A arte da mentira

Rui Naldinho

Após a eleição de Donald Trump muito se tem falado das razões mais profundas que estiveram na origem da sua vitória. Teoriza-se sobre tudo sem se ter a certeza de nada. Analisam-se as motivações para tantas mentiras  do republicano vitorioso nesta eleição. E como o povo americano se deixou seduzir por elas.

Ferreira Fernandes fala no Diário de Noticias da “pós-verdade”, como a palavra do ano. “Uma homenagem ao Brexit e a Trump. É um adjectivo que define uma sociedade pasmada com a realidade. Espero que passe a substantivo, já. É que, se a verdade é dura, a pós-verdade, que é uma mentira, pode distinguir-se talvez melhor, pois é mole.”

Se tudo isso está em conformidade com o pensamento dominante, há questões que, no entanto, não podem deixar de se colocar. [Read more…]

A Ponte de Blackfriars

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Parabéns Passos Coelho, parabéns direita

O primeiro-ministro no exílio conseguiu a sua primeira grande vitória. A Caixa está pior agora, graças ao caso diariamente repescado na imprensa amiga. O salário do sujeito é pornográfico e tudo à volta da declaração de rendimentos é obsceno? É, sem dúvida. Falta saber, minto, sabemos, porque é que, no entanto, os telhados de vidro de quem atira pedras estão intactos. O país ficou melhor? Não, mas o governo ficou pior. É este o fiel das lutas que a direita escolhe. Parabéns, conseguiram.

Respeitinho, se faz favor

Eis quando ao faltoso nada acontece, sendo quem o acusa que é punido. Vergonhoso.

Reality check às políticas para a Educação

Santana Castilho*

Ao completarem-se 30 anos sobre a aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo, este poderia ser o momento adequado para fazermos um balanço rigoroso dos caminhos que a Educação trilhou em democracia e, sobretudo, para definirmos o que queremos para o futuro.
Ao optar hoje, neste contexto, por um reality check, passe o estrangeirismo, às políticas do PS para a Educação, o meu objectivo não é opor-lhes certezas (que as tenho) mas antes confrontá-las com as interrogações e as perplexidades que suscitam. Com efeito, são as perguntas que podem ser feitas que mostram que as coisas vão acontecendo de modo imprudente, mais por reacção ao fundamentalismo de Crato que por ponderação da oportunidade, da qualidade e da justeza das políticas. Tudo beneficiando de um caudal de águas mornas de aceitação dos problemas mal resolvidos pela impreparação de Tiago Rodrigues e pelos excessos de Alexandra Leitão. [Read more…]

CGD: algo mudou

A polémica sobre os rendimentos e o património dos administradores da CGD dura há várias semanas.
É útil lembrar que se ainda governasse a direita, este assunto não sobreviveria vinte e quatro horas na comunicação social e a Caixa já estaria a ser alegremente administrada, sem polémicas e sem declarações.

Mas afinal, o que é tão problemático no CETA?

Perguntava-me há dias um colega: mas afinal o que é que ainda há de tão problemático no CETA, já que, à última hora e à pressão, foram anexadas importantes especificações às 1.600 páginas do acordo?

Assinatura do CETA

Da esquerda para a direita, Jean-Claude Juncker, Justin Trudeau, Donald Tusk e Robert Fico (primeiro-ministro da Eslováquia e detentor da presidência rotativa do Conselho da EU) durante a cerimónia de assinatura do CETA. Foto: EU

O instrumento interpretativo conjunto, as declarações unilaterais e os textos da declaração da Bélgica que foram alinhavados ao texto do acordo para possibilitar a sua assinatura, deram alguma contribuição para a clarificação de conceitos difusos incluídos no texto do CETA mas, como não se lhe sobrepõem, o seu valor jurídico é muito limitado.

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O fiscalizador que fiscaliza mas não é alvo de (boa) fiscalização

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Estamos nós no auge do polémico caso da nova administração da CGD que não quer entregar as suas declarações de rendimentos no Tribunal Constitucional, e eis que somos confrontados com novos factos, de requintada ironia. Então não é que dois juízes do TC, que por estes dias exigiram oficialmente que a equipa de António Domingues entregasse as suas declarações, “não cumprem as exigências de transparência que a lei determina” relativamente às suas próprias declarações de rendimentos? É sem dúvida um belo exemplo, este que nos chega de cima. [Read more…]

Há alternativa – a TIA correu com a TINA

Para variar, esta semana está a ser rica em boas notícias, mas quem não as procurar activamente nem nelas repara.

Jornal da Noite, SIC, 16/11/2016

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Lettres de Paris #23

‘Vous êtes du quartier?’

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perguntou-me uma senhora, não sem antes dizer ‘bonjour, madame’, quando eu estava na esplanada do Saint-André – depois da Julie me ter cumprimentado com um ‘bonjour Elisabete!’ quase cantado – a beber o meu café e o meu copo de água do costume. Disse-lhe que não, à senhora, que não era ‘du quartier’, mas fiquei a pensar que tinha pena de não ser deste bairro e poder dar à senhora a informação que ela precisava.
Depois do café, desci as escadas do metro ali mesmo em frente. O passar a ferro de ontem, fez alguns estragos nas minhas pernas. Algumas horas de pé e é uma lástima. Por isso há que poupá-las, quer dizer, o mais possível, se bem que – como disse ontem – no metro de Paris se ande muito, sobretudo se temos, como é frequentemente o meu caso, que mudar de linha. Apanhei a única linha de metro que passa em Saint-Michel (também passa o Rer C e o Rer B) a linha 4, para Chatelêt, onde mudei para a linha 1 em direção a La Défense. Começo a ser perita no metro de Paris. Na verdade não tem nada que saber. Nem este, nem até ver, nenhum metro em que tenha andado seja lá onde for. Antigamente perdia-me mais do que agora, é verdade. Devo ter aprendido a prestar mais atenção.

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Bilhete do Canadá – Olha quem ele é

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O PSD, pela voz tronitruante de Carlos Abreu Amorim, pediu explicações sobre o novo cargo da ministra da Justiça como juíza do Supremo. Serena e educada, Francisca van Dunem explicou a situação. O paquidérmico Amorim deve andar a encher-se de vento com o trampismo americano.  Nada racista, como se sabe. A fazer pendant com o passado extrema direita do deputado.

Em contraponto, está o chefe do partido, o Passos Coelho: sempre azedo, sempre casmurro, sempre de trombas, a tartamudear desgraças que aí vêm, a pôr defeitos a tudo. Não há pachorra para aturar estes mecos.