Quantos professores são necessários?

daviddinisDavid Dinis dá, hoje, professoralmente, as suas notas a agentes políticos, classificando com nota negativa o ministro da Educação, abaixo ainda de Passos Coelho.

Se Nuno Crato foi uma enorme desilusão, Tiago Rodrigues é apenas uma grande ilusão, sobretudo para muitos que são de esquerda. O facto de não estar a pensar rever medidas verdadeiramente danosas para a Educação é prova disso, mas o meu objectivo, agora, é escrever sobre  outros ilusionistas.

David Dinis, como qualquer neoliberóide-ignorante-atrevido, usa o seu desconhecimento e o fascínio pelas médias, para insinuar que não serão necessários mais professores. A linhagem a que pertence o actual director do Público gosta de dizer que o Ministério da Educação não tem de ser uma agência de empregos que garanta a contratação de todos os que possam e queiram ser professores.

Sendo isso um truísmo, a verdade é que o Ministério da Educação, com destaque para Nuno Crato, tem sido uma agência de desemprego ou, na melhor das hipóteses, um centro de ocupação para professores precários. Os últimos ministros que ocuparam a pasta não foram da Educação e sim do orçamento ou, mais propriamente, foram (e continuam a ser) agentes liquidatários de um sistema público fundamental num país civilizado. [Read more…]

Onde vai o Governo arranjar 6 euros para aumentar as pensões mínimas?

… Enquanto isso, o Governo anda aflito.
Onde é que irá buscar essa enormidade, esses 10 milhões de euros, que lhe permitirão aumentar de forma brutal as pensões mínimas em 6 euros?
Beneficiários de pensões mínimas, esses privilegiados que já foram aumentados na Legislatura anterior.
Obrigado PCP!

A Fenprof não aderiu?

A Função Pública hoje está a fazer greve

O rei vai nu – denuncia Piketty

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É posta deste modo a nu por Piketty a esquizofrenia e hipocrisia dos “tratados de comércio livre”, com especial referência ao CETA :

“Não deveriam ser assinados mais acordos internacionais que reduzam os direitos aduaneiros e outras barreiras comerciais sem que sejam incluídas medidas quantificadas e vinculativas para combater o dumping fiscal e climático nesses mesmos tratados. Por exemplo, poderiam conter taxas mínimas comuns de imposto sobre as sociedades e metas para as emissões de carbono que possam ser verificadas e sancionadas. Não é possível continuar a negociar tratados de comércio livre sem nada em troca. Deste ponto de vista, o CETA, o acordo de comércio livre UE-Canadá, deve ser rejeitado. É um tratado que pertence a outra era. Este tratado estritamente comercial não contém absolutamente nenhuma medida restritiva em matéria fiscal ou climática. Faz, porém, considerável referência à “protecção dos investidores”, permitindo às multinacionais processarem os estados em tribunais de arbitragem privados, contornando os tribunais públicos disponíveis para todos “.

Os nossos governos andam a brincar aos samurais contra o aquecimento global na cimeira do clima em Marraquexe, fazendo de conta que não notam – e atirando-nos muita areia para os olhos – que com os seus acordos de “comércio livre” promovem exactamente o oposto; e, da mesma assentada, fazem-nos reféns do grande capital. Como de parvos nos fazem!

Vale a pena saber como os deputados portugueses no Parlamento Europeu vão votar em relação ao CETA. Peça-lhes para votarem contra, aqui : https://www.nao-ao-ttip.pt/ceta-check/

Ficaremos assim também a saber qual é o conceito de democracia dos nossos eurodeputados, indicado pelo facto de responderem, ou não, aos cidadãos que legitimam a sua presença no PE.

O meu vencimento obsceno é melhor que o teu

O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho (E), acompanhado pelo secretário de Estado das Infraestruturas, Transportes e Comunicações, Sérgio Monteiro, durante a visita à Associação Empresarial do Baixo Ave na Trofa, 31 Janeiro 2015. ESTELA SILVA / LUSA

Pois é, Jorge. O pessoal da telha envidraçada e a sua infinita cara-de-pau. Já quase ninguém se lembra dele. E sabes bem que passar despercebido é um talento valioso que poderá explicar em parte o salário que ganha. Que não é assim tão diferente daquilo que irá (?) auferir António Domingues mas que tem o condão de não levantar grandes discussões. Pelo menos mediáticas. Contudo, e apesar de pouco se saber sobre a venda do Novo Banco, Sérgio Monteiro já se encontra em funções desde Novembro do ano passado. Um ano. E, segundo noticia o Expresso, ficará pelo menos mais três meses até “concluir a venda”. A ver se desta é que é.

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Carta do Canadá – O Albertino

Ilustração: Atlanta Sketch Group

Ilustração: Atlanta Sketch Group

Naquele tempo o Ti Xico Porto era o tesoureiro do Comando Geral da PSP, na Avenida António Augusto de Aguiar, e uma vez por semana eu ia almoçar com ele. Geralmente à sexta-feira e a seguir ao almoço íamos para Tomar gozar o fim-de-semana. Eram almoços reinadios, na messe, e tomávamos café um pouco acima, na mesma rua, mesmo em frente a um chalet arte nova, na esquina da Luís Bívar, se bem recordo, que exibia uma placa explicando que ali tinha vivido António José de Almeida, grande figura da 1ª República. Volta e meia aparecia o Albertino,   construtor civil feito a poder de baldes de cimento desde os 12 anos, porque o país era o que era e a vida é o que é. Gostava muito do Ti Xico e vinha quase sempre só para o ver  e se regalar no café com os amigos dele. Todos achavam piada ao Albertino e puxavam por ele, que era um meia leca magrote, esturricado, olhinhos matreiros de rato. E muito rico. Podre de rico. Abria a boca e dizia coisas espantosas. Inesquecíveis. Sentenciava, por exemplo, que os alquitetos mandam mais que os inginheiros.  Devia saber disso, porque era um gaioleiro desembaraçado que cirandava pela câmara e pelas ruas de Lisboa a impingir projectos, a fazer e vender casas. Tinha ideias claras. Os pretos, dizia, era para estarem em África e porrada neles que eram uma cambada de malandros. Uma ocasião, naquele café manhoso da Avenida Conde Valbom, que era o quartel-general dos empreiteiros, leu num jornal que a Inglaterra se propunha legalizar as uniões de homossexuais  e não esteve com modas: meteu-se num avião  para Londres,  onde o filho estudava, e obrigou-o a regressar a casa sob pena de o pôr fora de casa se não obedecesse.  Sobre mulheres, era definitivo: quando inquirido de qual discurso tinha gostado mais nas festas regionais, nem pestanejava ao declarar que “dos discursos o que eu gostei mais foi das pernas das gajas”, que ele observava palitando os dentes enquanto os oradores  palravam. [Read more…]

Lettres de Paris #24

Isto não é uma carta, é um telegrama e um desabafo

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Não se passou nada de especial, hoje. Fui para o trabalho pelas ruas do costume. Fiquei um momento a admirar as cores e os pombos na cabeça das estátuas. Particularmente na de Claude Bernard. Em, frente ao Collège de France. Voltei do trabalho pelas mesmas ruas. Estava pouca gente no Ladyss hoje. E a sala de trabalho estava fria como uma estátua, depois do fim de semana sem o aquecimento ligado.
 
Tive saudades da comida portuguesa. Sobretudo depois de falar ao telefone com os meus pais. A minha vida às vezes é um atraso. E a culpa não e minha. Fiquei zangada com as prioridades alheias. Tive fome. E comi no sítio do costume. Comi bem, por sinal. Confit de canard (outra vez). Depois vim para casa. Estava quentinho e trabalhei um bocadinho. Muitas vezes perco tempo com ninharias, com assuntos e pessoas que não deveriam merecer mais que um segundo da minha atenção. Depois fico triste comigo mesma. Mas Paris não é, não pode ser, lugar para tristeza.
 
Entrei numa livraria bonita, queria comprar um livro* que saiu recentemente sobre Paris visto e vivido pelos escritores. Mas estava esgotado. A senhora encomendou-o. Estou com vontade de viver Paris como os escritores a viveram. Ou melhor, ter a ilusão de viver Paris como a viveram Sartre, Beauvoir, Hemingway, Prévert, Aragon, Céline, Baudelaire, Modiano… evidentemente os tempos são outros. O mundo mudou substancialmente e, seguramente, também Paris. E de qualquer modo, eu não vivo em Paris. Se calhar nem eles viveram Paris. Viveram a Paris deles, como eu viverei a minha, por pouco tempo que seja, por mais que perca tempo com ninharias e coisas que não (me) interessam. Ou que certamente me interessam muito menos do que a literatura e do que Paris.
 
*Informações sobre o livro, aqui