Escolhas


Desafiado por voz amiga a comentar a posição de Susan Sarandon em relação às eleições no seu país – “Eu não voto com a minha vagina!”, declarou ela, querendo dizer que não se justifica o voto em Hillary Clinton pelo simples facto de ser mulher -, tenho a dizer que, com todo o respeito pela actriz e sua postura, não a sigo – nem aos que como ela pensam – nesta opinião. Não me sendo indiferente o significado de ser eleita, pela 1ª vez, uma mulher para a Casa Branca, tal está longe de ser a questão central. Ensinaram-me as voltas da vida e a reflexão que elas impõem, que, sendo espiritualmente confortável a ideia de uma abstenção por razões de princípio, ela sempre me pareceu uma via sem saída. Na verdade, a abstenção é, na vida como na política, as mais das vezes, uma ilusão. Ela tem efeitos, e tem efeitos na direcção que tomam as escolhas com que, verdadeiramente, nos deparamos. Penso, por isso, que há sempre, em condições normais, uma opção preferível. Digo-o sem qualquer laivo de cinismo, já que abomino a via do “quanto pior melhor” com que alguns parecem comprazer-se. A liberdade é a nossa mais bela condenação. E porque é condenação, não há modo de a evitar. Quer dizer: as nossas escolhas são inevitáveis, mesmo quando parece que lhes conseguimos fugir. A evasão não tem, aqui, lugar. Nunca.

Comments

  1. Konigvs says:

    Se eu li bem, a Susan apoia uma outra vagina, a dos VERDES e não a abstenção.

    E já agora eu não poderia estar mais de acordo. Eu também não voto num membro sexual seja ele qual for. Eu gosto de pensar que voto no mérito. A ideia das quotas horroriza-me. Horroriza-me pensar que estava no lugar trigésimo da lista do meu partido, mas porque haviam poucas vaginas ou poucos pénis, já passei a 3º ou 4º. Absurdo. Cada um deve valer pelo que é, não por ter um pénis ou uma vagina.

    • A.Silva says:

      Pois é quando se fala sobre qualquer coisa, convém conhecer minimamente do que se fala e a verdade é que a Susan não se ABSTÉM, mas sim, vota nos VERDES.

      A verdade é que os estados unidos são uma ditadura de UM SÓ partido, que para entreter os basbaques, criaram esta fantochada dos “democratas” e republicanos.

      Por isso ao sair dessa lógica ditatorial, Susan tem todo a razão.

  2. Orlando Sousa says:

    Ela não disse só isso, e cito “Na verdade, o medo de Donald Trump não é suficiente para que eu apoie Hillary Clinton com seu historial de corrupção”.

  3. Nascimento says:

    Assim se vê a categoria de um Gabriel! Lindo….

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