muitos “Capitalismos” – não queria agora abrir mais essa frente), é o sistema que mais permite aproximar-nos do Humanismo. Ou acha que é o Socialismo ?

      cps

      RS

      • Ana A. says:

        Desculpe fazer copy & past, mas para fazer luz sobre a minha posição, achei por bem enumerar as principais propostas Humanistas:
        “- Colocação do ser humano como valor e preocupação central, de tal modo que nada esteja acima do ser humano nem nenhum ser humano acima de outro.
        – A igualdade de todas as pessoas e a superação do simples formalismo de direitos iguais perante a lei, avançando para um mundo de iguais oportunidades para todos.
        – Reconhecimento da diversidade pessoal e cultural , afirmando as características próprias de cada povo e condenando toda a discriminação que se realize em razão das diferenças económicas, raciais, étnicas, culturais, etc.
        – Favorecimento do desenvolvimento do conhecimento para além das limitações impostas ao pensamento por preconceitos aceites como verdades absolutas ou imutáveis.
        – Afirmação da liberdade de ideias e crenças.
        – Repúdio de todas as formas de violência , não apenas as formas de violência física, mas também todas as formas de violência económica, racial, sexual, religiosa, moral e psicológica.
        Estas propostas acabam por configurar um estilo de vida e um modo de relação que se pode expressar na frase: “trata os outros como queres que te tratem.”

        Um Humanista quer envolver-se na criação de uma sociedade mais Humana!
        O Capitalismo está mais próximo, disso?! Não quero ser deselegante, mas, responda o Rui, em consciência.

        • Rui Silva says:

          Cara Ana,

          Neste momento e devido a afazeres profissionais, não posso responder ao seu comentário, da maneira que ele merece, uma vez que contem itens de grande alcance e sérios.
          Durante os próximos dias , vou tentar tirar um pouco de tempo para responder .
          Não sei se depois a Ana se vai aperceber da resposta, porque entretanto aparecem outros assuntos , já ninguém “vem atrás”, mas tudo bem.

          cps

          Rui Silva

        • Rui Silva says:

          Cara Ana Almeida,
          Sim tenho todo o gosto de responder em consciência.
          Veja a Ana que qualquer pessoa subscreve estes preceitos. Os bons sentimentos não são exclusivos dos socialistas, nem dos capitalistas. Assim e admito que você está de acordo com esta premissa, e também que os recursos são escassos e finitos passo expor a minha posição:
          O que está agora aqui em discussão é qual dos 2 sistemas pode levar a sociedade no seu todo, a aproximar-se destes objectivos e outros que aqui faltam, como a Liberdade do individuo ( que a meu ver é a mais importante).
          A minha tese (baseada na História) é que melhor que o Socialismo, será o Capitalismo.
          Onde o Socialismo foi praticado (apesar das boas intenções) levou a que, o resultado fosse precisamente o oposto do inicialmente desejado. Diga-me a Ana um exemplo onde o Socialismo não desembocasse em miséria, violência, fome, prepotência etc etc.
          Nos países Capitalistas o bem estar médio geral atingido foi tão grande que chegamos ao ponto ( e ainda bem) de classificarmos “pobres”, pessoas com casa , tv, frigorífico, microondas, telemóvel, carro , água canalizada, saneamento e educação. Se você voltar 200 Anos atrás (pré-capitalismo), nem os monarcas tinham este nível de vida!
          Isto foi uma conquista proporcionada pelo Capitalismo.
          Nos Países socialistas alguém com acesso a estes bens será considerado um privilegiado acima da média.
          Agora analisando ponto por ponto:

          1) Colocação do ser humano como valor e preocupação central, de tal modo que nada esteja acima do ser humano nem nenhum ser humano acima de outro.
          Tendo em conta que o objectivo do Capitalismo é o lucro, o Capitalista coloca acima de tudo se bem que indirectamente, o ser humano. O Capitalista paga mais a um funcionário que é diligente que a um outro que é pouco trabalhador, colocando assim o ser Humano (aqui o ser humano é o funcionário diligente) acima de tudo.
          O Capitalista vende mais barato se descobrir que assim ganha mais, colocando assim, se bem que indirectamente o ser Humano (aqui o cliente) acima de tudo.
          Isto é pôr o ser humano acima de tudo. Será colocar tudo ao mesmo nível que satisfaz este item?
          O Socialismo foi o sistema que colocou o ser humano no ponto mais baixo. Pois o seu objectivo não é o lucro. O seu objectivo é a igualdade. Como o ser Humano é tudo menos igual, é necessário impor uma grande dose de violência para obter esse resultado.

          2) A igualdade de todas as pessoas e a superação do simples formalismo de direitos iguais perante a lei, avançando para um mundo de iguais oportunidades para todos.

          Quem define as “oportunidades”?
          Será que todos queremos as mesmas oportunidades?
          E quem não quer a “oportunidade” que lhe querem dar?
          Como deve ser tratado? Deve ser obrigado a aceitar uma oportunidade?
          E se alguém tiver uma oportunidade única que descobriu. Pode “agarrar” essa oportunidade ? Ou tem de pedir autorização ao Chefe-Decisor-da-Distribuição-das –Oportunidade. E se esse chefe entender que não. Proíbe essa pessoa de seguir a sua oportunidade ? Isto não será desrespeitar esta norma ?

          3) Reconhecimento da diversidade pessoal e cultural, afirmando as características próprias de cada povo e condenando toda a discriminação que se realize em razão das diferenças económicas, raciais, étnicas, culturais, etc.

          Mais uma vez apenas um sistema que visa o lucro tem tendência a abstrair-se das questões pessoais, religiosas, género, tendências sexuais etc.
          Uma empresa competitiva não quer saber se os seus produtos são adquiridos por pessoas de determinada religião, região, cor de pele. Interessa-lhe mais a quantidade que consegue vender.

          4) Favorecimento do desenvolvimento do conhecimento para além das limitações impostas ao pensamento por preconceitos aceites como verdades absolutas ou imutáveis.
          Mais uma vez o Capitalismo como visa o lucro não se interessa se os seus clientes são cultos ou se são preconceituosos. No entanto o bem-estar que gera, permite á sociedade condições de desenvolvimento científico e cultural.

          5) Afirmação da liberdade de ideias e crenças.

          Dentro do Capitalismo existem diferentes religiões. No Socialismo não é admitida nenhuma religião excepto o Estado.

          6) Repúdio de todas as formas de violência, não apenas as formas de violência física, mas também todas as formas de violência económica, racial, sexual, religiosa, moral e psicológica.

          Desde a violência económica até à moral, religiosa e psicológica o Socialismo é o grande campeão desta área (factos são factos).
          Não vejo em nenhum regime Socialista onde se verifique: “trata os outros como queres que te tratem”
          Esta é uma frase típica do Capitalismo.
          Por fim queria dizer que não sou defensor do Capitalismo. Mas se fosse para escolher , não tenho dúvida nenhuma onde me sentiria livre de viver a minha vida como bem entendo.
          Por isso Ana se quer participar na construção de uma sociedade mais Humana, fuja do Socialismo.
          Penso que a melhor maneira de defender uma sociedade mais Humana, é defender a Liberdade. E quanto a mim e até ao momento actual o sistema que mais conseguiu esse objectivo foi a chamada: economia de mercado.

          Desculpe o Português, mas escrevi esta resposta em muito pouco tempo e quase sem revisão, espero que seja compreensível.
          cps

          Rui Silva

          • Ana A. says:

            Caro Rui Silva
            Agradecida pela sua disponibilidade para este intercâmbio de ideias.
            Antes de mais sou forçada a repetir o que disse num comentário anterior: – eu não sou socialista. E, as propostas que enumerei e o Rui analisou, são propostas do Movimento Humanista, donde emana o Partido Humanista presente em alguns países. Daí que: -“Não vejo em nenhum regime Socialista onde se verifique: “trata os outros como queres que te tratem”. Esse princípio também não pode ser do sistema capitalista, porque do que eu conheço do Capitalismo, “o outro” só existe, enquanto meio para atingir um fim, que é – o lucro e a acumulação máxima de capital.
            Posto isto, dispenso-me, como é óbvio, de defender o Socialismo, pois não é essa a minha causa. O que está aqui em questão, é portanto, Humanismo vs Capitalismo. Ou, melhor ainda, Capitalismo rumo ao Humanismo! Partindo do princípio que a maioria das sociedades actuais são capitalistas neoliberais ou em vias de o ser, onde impera a economia de mercado, ou seja, ”a lei do mais forte” ou a “lei da selva”, teremos pois que corrigir os seus defeitos para chegarmos a uma sociedade mais justa, mais Humana.
            Na sua análise sobressaem as ideias-chave: “objectivo do Capitalismo é o lucro….coloca acima de tudo…indirectamente, o ser humano”; “o Capitalista…ganha mais, colocando assim,…indirectamente o ser Humano…(cliente)”; “…um sistema que visa o lucro…”; “…uma empresa competitiva não quer saber se os seus produtos são adquiridos por pessoas de determinada religião, região, cor de pele. Interessa-lhe mais a quantidade que consegue vender”.
            a) A visão economicista impera – as relações humanas são reduzidas a vendedor-cliente; o cliente ou o trabalhador é compensado indirectamente, porque o beneficiário directo é sempre, pelo menos em tese, o vendedor/capitalista. E aí sim, cumpre-se o desígnio do ser Humano como valor central (ele próprio).
            No capítulo das oportunidades, penso que não resistiu a fazer um pouco de humor, daí que tenhamos uma caricatura que culmina com: ”Ou tem de pedir autorização ao Chefe-Decisor-da-Distribuição-das –Oportunidades.”.
            E chegamos a: “Mais uma vez o Capitalismo como visa o lucro não se interessa se os seus clientes são cultos ou se são preconceituosos. No entanto o bem-estar que gera, permite á sociedade condições de desenvolvimento científico e cultural.”
            b) Ignoremos então a visão redutora das sociedades organizadas como grandes empresas competitivas, e destaquemos apenas três, dos grandes problemas que afligem os seres humanos, e cuja raiz está na ganância de uns poucos:
            – Gestão dos recursos que são escassos e finitos – Vamos geri-los para que beneficiários? Com que critério?
            – O desenvolvimento científico e cultural, de pouco vale para os muitos milhões de seres humanos, que deles não podem usufruir.
            – O Capitalismo defende o darwinismo social, eu defendo a solidariedade e a entreajuda.
            Quanto à afirmação do Rui : “Penso que a melhor maneira de defender uma sociedade mais Humana, é defender a Liberdade. E quanto a mim e até ao momento actual o sistema que mais conseguiu esse objectivo foi a chamada: economia de mercado.” –
            Pergunto de que Liberdade estamos a falar?!,
            A nossa visão do mundo depende do nosso ponto de vista, que pode ser um ponto onde estamos confortavelmente instalados ou não! É por isso, que vale muito a pena tentarmos pormo-nos na pele do outro!
            Não sou eloquente como o Rui mas espero ter feito entender-me.
            Cumprimentos
            Ana Almeida

          • Rui Silva says:

            Olá Ana Moreno,
            Fico reconhecido por, depois de terem passado tantos dias se ter dado ao trabalho de responder aos meus comentários
            A nossa conversa desenvolveu-se quando se colocou a questão de qual o sistema que melhor pode “servir” o ser humano , que podemos chamar de Humanismo, com mais ou menos princípios.
            E pareceu-me que a Ana (pelos seus comentários) considera que o Capitalismo é contra estes princípios.
            Mas eu julgo que o Capitalismo é um sistema económico não é uma filosofia de vida nem uma filosofia política. O Capitalismo não está muito preocupado com o Humanismo. Mas a minha tese é que apesar do distanciamento destes temas é na prática o sistema que melhor permite que esses princípios sejam alcançados, na medida em que produz sociedades em que o bem estar é de longe superior ( sempre me lembro do Banqueiro Anarquista de Fernando Pessoas).
            Veja que os superiores sentimentos da nossa espécie como sejam : empatia, caridade, solidariedade, cooperação, entreajuda etc, se desenvolvem em sociedades onde foi atingido um avançado estado de bem-estar. Uma sociedade com necessidades básicas não satisfeitas desenvolve-se o egoísmo, o salve-se quem puder , olho por olho, dente por dente, e a criminalidade em geral (veja o recente caso da Venezuela que bateu todos os records mundiais de criminalidade). O que é natural (O gene é egoísta – o seu único objectivo é sobreviver para garantir a sua descendência).
            Assim, eu acho que qualquer pessoa que entenda que os valores Humanistas são importantes, que tem consciência que os recursos são escassos e finitos deve lutar contra as ideias socialistas. As ideias socialistas visam acima de tudo a igualdade do individuo, não o seu melhor bem estar possível. Como não somos iguais e os recursos finitos, o Socialismo tem de usar um grau de violência tão grande, quanto mais longe quiser levar esse objectivo. Nesse percurso tudo destrói levando as sociedades à pobreza e há absoluta falta de liberdade individual.
            Mas por incrível que pareça o Socialismo tomou conta de todos estes movimentos e serve-se deles para lutar contra o Capitalismo. Veja-se os casos mais conhecidos como os movimentos ecologistas, em que os seus bem intencionados activistas são convertidos em “idiotas úteis”.

            Em relação aos seus 2 pontos:
            a) A visão economicista impera – as relações humanas são reduzidas a vendedor-cliente;
            Esta relação Vendedor-Cliente é o que os seus intervenientes quiserem. Haverá. as relações estritamente comerciais ou não. A Ana com certeza tem a experiência pessoal de se relacionar diferentemente com as pessoas com que faz algum negocio. Não deve ser uma preocupação. Não temos que interferir.

            Não se esqueça que o Capitalista indirectamente luta pelo seu cliente quando em concorrência com outro consegue baixar o preço das suas mercadorias beneficiando toda a sociedade, pois permite que mais pessoas tenham acesso aos bens de que necessitam. Não acredite no slogan hoje muito em voga:
            ” as pessoas primeiro” e seus sucedâneos, porque sem prosperidade as pessoas não tem com que contar.

            b) Ignoremos então a visão redutora das sociedades organizadas como grandes empresas competitivas, e destaquemos apenas três, dos grandes problemas que afligem os seres humanos, e cuja raiz está na ganância de uns poucos:

            Já pensou que a ganancia de alguns pode “arrastar” também os outros que acabam também por usufruir do esforço destes gananciosos. Já pensou que se o nosso mundo fosse reduzido ao micro-mundo de uma turma, os gananciosos eram os alunos que mais estudavam ! Aos olhos dos demais , aqueles que estudam até tarde e se levantam cedo são gananciosos do saber.

            – Gestão dos recursos que são escassos e finitos – Vamos geri-los para que beneficiários? Com que critério?

            Não temos que nos preocupar demasiado com isso, a gestão do mercado encarregar-se-a que os seus benefícios cheguem as pessoas em geral. É o que tem acontecido. Veja, Ana, que apesar de tudo nunca houve tão pouca miséria no planeta como hoje em dia. As tentativas que foram feitas conduziu sempre a desastre.

            Em relação ao seu limite também não temos que nos preocupar demasiado, veja que o abandono do uso de determinado recurso normalmente não tem a ver com a sua escassez mas com a sua substituição por outro recurso, mais evoluído. O homem não deixou de se deslocar em cavalo por falta deste cavalos…

            Seria muito difícil não podermos usufruir do desenvolvimento cientifico com o Capitalismo. Veja o caso dos telemóveis, em 1992 era uma bem, apenas ao alcance dos empresários mais abastados e hoje qualquer miúdo do secundário tem pelo menos um aparelho. Isso deve-se ao desenvolvimento proporcionado pelo Capitalismo. Os gananciosos dos Capitalistas na ânsia de acumularem capital veja o que fizeram…

            – O Capitalismo defende o darwinismo social, eu defendo a solidariedade e a entreajuda.

            O Capitalismo não defende o Darwinismo . O Capitalismo defende o lucro. O Darwinismo é uma lei natural, que o ser humano tem conseguido de certa forma vencer, muitas vezes como resultado do Capitalismo.

            Pergunto de que Liberdade estamos a falar?!

            Só há uma Liberdade Ana. A única coisa que temos de ter em conta é que “a minha liberdade termina onde a liberdade do próximo começa”. Não pode haver liberdade quando achamos que temos direitos positivos.

            A nossa visão do mundo depende do nosso ponto de vista, que pode ser um ponto onde estamos confortavelmente instalados ou não! É por isso, que vale muito a pena tentarmos pormo-nos na pele do outro!

            Penso que a nossa visão do mundo depende não só de como estamos instalados na vida mas também do esforço intelectual que fazemos para entender da forma mais racional este nosso complexo mundo.
            Veja por exemplo os expoentes máximos do Socialismo (Marx e Engels) , que eram pessoas bem instaladas na vida, “filhos da burguesia” usando um pouco os seus conceitos. E conceberam uma ideologia que a seu ver resolvia os problemas da pobreza . E veja os resultados da sua aplicação…

            Assim espero ter contribuído para um esclarecimento da minha posição. E a propósito não sou nada eloquente , pois fico sempre com a sensação de que muito ficou por dizer.

            cumprimentos

            Rui SIlva

  8. Ana A. says:

    Rui, uma correcção Ana Almeida e não Ana Moreno!
    🙂
    Cumprimentos
    Ana Almeida

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