A alergia da direita aos direitos

73938-capitalismoDeus não está muito bem, graças a si mesmo, Marx sobrevive com dificuldades, a Esquerda vai andando e a direita está catatónica, pelo menos em Portugal.

Catatónica, mas à espreita e nunca silenciosa, que isto aqui, felizmente, é uma democracia. Nos últimos dias, dois representantes dessa amável facção falaram sobre direitos, termo que obriga os seus utilizadores à toma de doses maciças de anti-histamínicos.

Rui Rio, candidato a líder da direita, depois de ter despovoado culturalmente o Porto, vai já prevenindo que os governos deram às pessoas direitos insustentáveis, como se os direitos fossem ofertas governamentais e não consequência da justiça e da evolução da humanidade ou como se os direitos necessários fossem dispensáveis. A desonestidade intelectual da grande maioria que vem do CDS até aos órfãos da direita do PS (que é muito grande) insiste, há anos, na ideia de que o problema de Portugal está nos gastos com o Estado Social e não nos desvios de dinheiro pertencente ao Estado Social, para salvar bancos e para pagar as dívidas públicas insustentáveis e nunca sujeitas a auditorias. Rui Rio, tal como Sócrates e Passos Coelho, é apenas um empregado bancário e presidente pouco clandestino das grandes empresas que gostam de lucros elevados alimentados por salários baixos. Para Rio, o país fica no interior das salas em que se reúnem os conselhos de administração. Lá fora, estão as pessoas, espécie cujo único direito é trabalhar por pouco dinheiro e respirar baixinho, como diria Luís Montenegro. [Read more…]

Esoterismo e Política

© Bruno Santos

© Bruno Santos

Pacheco Pereira deu nota recente da sua preocupação com o estado actual do PSD, referindo que as direcções distritais do partido estariam todas entregues à Maçonaria. É possível que esse fenómeno não seja um exclusivo do seu partido, uma vez que se verifica uma disseminação muito ampla de membros do GOL e da GLRP por diferentes patamares do poder, seja público ou privado, desde as autarquias ao governo central, passando por múltiplos outros sectores, instituições e orgãos de soberania. Este texto pretende enquadrar com simplicidade o fenómeno do ponto de vista histórico e permitir uma leitura mais rigorosa e prática daquilo que verdadeiramente pode estar em causa, quer no quadro estritamente político, quer num âmbito mais alargado, ao qual não é alheio o esforço continuado de conquista, distribuição e exercício do poder.

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Contatos? Pára! Pára!

There’s a lover in the story
But the story’s still the same

—Leonard Cohen, “You Want It Darker

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Hoje, no sítio do costume, há contatos.

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Também hoje, no Record (os meus agradecimentos ao nosso excelente leitor), voltamos a mergulhar na grafia Schweinstnegger: por um lado, quer a inadmissível grafia diretor, quer a incompreensível referência gráfica à selecção do Brasil, por outro, a triste notícia acerca da paragem do glorioso André Horta.
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Continuação de uma óptima semana.

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As Línguas Maternas mais faladas do mundo

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As sete línguas maternas mais faladas do mundo (Milhões de falantes)
Fonte: Público/Novo Atlas da Língua Portuguesa
(segundo o Observatório da Língua Portuguesa, Julho de 2016)

 

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Lettres de Paris #21

«J’ai la France entière»

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Hoje morreu Leonard Cohen. A primeira música de que me lembrei foi de The Partisan*. A canção não é dele, mas sempre gostei de o ouvir cantar
‘Oh, the wind, the wind is blowing,
through the graves the wind is blowing,
freedom soon will come;
then we’ll come from the shadows.’
 
E depois o coro, em francês:
‘J’ai changé cent fois de nom
J’ai perdu femme et enfants
Mais j’ai tant d’amis
Et j’ai la France entière’
 
E se calhar, quase de certeza, foi por isso que quando percebi que ele tinha morrido, me lembrei imediatamente de The Partisan. Podia ter-me lembrado de outra canção qualquer que o ouvi cantar tantas vezes, como Suzanne, ou Dance me to the end of Love, ou So long Marianne… mas não, foi desta que me lembrei. La Complainte du Partisan**, uma canção de 1943, com letra de Anna Marly (e música de Emmanuel d’Astier de la Vigerie, uma homenagem aos resistentes franceses na II Guerra Mundial. Paris está cheio de placas que nos contam a história desta resistência. Hoje, em muitas delas, havia flores da Maire de Paris. Um gesto bonito, digamos, num dia em que se comemora em França (e é por isso feriado) a assinatura do Armístico que pôs fim à I Guerra Mundial. Estava Paris muito enfeitado de bandeiras, de pequenos ramos de flores junto às placas dos que tombaram combatendo ou resistindo. Estava Paris muito bonito, hoje, sob um sol encantador e um céu mais azul que a tira da bandeira.
 

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O problema do Género

Portugal continua a ser um país que as notícias dão como muito mal situado nos “rankings” da Igualdade de Género. Num Índice do Fórum Económico Mundial, já do ano de 2014, o nosso país aparece classificado em 39º lugar, numa lista de 142 estados fechada pelo Iémen, o Paquistão e o Chade. No topo da lista aparecem a Islândia, a Finlândia e a Noruega.
Este é um tema que tem trazido preocupados sucessivos governos e que mantém na comunicação social uma actualidade constante há vários anos. É, certamente, uma área das políticas públicas e privadas que mais atenção merece e sobre a qual há ainda muito a fazer.
O quadro que se segue é um pequeno resumo estatístico retirado do Pordata, com números do ano de 2014.

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