Ser Europeu

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Pertencer à União Europeia, estar na Europa, Ser Europeu, foi uma das grandes novidades que nos trouxe este Portugal moderno saído dos finais do século XX e entrado pelo novo milénio adentro cheio de acrescentos identitários e “mais-valias” civilizacionais, oferecidas pela diversidade da Europa e dos povos que a habitam. Foi assim que aquilo que ameaçava transformar-se numa jangada de pedra, à deriva pela solidão do mundo pós-imperial, se transformou numa energia intra-solidária, comprometida com valores ancestrais que partilhamos com os nossos “parceiros” do velho continente.
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Bilhete do Canadá – Ganda Rebaldaria

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Ivanka Trump, que faz gala em exibir-se ao bom estilo da boazona pirosa, deu uma entrevista ao programa 60 Minutos, da CBS, e deixou perplexos os entrevistadores que se perguntam, agora, que jogo escondido tem a rapariga e o marido. Afirmou e reafirmou, com a maior candura, que o papá a convidou a fazer parte da sua equipa governamental… mas sem pasta. Vai lá estar, diz ela, apenas como filha. Todos estão desconfiados que vai ser, de facto, a primeira dama. De resto, Trump pai opinou a rebentar de orgulho: “A Ivanka é realmente uma beleza. Se não fosse minha filha, era minha namorada”. É de cavalheiro. God bless you America.
Durante toda a entrevista, Ivanka agitou o braço onde exibia uma espampanante pulseira de ouro. No dia seguinte, os responsáveis pelo programa foram abordados por um vendedor da ourivesaria de que a dama é cliente para sugerir que publicitassem a pulseira, posta à venda por cerca de 11 mil dólares, uma pechincha, desde que fosse adquirida através do website de Ivanka. É o que se chama ir com sede ao pote.
Entretanto, Obama e McCain prometem refilar, alto e bom som, quando surgirem anomalias trumpescas. Coitados, vão ser uns mouros de trabalho diário em full time.

Confirma-se

 
Confirma-se que o Governo Sombra é, de facto, o melhor programa de actualidade política do momento e que, por acaso, até tem graça. Um caso de extremo bom gosto, com temas pertinentes e referências de elevado gabarito – onde por acaso o Francisco e o Aventar são mencionados, mas não é por isso, de forma alguma, que aqui se faz esta nota. Já referi que é um momento semanal marcante na agenda mediática?

PS: Arriscando destoar, aproveito para deixar duas notas:

  1. Acordo Ortográfico chega ao Supremo. Na net segue a petição por um referendo
  2. Assine a Iniciativa de Referendo

O Diário do Professor Arnaldo – Professores que gostam pouco de trabalhar

– «Já viste? Na 4.ª Feira temos reunião! Fogo, é o meu dia livre, é injusto!»
Isto dizia hoje a novata na sala de professores. Anda há meia dúzia de dias na escola e já aprendeu o missal: é professora, tem de ter dia livre. Tal como as colegas decanas, que trabalham 14 horas por semana e chegam a 6.ª Feira exaustas. Ou melhor, 5.ª Feira, porque 6.ª Feira é dia livre.
Às vezes, sinto que estou num mundo à parte. Não sei se é por ter chegado tarde à profissão, depois de ter estudado à noite enquanto trabalhava como servente e como operário. Estou a centenas de quilómetros de casa, mas sinto-me grato por ser professor. Por ter um dia livre por semana (mesmo com reuniões de vez em quando), por ter mais 2 manhãs livres, por ter uma semana inteirinha de férias no Natal, mais uma na Páscoa, mais dois meses limpinhos no Verão.
Hoje estava a olhar para elas, essas tais que se queixam diariamente. Eram 5 moças. Às 16.35, deu o toque de entrada para a aula. Elas, na sala de professores, não se mexeram. Nem às 16.36. Nem às 16.37. Nem às 16.38. Às 16.43, uma delas olhou para o relógio da Sala de Professores. Eram 16.45 quando, de repente, todas se levantaram ao mesmo tempo, como se tivessem combinado, e foram dar aula.
Engraçado! No meio delas, estava a tal. Essa tal

Gaia, Futebol e a Quadratura do Círculo

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No passado dia 26 de Outubro, o presidente da Câmara de Gaia, Eduardo Vítor Rodrigues, deu nota pública de que tinha aceitado o cargo de Administrador não executivo da SAD do FC Porto. Sentindo a necessidade de se justificar publicamente, o autarca de Gaia veio dizer que “são opções respeitáveis quando tudo é claro, transparente, sem fanatismos e sem conflitos de interesses”.

Acontece que um dia antes da sua eleição para o cargo em causa, a CCDR-N deu a conhecer um parecer jurídico que coloca o presidente da Câmara de Gaia em situação de “inelegibilidade superveniente”. Isto significa que, caso viesse efectivamente a ocupar o cargo de Administrador da SAD portista, Eduardo Vítor Rodrigues incorreria em perda de mandato de presidente da Câmara Municipal.

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A economia da pobreza

JN, 20/11/2016

JN, 20/11/2016

O senhor padre Lino Maia queixa-se, nas páginas do JN de ontem, das dificuldades por que estão a passar as IPSS a cuja federação o senhor padre preside. Tem razão.

O Governo da República deveria assumir na plenitude os seus deveres sociais, nomeadamente através do serviço público de Segurança Social, permitindo ao senhor padre Lino Maia dedicar-se ao ofício divino que lhe é próprio e abandonar este sector empresarial que tanto cresceu nos tempos pecaminosos da Troika. De resto é hora de olhar com olhos de ver para os negócios da miséria, conhecidos pelo pomposo nome de Terceiro Sector ou Economia Social, onde pelos vistos há 250 mil trabalhadores a viver da pobreza alheia.

É dever do Estado assistir os seus cidadãos em dificuldades e não ajudar a florescer uma actividade económica cuja prosperidade depende dessas mesmas dificuldades.

A imprensa portuguesa ao serviço da Geringonça

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Nesse antro de esquerdalhos que é a imprensa portuguesa, o grupo Imprensa, propriedade do fundador do PSD, Pinto Balsemão, é quem mais ordena. Como afirmam, e bem, os indignados à direita, meios como a SIC, o Expresso ou a Visão estão obviamente ao serviço da agenda dos partidos de esquerda, conferindo-lhes maior tempo de antena, nas peças noticiosas como no comentário político, e defendendo as suas posições, ao mesmo tempo que atacam, sem dó nem piedade, tudo o que mexe à direita. [Read more…]

Lettres de Paris #27

Marie, agricultrice, et son choix de ne pas se moderniser

Hoje não há fotografias, só uma de uma placa à entrada do portão do 105 (que é também o 101, onde se encontrava a placa) Boulevard Raspail, onde fica a École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS). Por momentos e por ignorância pensei que a placa dissesse respeito exatamente aos estudos das ciências sociais, de um tempo passado e agradou-me logo aquilo dos ‘êtres organisés’. Claro que depois reparei melhor na placa e já não me pareceu tanto que tivesse a ver com as ciências sociais. Tem e não tem, afinal. Parece que antes de ser criada, em França, na Sorbonne, em 1888*, a ‘chaire’ se iria chamar Philosophie Biologique, mas por razões de designações científicas acabou por se chamar Évolution des Êtres Organisés e, claro, diz mais respeito às chamadas ciências da vida. Mas já não estamos em 1888 e sabemos já que embora sejamos êtres organisés biologiquement, somos igualmente êtres organisés socialment e que as duas dimensões, pelo menos, se entrecruzam de maneiras intrincadas e difíceis de separar.
 
Estava diante da placa ainda não eram 10 da manhã, imagine-se. Levantei-me antes das 8 e meia na Rue Suger. Porque tinha de estar na EHESS às 10 da manhã exatamente. Mas também porque aparentemente vão fazer obras no prédio em frente, e a rua é demasiado estreita, e hoje os homens a montarem os andaimes, parece que estavam dentro do meu estúdio. Impossível dormir portanto, de manhã. Adivinho já dias turbulentos, se as obras durarem muito. Seja como for, ali estava eu, hoje de manhã diante da placa da ‘Chaire’ de ‘Évolution des Êtres Organisés’. Fui assistir a um dos seminários ‘Ruralités Contemporaines’, organizados na EHESS por um grupo de cientistas sociais ‘ruralistes’ franceses. O seminário de hoje consistia na apresentação de um filme-documentário – ‘Marie, un engagement paysan’** – e da discussão em torno do que ele nos mostra. Os realizadores, Daniel Blanvillain et Alain Barthot, estavam presentes, assim como Marie, a pequena agricultora e produtora de queijo (especialmente de ovelha), com 4 vacas e 40 ovelhas, da região do Bourbonnais. As vacas e as ovelhas não estavam presentes, naturalmente. Estava lá também ‘du monde’, quero dizer umas 40 pessoas quase, todas mais velhas que eu, à exceção de uns 5 ou 6 estudantes. Estava lá um monte de gente de quem li muitas coisas: Bernadette Lizet, encantadora, Françoise Dubost, Aline Brochot (claro)… e uns quantos mais… um mundo de gente, portanto.
 

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